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Saúde

Oferta de Ozempic diminui no mercado devido à automedicação

Endocrinologista explica o motivo da contraindicação para pacientes que não sejam obesos ou diabéticos

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Alessandra Giollo, professora e médica endocrinologista
Por Vivian Mattos
Foto Arquivo pessoal

Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um alerta sobre a falta de medicamentos chamados de GLP-1, bem como, a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, usado para tramento de diabetes ou obsesidade e o consecutivo aumento de versões falsificadas do remédio. A partir da popularidade do medicamento, sua disponibilidade esteve em falta nas prateleiras das farmácias em 2023 e ainda continua escassa. 
O jornal Bom Dia, entrevistou a médica endocrinologista e professora da URI, Alessandra Giollo, para entender sobre o medicamento e os riscos para pessoas que o utilizam sem prescrição médica.

Uso desenfreado
A endrocrinologista, explica que o uso do Ozempic, direcionado ao tratamento de diabetes e obesidade, utilizado de forma desenfreada como alternativa para perda de peso, gerou um desabastecimento nas farmácias e fez com que a medicação entrasse em falta para quem necessita. “Quem realmente precisa para tratar a diabetes, tem indicação de uso ou que já está adaptado a medicação, estará sem o remédio até estabilizar o retorno da matéria prima de fabricação”, diz.

Uso estético
Alessandra afirma, que o uso de qualquer medicamento só é indicado para quem está acima do peso, podendo ter risco e complicações de saúde. Já para emagrecimento estético não é indicado por dois motivos. O primeiro é o risco de uso da medicação, que irá trazer efeitos colaterais e o resultado da perda de peso pequena. O segundo é a que perda de peso não é significativa para justificar o uso do medicamento. 
“Mesmo que seja usado para uma finalidade estética, a perda esperada de 15 a 20 quilos, não irá acontecer com quem tem um peso normal. O que existe aprovado agora no Brasil é somente o Ozempic, a dose para diabetes é de 0,5 a 1,0, sendo doses que não vão promover uma grande perda de peso. Uma pessoa de 100 a 150 quilos terá uma perca de 7% do peso inicial, enquanto, uma com 50 quilos terá 5% a 7% do peso, podendo nem perder esse percentual, pois quanto maior o peso, maior será a perda”, explicou. 
Além disso, a médica destaca que os efeitos colaterais são comuns em pessoas que fazem o uso do Ozempic sem orientação e prescrição médica. “Esses efeitos colaterais que comentamos, são comuns em quem utiliza o medicamento sem orientação, pois não terá a indicação de dosagem, exames prévios para verificar fatores de risco ou contraindicação. Por exemplo, quem já teve pancreatite, câncer de tireóide ou alguma outra alteração, não pode utilizar esse medicamento e podem estar usando sem saber dos riscos”, alerta.
Efeitos colaterais
A endocrinologista explica, que a medicação pode ter efeitos colaterais normais, como náusea, vômitos e dores abdominais manifestadas no início do tratamento, mas que são transitórios e que são tolerados em pessoas em um quadro que previna riscos. Contudo, existem riscos e complicações graves que ainda estão sendo estudadas, bem como, as suspeitas de aumento de espécies de câncer de tireóide, pancreatite, diabetes e pedras na visícula.
“Ainda não sabemos os efeitos a longo prazo, pois essa é uma medicação nova. Já tivemos outras medicações que após 10 ou 15 anos apareceram efeitos colaterais que não eram conhecidos, mas o prinicipal são os efeitos de náusea, vômito, dor abdominal e risco de pancreatite”, explica.

Uso original
Segundo a endocrinologista, o Ozempic é um medicamento análogo do GLP-1, uma classe nova nos últimos anos, focada no aumento da durabilidade dessa substância. O GLP-1 é um hormônio que é produzido pelo intestino, liberado na presença de glicose, e que sinaliza ao cérebro que estamos alimentados, diminuindo o apetite. 
O GLP-1 é degradado durante cerca de um minuto e meio, após esse período, o corpo não terá mais a substância. Por isso, o Ozempic foi criado para ter um efeito prolongado da substância, com uma aplicação semanal para aumentar a liberação de insulina, sendo inicialmente indicado para pessoas com diabetes. “O objetivo dessa medicação é para uso de pessoas com diabates, ele foi estudado para isso, pois tem o efeito de melhorar a liberação da resposta da insulina”, explica a médica.

Obesidade
Alessandra explica, que com o uso do medicamento foi notada uma boa resposta na perda de peso, sendo considerado no tratamento de pessoas com obesidade. “A indicação de qualquer medicação é feita pensando que a doença causa mais risco que os efeitos colaterais do remédio, então, o Ozempic vai ser indicado para quem tem diabetes e obesidade”, declara.
No caso de pessoas obesas e que não tenham diabetes, o Índice de Massa Corporal (IMC) considerado deverá ser acima de 27, aliado a doenças associadas ao peso, pressão alta, gordura do fígado e doenças das articulações. “O benefício da medicação precisa ser susperior ao risco da utilização. Nas pessoas com obesidade e diabetes, por exemplo, temos um risco elevado de infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC), risco de desenvolver diabetes, aumento da mortalidade e câncer”, afirma.
A médica ressalta, que para essas pessoas, o uso do Ozempic é indicado, desde que exista a mudança de estilo de vida, realização de atividade física e dieta.

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