O Movimento Étnico Cultural dos Negros de Erechim (MENE), comemora neste domingo, 4, o marco de 15 anos de atuação no resgate, valorização e divulgação da história e da cultura dos afro-brasileiros em Erechim e região do Alto Uruguai.
Anos de atuação
Neste período, o grupo conseguiu conquistar reconhecimento na região e ampliar o senso de pertencimento da população negra do município. Dentre conquistas, o MENE, cita o fomento de obras que contam a história dos negros e sua participação da formação de Erechim; a integração de uma representação da etnia negra como princesa afro-brasileira na FRINAPE, maior feira da região do Alto Uruguai, a partir de 2015 e a atuação na rede pública e privada de educação apoiando crianças negras, além de compartilhar a história da cultura nos educandários. “Atualmente, o MENE conquistou seu espaço na região e mantemos um bom diálogo com as redes de educação e esferas do poder público, isso nos abre espaço para lutar por nossas pautas e ajudar na transformação social que buscamos”, destacam.
Ações
O MENE atua com uma agenda de pautas e discussões antirracistas, fomentando palestras, seminários e eventos que tratem do tema. As atividades acontecem em conjunto das escolas da rede pública e privada, a convite dos próprios educandários ou pela 15ª Coordenadoria Regional de Educação e Secretaria Municipal de Educação.
Impacto
Conforme o movimento, ainda é necessário fomentar discussões sobre o racismo e enfrentar seus reflexos no trabalho, desenvolvimento econômico e na desigualdade social. “A escravidão e o racismo deixaram marcas profundas na sociedade brasileira e isso não se resolve facilmente”, explicam.
Desafios
Segundo o MENE, o movimento é presente no combate do racismo estrutural que durante séculos manteve a população negra sobre regime de escravidão e mesmo após a abolição, impediu ou dificultou o acesso de pessoas negras a direitos humanos básicos para a vida, a saúde, o trabalho e a educação. “Por ser naturalizado o racismo na sociedade brasileira, torna-se um desafio gigante confrontar e desarticular os mecanismos racistas que prejudicam a maioria de nosso povo. Trata-se de um desafio constante, presente lá no início do movimento em 2009, até agora”, explicam.
Fundação
Com iniciativa dos membros Monique Maína Milkiewicz Rosset, Mauricio Antunes de Oliveira, Claudete Fatima Duarte Milkiewicz e Rodrigo Alves Pereira, o MENE foi fundado como um coletivo em 04 de fevereiro de 2009. O nome MENE, significa no idioma Yorubá da família linguística nígero-congolesa “A que nunca está só” e desmembrada, a sigla significa Movimento Étnico-Cultural dos Negros de Erechim.