Lá serei feliz.
Lá não precisa diploma de português, de matemática. De leis nem se fala.
Lá terei assessores e secretários.
Serei amigo do rei e dos súditos.
Lá sentarei num acento dourado.
Em eventos e festas populares serei aplaudido pelos meus discursos, terei até carro oficial com combustível grátis...
Lá não será um trabalho, mas uma diversão.
Serei amigo dos inimigos onde farei conchavos cuidadosos para permear meus caminhos gloriosos.
Terei um bom salário. Tem até 13º para as festas (de final de ano).
A política é outra civilização, tem telefone, internet, cafezinho e faxineira de graça.
Lá terei mordomias que me darão alegrias.
Lá não há melancolia, tudo é agitado.
Lá a Justiça será leniente como mãe paciente, deitarei nos seus braços, impune...
E lá serei feliz!
Este texto é inspirado no famoso poema de Manuel Bandeira “Vou-me embora pra Pasárgada”. Espero o perdão da lei pela inspiração.