Com sintomas que podem surgir de maneira lenta e progressiva ou rapidamente no período de semanas, o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune com manifestação agressiva. O médico reumatologista, do Centro Hospitalar Santa Mônica de Erechim, Renato Smith Davoli, compartilhou em entrevista ao jornal Bom Dia, explicações sobre a doença e orientações que podem auxiliar a identificação dos sinais.
Incidência
Segundo o médico, o lúpus é uma doença sem causa exata, mas que tem incidência maior em mulheres, principalmente de origem afro-descendentes, essa proporção pode chegar a nove mulheres para cada um homem. Além disso, a manifestação tende a ocorrer dos 14 anos 24 anos, tendo potencial de ocorrer em pessoas fumantes, com certas infecções, com abalo emocional e predisposição genética. “Uma pessoa sem as características genéticas que esteja passando por um momento de abalo emocional não irá desenvolver o lúpus, mas para alguém com esse risco genético pode ser um gatilho para a manifestação da doença”, explica.
Sintomas
Renato ressalta que no campo da reumatologia, a identificação das doenças acontece por exclusão, sendo assim, é necessário elencar e excluir a possibilidade de outras doenças para ter um diagnóstico correto. Sendo assim, os sintomas do lúpus são diversos e podem variar com a fase de atividade da doença.
Dentre os sinais visíveis elencados pelo médico, estão inflamações na pele e nas juntas, aparecimento de aftas na boca e na língua com frequência, rash malar e fotossensibilidade. Já nos exames pode ser identificada anemia, diminuição da célula de defesa, diminuição das plaquetas, alteração no rim, urina com espuma, alteração na pele e no sangue e alterações no sistema nervoso. Além desses sintomas, é possível que o lúpus atinja o pulmão e o coração, ocasionando um derrame pulmonar ou um derrame pericárdico.
Renato exemplifica, que no sul existe uma doença chamada síndrome de raynaud, que durante o inverno as áreas das mãos ficam brancas ou arroxeadas. Esses sintomas também é presente no lúpus, mas não costuma ser frequente. “Pela semelhança, muitos pacientes chegam encaminhados com a suspeita de Raynoud, mas, na realidade estão com um caso de lúpus”, destaca.
O médico também descreve, que o rash malar, é um sintoma de lúpus que apresenta sinais avermelhados na bocheca e no nariz, descamação e tem semelhança a diversas espinhas no rosto, mas sem coçar. Ele costuma a ser confundido com a rosácea, uma doença dermatológica e costuma ser comum no Rio Grande do Sul. “Acontece que o paciente venha ao consultório pensando estar com sintomas de lúpus, mas na verdade está com uma manifestação de rosácea”, ressalta.
Além disso, Davoli, comenta que os pacientes com lúpus possuem fotossensibilidade, por vezes conhecida como uma alergia ao sol, ocasionando vermelhidão, coceira e descamação na pele. “Toda vez que essa pessoa com lúpus tem uma exposição ao sol sem uso de protetor solar, ela fica com a pele vermelha, coçando e descascando, podendo achar que está com uma queimadura de sol, mas, na verdade, a pele teve uma lesão desencadeada pelo lúpus. É possível notar em volta das maçãs do rosto, o nariz, a região do colo e os braços vermelhos, descascando e formando várias pintinhas vermelhas, parecidas com espinhas”.
Gravidez
O médico ressalta que pacientes com lúpus em atividade não podem engravidar, necessitando saber se possuem o anticorpo anti-Ro. Nesses casos de presença desse anticorpo, existe a chance do bebê nascer ou o perder por problema cardíaco. “Quando o lúpus está ativo e a mulher engravida, nós fazemos um ultrassom do coração do bebê intra-uterino durante toda a gestação, pois se algum problema for constatado, será necessário operar o bebê ainda dentro do útero para que ele possa nascer”, explica.
Além disso, Renato destaca que o lúpus pode provocar outra doença, chamada de síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, que causa abortamento de repetição e alteração nas plaquetas. “Quando eu recebo uma paciente com diagnóstico de lúpus e que já teve abortamento espontâneo mais de uma vez e já teve trombose, normalmente, ela vai ter uma doença associada”, disse.
O reumatólogo comenta que nesses casos são feitos exames de sangue para poder comprovar a suspeita. Neste sentido, é desenvolvido um tratamento para o lúpus e a síndrome. Quando o quadro for estabilizado e controlado, ela paciente poderá engravidar, desde que faça um acompanhamento médico. “Essa gravidez não pode ser de surpresa, nós precisamos acompanhar junto de um ginecologista até o momento do parto”, enfatiza.
Além disso, o médico finaliza destacando que durante a gestação todos os sintomas do lúpus melhoram e esse é o momento em que os médicos necessitam estar atentos para a paciente. “No período pós-gravidez, a doença costuma vir com tudo e precisamos estar acompanhando essa paciente”, diz.