“Viajar amplia a percepção de mundo. Possibilita a interação com pessoas com histórias diferentes das suas”. Não se trata só de paisagens, mas de diferentes aspectos culturais como a contagem regressiva do Ano-Novo na Times Square, em New York. O colorido dos fogos entre a neblina na fria noite de Lisboa. Ou a alegre festa, entre flocos de neve, na tradicional Marienplatz de Munich. Momentos que foram populares, mas eternamente lembrados.
Ano Novo na República Tcheca – Cidade de Praga
Estávamos na Áustria e rumamos, por via terrestre, para a República Tcheca. Várias tentativas históricas aconteceram para separar a antiga Tchecoslováquia em dois países. Em janeiro de 1993 houve a separação: República Tcheca – capital Praga ou Praha e Eslováquia – capital Bratislava. Iniciaram uma nova história como dois novos e diferentes países.
Eslováquia
Para chegar à República Tcheca passamos pela Eslováquia. Um país de belas florestas, lagos, rios e vilarejos. Tudo sempre emoldurado por montanhas cobertas de neve. As pequenas aldeias, típicas dessa nova pátria, guardam ainda, o modo de viver dos tempos da chamada “Cortina de Ferro”, domínio da antiga URSS. Encontramos antigas barreiras, postos militares, torres de vigia, cercas de arame farpado, hoje em completo abandono. Há alguns anos seria impossível imaginar o livre acesso de hoje. Ficaram muitas ruínas e tristes lembranças no sofrido povo.
É um país ainda pouco conhecido pelos turistas. Faz parte da União Europeia e o Euro é a sua moeda. Uma característica desse país centro-europeu é um interior ainda com muitos sítios, casas fechadas e abandonadas pelo regime que foi imposto. Mas a natureza se supera com suas belas montanhas cobertas de florestas e brancas pela neve.
Bratislava
Chagamos a essa capital onde permanecemos por algumas horas. Fazia muito frio e flocos de neve teimavam em cair. Tudo nos lembrava um 31 de dezembro europeu. Na Praça Central, encontra-se um belo monumento ao maior poeta do centro-europeu: Hviezdoslav (1849- 1921), advogado dedicado à Literatura. Nesse local, alguns quiosques assavam pernil de porco para a ceia de Ano Novo. Eram encomendas com fins beneficentes. O aroma e o visual da iguaria eram tentadores. Populares, apesar do frio, estavam na praça. Essa lembrança ficou na minha memória: frio intenso, delicioso aroma e um povo feliz pela data e pela iguaria.
Seu centro histórico é belo e aconchegante. Impressionante o grande número de cafés e confeitarias sempre localizados em antigos e belos palacetes. Tudo convidava a um fumegante chocolate quente. O majestoso Rio Danúbio corta a cidade e parecia andar devagar pelo frio que fazia. A Eslováquia faz fronteira com a República Tcheca, com a Polônia, Hungria, Ucrânia e Áustria.
Rumo à República Tcheca
Capital Praga ou Praha – saindo de Bratislava, a neve começou a cair formando uma camada branca. A paisagem já estava toda pintada de branco. As árvores desnudas, não havia pássaros e sim alguns cervos perdidos pelos campos procurando alimento. Muito pouco movimento na rodovia. As casas fechadas, chaminés fumegando e pessoas recolhidas. Parecia uma tela de algum pintor impressionista. Chegamos ao hotel que estava localizado no centro da cidade, junto à Praça Histórica. Bela construção Art Nouveau. Eram dezoito horas, noite fechada. Já havíamos feito reserva para o Jantar de Réveillon, qua aconteceria no próprio hotel.
Jantar de Réveillon
Iniciou às vinte e uma horas. A nossa mesa, bem ao centro, ficava ao lado de outra com dois belos pilotos da Real Força Aérea Britânica, com os quais brindamos. O ambiente estava lindamente decorado com flores brancas e laços dourados. Pessoas bem vestidas e um quarteto de jazz, com cantores, animava a festa. Muitos dançavam. Várias ilhas dividiam o riquíssimo cardápio: aperitivos, saladas, pratos quentes e não faltando as deliciosas sopas. Vários tipos de carnes –peru, salmão, bacalhau, cordeiro e deliciosos medalhões de vitela ao molho de pimenta verde. As sobremesas faziam uma outra festa ao paladar. Tudo ficou à disposição o tempo todo.
CONCLUSÃO
Dançamos e brindamos com todos. Parecíamos velhos conhecidos. À meia noite iniciou a contagem regressiva. Várias línguas cantavam em alemão, inglês, português e espanhol. Ao chegar ao ‘um’, as rolhas dos champanhes estouraram. Nos abraçamos e nos despedimos do Ano Velho com a bela canção de fim de ano. Foi emocionante! Lembramos dos amigos e familiares, que aqui ficaram. Momentos de alegria e nostalgia ao mesmo tempo. Fora, o frio que era intenso. Os sinos de todas as igrejas badalavam e os fogos clarearam a noite. Foi uma explosão de sons e cores, que depois silenciaram. Na sacada do último andar, presenciamos a festa na Praça Central. O povo, não sentia frio, festejava com cervejas e salsichas. Muita música animava. Cantavam e dançavam. Na famosa Ponte Carlos, acontecia um concerto de música clássica e jovens alegres misturavam-se aos turistas.
A alegria do momento da virada do ano é animada em qualquer lugar do mundo. São momentos inesquecíveis mesmo na distância e com diferentes hábitos. Todos sempre não deixam de ter entusiasmo e esperança pelo futuro que chega. Meus olhos e minha memória ainda guardam as cores e sabores dessa incrível chegada de Ano Novo. Ein Gutes Neues Jahr! Feliz Ano Novo!