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Opinião

Memórias de Viagem: Comemorações de Natal e de Ano Novo (Parte V)

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Por Marlei Klein

O Natal comemorado, nas colônias alemãs aqui no Sul do Brasil, foi muito diferente daquele que era comemorado na Alemanha. Lá é uma época de muito frio, geralmente com neve. Roupas pesadas, Feiras de Natal com muita alegria e aconchego junto às lareiras ou fogões. Aqui, muito calor. O brasileiro, apesar do clima, procura imitar o Natal europeu. O mesmo acontece com o Ano Novo. Luzes, neve artificial, músicas, grupos corais, o Papai Noel americano com volumosas roupas vermelhas. Aqui, os imigrantes procuraram se adaptar às comemorações. A Missa do Galo era importante nas colônias.  A figura do Menino Jesus – o Kirckinnche - e não o Papai Noel era a lembrança principal. O pinheiro de Natal era ornamentado com papel colorido e chumaços de algodão, nas pontas, para parecer neve. A tradição permaneceu com as cucas e bolachas de mel, que faziam a alegria das crianças.

Ano Novo na Alemanha

Munique ou München- capital da região da Baviera. Esta é a cidade do romantismo e da jovialidade. É a “capital alemã da cerveja” e da megafesta a - Oktoberfest. Em 1328, devastador incêndio destruiu grande parte da cidade, mas poupou um monastério localizado próximo à Catedral. Os monges, para sobreviver, criaram uma cerveja, onde buscavam a água em um poço de 230 metros de profundidade. Surgia, assim, a “cidade da cerveja”.

 

Réveillon em München

A comemoração é diferente de outras cidades da Europa. O comércio fecha no início da tarde. Os restaurantes só servem até o almoço. A ceia de Virada do Ano acontece em festas reservadas nos grandes hotéis ou cervejarias famosas. Os fogos são proibidos no Centro Histórico. Em outros lugares, necessitam de licença prévia da prefeitura. Os habitantes trocam pequenas lembranças, que são compradas nas Feiras de Natal. Todos recebem. São pequenas figuras confeccionadas em cerâmica, madeira, chocolate ou marzipã. Os mais procurados são uns porquinhos rosados, trevos de quatro folhas, joaninhas coloridas, ferraduras e limpadores de chaminés. Mas há infinidade de outros. Significam sorte, dinheiro e esquecimento de maus momentos.  Trazem grandes alegrias para o ano que inicia. Na Marienplatz, coração da cidade, à noite famílias inteiras festejam com muita música, cerveja e salsicha. Não importa o frio congelante. 

 

Cervejaria Augustiner

Foi o local da nossa festa. É a mais antiga da cidade. Possui uma tradição de 700 anos. Encontramos um alegre grupo do Rio de Janeiro. Fizemos amizade, assim que chegamos. Brindamos e dançamos. Nas mesas não havia canecas de cerveja, mas taças e champanhe. O ambiente era alegre e festivo. Um lugar repleto de habitantes locais e de turistas. Alguns preferiram a cerveja. Na Alemanha ela é servida fria, não gelada, pois o sabor fica mais natural. Um lindo e enorme pinheiro natural de muitas cores e luzes enfeitava o ambiente.

A festa iniciou às vinte horas. Logo foi servido o jantar. Um conjunto musical, com um cantor vestido como Frank Sinatra, animava a festa. À meia-noite, ele anunciou: Ein Gutes Neues Jahr! – Feliz Ano Novo! Não aconteceu a contagem regressiva, mas a orquestra começou a tocar a “Valsa do Ano Novo”. A música era mais significativa. Todos foram dançar e muitos abraços e brindes! Lá fora, entre flocos de neve, que teimavam em cair, muitos fogos de artifício coloridos iluminaram a noite fazendo belas figuras no escuro firmamento. A noite continuou animada. Depois, foi servida uma sopa de lentilhas com ervilhas, bacalhau e outras iguarias. Um tentador recanto de sobremesas, onde chamava a atenção, uma bela torta de limão com molho de morangos. Tudo era acompanhado de vinho quente com especiarias. No regresso ao hotel, passamos pela Marienplatz e uma verdadeira multidão animada continuava a comemorar.

 

Frohes Neues Jahr! Feliz Ano Novo!

Ao meio-dia, do Novo Ano, iniciou a missa solene na Frauenkirche, a belíssima Catedral de Nossa Senhora. Missa festiva com grande coro e com a música de   órgão de tubos. Músicas tradicionais de Natal e sacras. Estas com repertório do imortal Bach. O Bispo conduziu a bela cerimônia. O ambiente lotado era de muita devoção e aconchegante. Por baixo dos bancos de madeira passava o aquecimento- canos com água quente. Ambiente de fé e de muita espiritualidade.

 

Tradição de Ano Novo

Na Alemanha, no primeiro dia do ano, é tradição saborear os “Sonhos de Ano Novo”. As confeitarias estavam todas abertas e lotadas. Os sonhos são de massa levedada com fermento natural. São recheados com diversos sabores, do chocolate ao creme de baunilha. Não tem como descrever a gostosura que é estar, num ambiente aconchegante, saboreando os sonhos com um fumegante café. Fora, o frio era intenso e flocos de neve giravam no ar. Como lembranças, perfeitas para trazer pequenas caixas com chocolates que imitam sonhos. Uma tradição alemã, sem igual, que jamais será olvidada.

 

Conclusão

O jantar de Ano Novo aconteceu em outra cervejaria famosa – a Hofbräuhaus am Platzl, do ano de 1589. Uma bela casa de três andares e tradições. Logo na entrada, uma banda bávara animava quem ia chegando. O restaurante está no último andar. Foi a vez de saborear o legítimo Eisben com chucrute e batatas. Canecas de cerveja levantadas e desejando ‘Ein Prosit’. Tudo era preparado em grandes panelões sobre fogões e servido individualmente. A cultura de Munique está mergulhada nos romances dos Reis da Baviera, que construíram preciosidades nos estilos barroco e rococó. Destruída na Segunda Guerra Mundial, a cidade, com muito trabalho, foi recuperada. O trabalho feminino foi valoroso na sua reconstrução, pois a maioria dos homens havia perecido nas batalhas. As crianças, desde muito cedo, aprenderam e ajudaram a ter a Alemanha rica e estável de hoje. Gutes Neues Jahr!

 

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