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Opinião

Os eucaliptos (“cidadão vegetal exemplar”)

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Por Engenheiro Florestal Roberto Magnus Ferron – Consultor Florestal/Ambiental

Na matéria anterior, escrevi que o Brasil se tornou o maior exportador mundial de celulose e papel, e o segundo maior produtor do planeta neste segmento.

O setor florestal planta, colhe e replanta em uma área de 9,94 milhões de hectares. Desta área total, temos 7,6 milhões de hectares com eucaliptos, abrangendo 76% da área plantada no Brasil. Depois, com 1,9 milhões de hectares vem o pinus, representando 19%. Outras espécies, que correspondem a 5% da área plantada, incluem a seringueira com 230 mil hectares, a teca com 76 mil hectares e a acácia com 54 mil hectares. Os plantios de eucalipto estão localizados, principalmente, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, com destaque para Minas Gerais (29%), Mato Grosso Sul (15%) e São Paulo (13%).

No sul do Brasil, pelos idos de 1900 até 1980, a nossa principal fonte de madeira era as Florestas de Araucaria – pinheiro brasileiro. Com sua escassez, a fonte de madeiras migrou para a regiões centro oeste, e depois norte. De centenas de quilômetros vinha a madeira para abastecer nossas indústrias moveleiras e construção civil, e as espécies mais requeridas eram a cerejeira, mogno, castanheira, angelim, peroba, roxinho, ipê, entre outras. Mas, estas madeiras também foram escasseando pela exploração desenfreada e pela expansão das lavoura e pecuária nas regiões. Cada vez mais distantes, o custo do transporte inviabilizou a vinda destas madeiras nobres. Bem como, a rigidez na fiscalização da exploração clandestina das florestas nativas.

Assim, não havia outra forma, a não ser investir mais em reflorestamento, especialmente, com as espécies mais estudadas, e de múltiplo uso, como eucaliptos e pinus.

Vale a pena relembrar uma boa história que poucos conhecem, e que poderia ter tirado o RS deste atraso econômico em que nos encontramos.

Em 22/07/2007, já havia escrito um artigo intitulado “O EUCALIPTO – UM CIDADÃO EXEMPLAR - Mitos e Verdades”, que foi publicado no antigo Jornal Diário da Manhã, Jornal a Voz Regional, e na Revista do CREA-RS.  “O eucalipto é uma espécie vegetal de porte arbóreo, que tem origem identificada – a Austrália.  Da Família Mirtaceae, com nome de batismo - Genero Eucaliptus e sobrenomes diversos – espécies, como grandis, dunii, saligna, tereticornis, robusta, urophila, entre outras 660 espécies. Sua família Mirtaceae tem parentes próximos de origem brasileira, como a pitangueira, a cerejeira, a uvaieira, a jaboticabeira, o guabijuzeiro e outras tantas frutíferas silvestres. Mas, discorrendo sobre este cidadão vegetal, não é à toa que migrou pela mão do homem a 18 países, se adaptando as diversas situações edafo-climáticas e ganhou status de estrela econômica e social, cobrindo 10 milhões de hectares. Até o momento, não foi expulso ou execrado de nenhum destes países. No Brasil, juntamente com o Gênero Pinus, são as espécies florestais mais plantadas, chegando a 3 milhões de hectares, enquanto o Pinus a 1,5 milhões de hectares. Atualmente, são responsáveis pelo fornecimento de 70% de todos os produtos madeiráveis utilizados para os mais diversos fins econômicos. E como dizem os gaúchos, também se aquerenciou no RS, ocupando apenas 150 mil hectares de área.

Na época, o eucalipto foi colocado no centro de uma grande polêmica, que mexeu com as opiniões de todos os gaúchos de norte a sul do Estado. Foi parar nas páginas dos principais jornais e revistas conceituadas. Isto porque foi anunciado dois grandes investimentos por parte de empresas de celulose e papel, que estariam se instalando na metade sul, a Stora Enzo em Rosário do Sul, e a Votorantim em Pelotas ou Rio Grande, e haveria a duplicação da produção da Aracruz (hoje CMPC) em Barra do Ribeiro. O RS seria o maior cluster florestal do Brasil

A região foi a escolhida como ideal para o desenvolvimento desta atividade florestal e industrial, e a espécie eucaliptus foi a elencada para o fornecimento de madeira com fins de produção de celulose e papel, por ser plástica, com grande capacidade de adaptação as condições edafoclimáticas.

Como de praxe no RS, o caso acabou polarizado. Se travou uma batalha entre ecologistas e industrialistas, além de forte debate na esfera política. E o investimento que seria de bilhões de reais, maior que a Ford e a Chevrolet juntos, foi-se embora, como dizem “escafedeu”! 

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