Eu vivia feliz correndo pelas campinas.
Respirava ar puro da natureza.
Era embalado pelo cantar dos pássaros.
Acordava cedo e com os humanos ia trabalhar.
Até com cobras venenosas lutei para eles salvar.
Certo dia meu instinto canino me alertou.
Algo muito triste estava para acontecer.
Pessoas estranhas e meus familiares humanos,
discutiam e não paravam de falar:
E o cachorro com quem vai ficar?
Hoje estou aqui na cidade, triste, amarrado.
Vivo entre prédios, poluição, sempre a chorar.
Ah!...se os humanos me compreendessem?!
Se entendessem a linguagem do coração.
Destas amarras viriam me livrar.
Esquecem que faço parte das famílias.
Que sou guia de cegos e visito hospitais;
Que com meu faro aguçado ajudo policiais,
a descobrir drogas, salvar pessoas em
desabamentos de prédios e desastres naturais.
Sonho sempre para meu paraíso voltar.
Correr entre campos e matas verdejantes.
Beber água na fonte e tomar banho de cascata.
Brincar com os pirilampos nas noites de luar.
Quero ser feliz e nunca mais para a cidade voltar.
Se este meu sonho não se realizar,
não deixem que alguns humanos avarentos,
transformem minha carne em guisado,
para suas gulas desenfreadas saciar.
Por favor, deixem meu corpo inerte nas
margens do rio, à sombra do pé de ipê,
na querência onde vivi, para servir de alimento
aos corvos, e com eles entre o céu e o infinito
Voar...voar...voar...
P.S: Na Coréia do Sul, os cachorros são abatidos para sua carne se destinar ao consumo humano, sendo muito apreciada em forma de guisado.