Contendo essências de sabores exóticos, o cigarro eletrônico, conhecido como vape ou pod, virou um atrativo entre os jovens. Segundo estimativa da Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (IPEC), o uso teve um salto, entre os anos de 2018 e 2022, de 2,2 milhões de usuários e o modelo atual da 4ª geração é o mais viciante.
Com um aumento recente de popularidade, estudos já demonstram riscos desde o pulmão a alterações cerebrais. Em entrevista para a redação do jornal Bom Dia, o médico pneumologista, Leandro Gritti, fala sobre os riscos para a saúde do uso do cigarro eletrônico.
O dispositivo
O pneumologista, explica que atualmente, existem diversos dispositivos eletrônicos para fumar, podendo ter semelhança ao cigarro convencional, conter o aquecimento do tabaco, modelos parecidos com pendrive, canetas ou dispositivos com tanque.
Leandro, explica que cada dispositivo tem alguma particularidade e potência diferente, variando em média de 300º C, contendo aditivos e substâncias que podem ir além da nicotina, na qual é responsável pela dependência química. “Quanto maior o aquecimento, maior a formação de outras substâncias e algumas dessas são comprovadamente cancerígenas”, informa.
Popularidade
Usado em ambientes externos e internos, atrativo pela modernidade e utilização entre celebridades, o cigarro eletrônico torna a população adolescente vulnerável ao seu uso. O médico explica, que o dispositivo apresenta um risco quatro vezes maior a saúde do que outros produtos derivados do tabaco, incluindo o cigarro convencional. “Tem todo aquele apelo para que as pessoas possam fumar o cigarro eletrônico em um ambiente com outras pessoas e isso está criando um problema crescente”, diz.
Riscos
Apesar de ter pouco tempo de circulação, as alterações já são conhecidas. Uma das primeiras registradas é o desenvolvimento de lesão pulmonar aguda, induzida pelo uso de cigarro eletrônico, após poucos dias de uso, levando a danos pulmonares agudos, tosse, falta de ar, redução da oxigenação, potencializando a evolução de insuficiência respiratória e morte.
Pelo surgimento recente, existem danos a longo prazo que ainda não conhecidos, mas já existem evidências de surgimento de bronquite crônica, enfisema pulmonar, asma, tosse crônica, irritação na garganta, descompensação de asma, irritação de vias aéreas altas, rinites, faringites e câncer de pulmão.
Diferenças do cigarro convencional
Segundo o pneumologista, os dados existentes até o momento indicam que o cigarro eletrônico provoca danos maiores que o convencional, ou seja, o prazo de uso para o aparecimento de complicações na saúde é menor. Além disso, a quantidade de nicotina usada no dispositivo é diferente da ingerida no cigarro convencional.
Dentre os líquidos usados, a concentração pode ser maior que 50 mg por ml de líquido, apresentando risco de intoxicação aguda por nicotina e óbito. “A dose de um ou meio miligrama por nicotina pode ser fatal, então, se você tiver um adolescente utilizando cigarro eletrônico em uma festa, desinformado sobre a concentração presente no dispositivo, pois os rótulos não são confiáveis pela ausência de fiscalização, existe o risco de intoxicação aguda e morte do adolescente”, destaca.