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Saúde

Reumatologista esclarece dúvidas sobre a fibromialgia

“Um simples carinho ou abraço pode desencadear a dor”, explica Árien Oldoni

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Reumatologista, Árien Oldoni
Por Vivian Mattos
Foto Arquivo pessoal

Uma dor que pode ser intensa e incapacitante, mas não provoca inflamações nem deformidades físicas. A fibromialgia pode estar associada a outras doenças reumatológicas, o que pode confundir o diagnóstico. A médica reumatologista, Árien Oldoni, esclarece dúvidas sobre o tema.
Investigação
Ao receber um paciente com queixa de dores, a médica explica que é necessário fazer um mapeamento dos sintomas. Árien, esclarece que quando a dor persiste por mais de três meses e começa a “se espalhar”, afetando locais que não sejam aqueles que os sintomas iniciais foram manifestados, bem como, os braços, mãos, pernas e pés, cria a suspeita de desenvolvimento de um quadro de sensibilização aumentada do sistema nervosos central (SNC), definida como uma resposta anormal e inadequada do SNC aos estímulos periféricos, sendo a principal explicação fisiopatológica da fibromialgia.
Características
Segundo Árien, o principal sintoma da fibromialgia é a músculo esquelética generalizada (no corpo todo) e crônica manifestada por no mínimo três meses. Geralmente, o paciente relata uma dor muscular, mas é comum que exista dificuldade para definir um local exato para a dor, dizendo ser “nos ossos”, nas “juntas” ou “nas carnes”. “Além da dor espontânea, o paciente relata uma sensibilidade importante ao toque, podendo ser um simples carinho ou abraço pode desencadear a dor”, explicou a médica.
Intensidade da dor
A reumatologista explica, que no início a dor pode ser insidiosa e constante, mas também pode ser exacerbada mediante quadros emocionais, frio, mudança climática ou por esforço físico, sendo descrita pelo paciente com forte intensidade. “O caráter da dor também é bastante variável, o paciente pode relatar ser uma queimação, pontada, peso ou até descrições como “lancinante” e “insuportável” ao descrever”, disse.
Diferença de outras dores
Oldoni, exemplifica que dores resultadas de má postura e repetição dos movimentos, costumam ser desencadeadas pelo esforço físico e não significam necessariamente sintomas de fibromialgia. Além disso, lesões ocasionadas por esforço repetitivo podem ser visualizadas em exames de imagem e que quando feitos em pacientes com fibromialgia, mostram resultados normais ou não justificam o local, ou intensidade da dor relatada.
Mudança de protocolos
A profissional relata que os critérios antigos para o diagnóstico de fibromialgia, consideravam a contagem de pontos dolorosos, isso dificultava a identificação precoce da doença. A partir da atualização dos padrões para identificação, novos sinais e sintomas passam a ser considerados.
“Quando o paciente apresenta dor em um único ponto, mas apresenta outros sintomas associados, podemos suspeitar da fibromialgia e fazer o diagnóstico mesmo quando a dor não é generalizada”, descreve a médica. 
Os sintomas mais comuns que são associados a fadiga, bem como, cansaço ao fazer atividades, ter um sono que ao acordar a pessoa tem uma sensação de que não descansou, sintomas cognitivos de esquecimento e dificuldade de concentração, cefaleia, dores, cólicas abdominais ou diagnóstico de doença psiquiátrica, como a ansiedade, depressão, irritabilidade, angústia, tristeza e entre outros.
Exame 
Conforme Árien, a primeira consulta médica é estruturada em três etapas, sendo elas: anamnese, exame clínico e conduta.
Na anamnese, conforme as queixas relatadas pelo paciente, o médico entende o padrão da dor, locais atingidos, intensidade, fatores desencadeantes e outros sintomas associados, como fadiga, sono não reparador, sintomas cognitivos e sintomas de ansiedade e depressão.
Na segunda etapa da consulta médica, o exame clínico, avalia possíveis sinais associados à dor, como edema, calor, rubor, que poderiam estar relacionados a outras patologias. É realizado a digito pressão de pontos dolorosos, que incluem diversos pontos localizados pelo corpo que ao serem tocados reproduzem a dor do paciente. Também são realizadas manobras para avaliação da integridade articular, ligamentar, tendínea, análise postural e acometimento da coluna.
Após essa avaliação, o médico verifica exames complementares trazidos pelo paciente, solicita demais exames quando necessário para afastar diagnósticos diferenciais e fornece orientações sobre o diagnóstico e tratamento.
Fatores de risco
Em pacientes com histórico familiar da doença, a chance de desenvolvimento é a maior. Oldoni diz, que os sintomas costumam ter manifestação entre 25 e 65 anos e a idade média de 49 anos. A doença é comum em idosos, mas pode acometer crianças. 
“A fibromialgia tem maior prevalência em pessoas que tenham HIV, diabete, pacientes em hemodiálise e com psoríase. Também é mais prevalente em pacientes com doenças reumáticas autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, espondilite anquilosante e entre outros”, afirma a médica.
Conforme a médica, também existe a associação de depressão e ansiedade com fibromialgia, sendo ambos gatilhos significativos para ativar gatilhos para o surgimento de sintomas.  Além disso, pessoas que passaram por situações de abuso sexual na infância ou vida adulta, ou que sofreram algum trauma físico recente, também tem chances aumentadas de desenvolver fibromialgia.
Medicamentos
A reumatologista, informa que não existe um medicamento que previna a fibromialgia, mas que um estilo de vida saudável é uma maneira de reduzir a incidência, fazendo com que o paciente tenha uma qualidade de vida melhor. Dentre os hábitos indicados, estão:
-Diminuição do estresse;
-Pratica de atividades físicas;
-Limitação do consumo de álcool;
-Evitar o tabagismo;
-Ter uma alimentação equilibrada;
-Procurar ter horários definidos para dormir e acordar;
-Aumentar a ingestão de líquidos que hidratem o corpo;
Tratamento
A médica indica, que o tratamento para a fibromialgia precisa utilizar estratégias farmacológicas e não farmacológicas, numa abordagem multidisciplinar e com participação ativa do paciente, bem como, exercícios físicos, psicoterapias, abordagens não farmacológicas, como educação ao paciente, acupuntura, biofeedback, técnicas manipulativas, terapias alternativas complementares e para alívio da dor e a melhora de outras comorbidades associadas como depressão, ansiedade e insônia.

 

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