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Opinião

Memórias de Viagem: Comemorações de Natal e de Ano Novo (Parte VI)

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Por Marlei Klein

Reminiscências

Para os descendentes de alemães a figura principal do Natal é o Menino Jesus – o “Kirckinnche” – e não o Papai Noel. E assim era a comemoração nas colônias dos germânicos no Sul do Brasil. Na noite de Natal, nas pequenas comunidades e paróquias, criavam um Menino Jesus em pessoa. Ele ia de casa em casa, vestido de branco, com o rosto coberto por um véu. Seguia acompanhado por dois jovens vestidos de preto e chapéu. Em cada casa, eles faziam muito barulho batendo e tocando sininhos de Natal. O grupo era muito esperado e recebia dinheiro e cuca. À noite, enquanto as crianças dormiam, o Menino Jesus deixava presentes para as que se comportaram bem durante o ano. Para as que não foram boas, o “Krampus”, uma figura de monstro, deixava pedaços de carvão.

 

Na Europa

Os festejos natalinos iniciam no primeiro domingo do Advento- início de dezembro – e vão até o Dia dos Reis Magos – 6 de janeiro. Esse período é também chamado de Feriados de Natal, Já no início, começam as Feiras de Natal –as “Christkindls”. As comemorações envolvem muito mais a religiosidade e nem tanto a parte comercial. O Presépio é mais importante do que o Papai Noel. As pessoas procuram decorar uma bela árvore de Natal. As crianças sabem o que representa um Presépio. As comemorações envolvem muito as famílias e amigos. Todos fazem muita questão desses encontros e os aguardam com ansiedade. Em qualquer lugar, em centros comerciais, lojas, restaurantes, hotéis e nas ruas os ambientes sempre são festivos. Ouvimos músicas natalinas, grupos de músicos e corais sempre se apresentando. Isso acontece até o Dia dos Reis Magos.

 

Itália- Período Natalino

No início de dezembro – época do Advento- até o Dia de Reis – 6 de janeiro- é o período chamado de Feriados de Natal. Os alunos entram em férias. É um tempo em que faz muito frio e as famílias conseguem viajar. O Presépio, na Itália, não pode faltar nas famílias e nas Igrejas. Alguns são verdadeiras obras de arte. É a época de comemoração, de amizade, de troca de lembranças, de presentes e de boas recordações.

 

Em Veneza

Marcel Proust disse: “Quando fui a Veneza, meu sonho transformou-se no meu lar”. Cidade capaz de seduzir, intrigar e divertir visitantes como nenhuma outra cidade do mundo. Ela é encantadora! A melhor forma de conhecê-la é se perdendo pelo labirinto formado por dezenas de ruazinhas, canais e pontes. Vamos descobrir recantos e pracinhas frequentados pelos seus habitantes. Dificilmente, repetiremos um caminho e sempre acharemos como voltar. Há muitas placas indicativas.

 

Natal na Praça de São Marcos

São Nicolau- o Papai Noel ou o Bobbo Natale chega de gôndola. A Praça é decorada com ricos motivos natalinos. Barraquinhas vendem produtos típicos, não faltando a cidra e o vinho quente. Um delicioso aroma de café perfuma o ar e deliciosos pães e doces o acompanham. Castanhas são assadas em braseiros e vendidas em pequenos cones de papel.

Era a semana do Natal. Fazia muito frio. Um sol muito pálido aparecia e o vento corria solto pela esplanada. Os turistas eram poucos, mas a população se apinhava na Praça de São Marcos. Aconteciam muitas comemorações e os venezianos não se importavam com a temperatura. Esta praça é considerada o centro de Veneza. É um dos locais mais belos do mundo com muitas lojas, cafés e a bela Catedral. Uma vez, Napoleão afirmou: “ É a mais primorosa sala de estar da Europa”.

 

A Befana

Nesta época há a tradição da Befana. Esta é a Bruxa Boa, que montada em sua vassoura, distribui doces para as crianças comportadas e “carvão” para as que não foram. O “carvão” é um torrão de açúcar que o imita perfeitamente.  Ela é uma figura nada bonita, mas não transmite medo. Cabelos pretos, longos, com chapéu em ponta.                

Recordo da minha infância, quando a minha avó materna falava e contava sobre esta bruxa. Na época, não entendia bem o significado. Mas ela é uma figura folclórica como assim é o Papai Noel. É imaginada como uma bruxa boa montada em sua vassoura. Sua história inicia com a viagem dos Reis Magos que chegaram a Belém. Perderam-se no caminho e pediram ajuda a uma senhora, a Befana.

Sua festa é no Dia de Reis- 6 de janeiro. Ela vai de casa em casa de deixa saquinhos com doces ou pedaços de carvão. Isso é muito fácil de lá encontrar no comércio local. Minha avó usava a brincadeira perguntando: “Doce ou carvão? ” Hoje, praticamos com a nossa netinha. Ela não quer nem saber de falar em “carvão”.

 

Conclusão

O período natalino, na Itália, é a festa e o encontro com a família. Sempre comemorado ao redor de uma boa mesa. Os filmes de época sempre lembram uma família italiana como os que falam todos ao mesmo tempo, até discutindo, mas, no final, todos se abraçando. É a época em que não pode faltar o panetone ou o “pandoro”. Este não é muito conhecido no Brasil. É de massa leve, amanteigada, dourada e de textura esponjosa. Atualmente, em boas casas do ramo, é vendido em belas embalagens.

Herdamos das nossas avós o envolvimento nas festas natalinas. As memórias também incluem a “festa” que era participar de todo o ritual de preparação. Quando menores, mais a gente atrapalhava do que ajudava. Tudo iniciava com a confecção dos biscoitos.  O momento de os enfeitar era o mais aguardado. Era o predileto das crianças. Era a mão no glacê, no açúcar colorido e de muita “lambança”. Isso tudo resume uma doce tradição de Natal e à espera de um Buon Natale.

 

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