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Opinião

Transição energética planetária

“O grande desafio da humanidade”

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Roberto Ferron
Por Roberto Ferron - Engenheiro Florestal

Muito se ouve falar em “transição energética” com base na economia de baixo carbono. Está ocorrendo uma profunda transformação na matriz energética do planeta. A transição energética é uma mudança de paradigma que envolve não só a geração de energia, mas também o consumo e o reaproveitamento dela. Rapidamente, as matrizes energéticas poluentes, como combustíveis fósseis à base de carvão ou petróleo estão migrando para fontes de energia renováveis, como hidrelétricas, eólicas, solares e de biomassas. Este novo olhar da transição energética se estende para o meio ambiente, gestão de resíduos, eficiência energética, digitalização e outros meios necessários para que atinjamos o objetivo comum de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e as suas consequentes influências nas mudanças climáticas.

Estas mudanças também deverão ocorrer na estrutura social, econômica, política e cultural do país aderente, e pressupõe o reconhecimento de que é insustentável sob todos os aspectos continuar consumindo recursos naturais finitos na velocidade atual. Segundo o Fórum Econômico Mundial, impõe-se uma visão mais ampla e sistêmica em busca da máxima eficiência no aproveitamento dos recursos, com universalização do acesso e diversificação da matriz.

A Gerente de Meio Ambiente, Responsabilidade Social Corporativa e Transição Energética da ENGIE, Flávia Teixeira afirma que “a transição energética é muito mais uma tomada de consciência sobre o atual modelo de produção, consumo e reaproveitamento da matéria e energia, e sobre a influência disso nas mudanças climáticas. Precisamos refletir sobre a origem e a eficiência energética de toda a cadeia de valor dos produtos e serviços que cada um de nós, cidadãos, empresas e instituições consumimos, aí incluindo o pós-consumo”.

Conceito do termo: A transição ou transformação energética é o caminho necessário para a evolução da nova economia de baixo carbono. Transição pressupõe passagem ou evolução, de uma condição a outra. Quando se fala em transição energética, amplia-se o horizonte para um olhar mais amplo e sistêmico vislumbrando a sustentabilidade ambiental e social.

Eficiência energética: o termo remete à capacidade de conseguir o melhor rendimento, com menor uso de recursos e sem abdicar da qualidade. Empresas e governos devem buscar equipamentos mais eficientes, por exemplo, além de racionalizar o uso do solo e da água, acelerar a economia circular, otimizar a geração das usinas hidrelétricas, os sistemas de transmissão, entre outros.

Segundo o Banco Mundial, ainda existem 840 milhões de pessoas sem acesso à energia elétrica no mundo e é por isso que se fala em transição justa, pois ainda não é possível equilibrar o sistema e aumentar o acesso à energia somente com fontes renováveis em todos os casos.

Fontes renováveis de energia no Brasil: nossa matriz é bastante renovável. Boa parte das emissões no exterior vem da geração de energia, devido ao peso das fontes fósseis na matriz.  Entre as principais fontes de energia utilizadas no Brasil, as renováveis têm grande destaque, representando 50% da matriz energética nacional em 2022. Em termos de energia elétrica renovável, estamos ainda mais avançados, com cerca de 85% da nossa matriz de geração dentro desse espectro. Apesar da universalização da energia estar bem avançada, ainda temos populações isoladas que dependem de usinas termelétricas ou outras soluções locais.

De acordo com estudos da KPMG a “Transição Energética na América do Sul”, a região abordada está emergindo como líder na transição para energias sustentáveis. Nestes países, esses recursos possuem uma participação superior a 30% na matriz energética primária, e aproximadamente 70% na matriz de geração de eletricidade. Além disso, em países como Paraguai, Brasil, Uruguai e Colômbia, as fontes renováveis já respondem por, respectivamente, 100%, 78%, 70%, e 65% da capacidade instalada de geração de energia elétrica.

“Para aproveitar plenamente esse potencial, é crucial superar as barreiras atuais e aprimorar a infraestrutura, garantir a estabilidade financeira e lidar com as questões socioeconômicas para impulsionar ainda mais a transição energética. A falta de velocidade na implementação dos meios sustentáveis para a geração de eletricidade foi identificada como o desafio mais urgente para atingir as metas climáticas estabelecidas, segundo 82% do total de respondentes do estudo e 89% dos entrevistados sul-americanos”, constata Manuel Fernandes, sócio líder do setor de Energia e Recursos Naturais da KPMG na América do Sul.

O grande desafio reside na integração entre os setores produtivos e o poder público, na construção de políticas transversais que viabilizem a transição justa, conciliando a inovação tecnológica e atendendo as demandas sociais.

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