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Opinião

Reflexões de Ano Novo (II)

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Por Henrique Trizoto -Coordenador do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font

Entre uma leitura e outra da tese, tenho optado por ler os ensaios do filósofo e ensaísta sul coreano Byung Chul Han. Atualmente, estou lendo “Sociedade Paliativa: a dor de hoje” (Vozes, 2021), um retrato de uma sociedade que não permite “avisar, verbalizar a dor em uma paixão”. Mais do que isso, ela seria uma sociedade do “curtir”. Nela, “tudo é alisado até que provoque bem-estar, o ‘like’ é o signo, sim, o analgésico do presente”.

Agora, proponho aos leitores um desafio, como explicaríamos isso aos nossos antepassados?

Aqueles, que vieram e se juntaram aos negros, caboclos e indígenas para construir o que hoje conhecemos como Capital da Amizade.

Imaginem sentar-se à mesa em um domingo e começar a explicar a ideia de que quase tudo é ou deveria ser instagramável, livre de arestas, contradições ou conflitos que acarretaria dor e sofrimento.

Puxemos à baila a Revolução de 1923, cujo Tratado de Pedras Altas que selou a paz, no último 14 de dezembro completou cem anos, como seria o tratamento àqueles que perderam familiares, animais, lavouras ou foi vítima de violência física / psicológica, não teria do direito de viver o “luto” de todo esse processo?

A dor e o sofrimento de nossos irmãos em guerra, deve ser julgado e atenuado, para que a sociedade paliativa, não se choque com toda a barbárie?

Reflexões como estas, nos empurram para longe de nossa zona de conforto. Essa busca incessante para atenuar o impacto daquilo que nos imputaria dor e sofrimento é uma faca de dois gumes, pois, ao mesmo tempo que gera conforto, aliena e empurra ainda mais para o âmago da sociedade paliativa.

E, por fim, essa cultura do “like” e do arrefecimento dos momentos que causam dor e sofrimento o resultado de uma sociedade que busca incessantemente monetizar tudo. Segundo Han, os produtos culturais precisam “tomar uma forma que os torno consumíveis, ou seja, curtíveis”.

A complexidade deste cenário reside no fato dele estar se tornando regra e não mais exceção.

 

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