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Opinião

Japão - Cruzeiro pelo Mar da China – Singapura - Emirados Árabes - Parte XXX

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Marlei Klein
Por Marlei Klein

Os beduínos são incentivados a preservar sua cultura, apesar do desenvolvimento do país. Mas a postura oficial dos Emirados Árabes recorda a todos a diretriz do falecido xeque Zayed Bin Sultan Al Nahyan, o fundador, de juntar o velho com o novo, de preservar a cultura beduína enquanto o país continua a se beneficiar de sua riqueza colossal.

Reminiscências

Voando de Singapura, pelo gigante A380 da Companhia Emirates, chegamos aos Emirados Árabes Unidos na moderna Dubai. Ela está estrategicamente bem localizada como polo turístico, comercial e de transportes. No Oriente Médio, ela faz a diferença onde, frequentemente, o petróleo permanece sendo a única fonte de recursos.

Conhecendo um pouco dos desertos

O deserto médio-oriental prolonga na Ásia o Saara africano. O militar escritor inglês Thomas Edward conhecido como Lawrence da Arábia diz que “os desertos são mares de dunas com horizontes vazios e hostis. As areias são limpas, pois a ausência quase total de água baniu dali a lama e também a vida. Ele descreve as areias como fornalhas diurnas – de 44 a 55 graus C - e de frios noturnos que solidificam a água, se ela existe. Altas extensões de pedreiras vulcânicas, cortantes como vidro ou esponjosas. Areias, que por turbilhões abruptos, arrancam do solo quantidades de poeira que vão até o céu. Gargantas vertiginosas se estendem a perder de vista. Penetrar por esses desertos é entrar em outro mundo. Mesmo a bordo de um veículo com ar-condicionado, é uma insensatez se aventurar sozinho por ali”.     

Heróis naturais do deserto

Os desertos médio-orientais são habitados por heróis anônimos, sem os quais os humanos não saberiam enfrentar o vazio. É o caso do Cacto – Sabra - de flores amarelas, com o exterior duro e cheio de espinhos, macio dentro e tendo em seu interior um delicioso suco. Ele salvou diversos sedentos, tornando-se um símbolo salvador. Os animais também têm seus heróis do deserto, sobretudo os camelídeos: o dromedário-com uma corcova e as qualidades de um cavalo - e o camelo – duas corcovas e muito rústico. Aparecem também a gazela selvagem, que vive entre arbustos e o Slughi, o cão fiel.  Ele, incansável, é excelente guia de rebanhos e bom caçador. De pelagem ruiva se confunde com as dunas. Suas presas saciaram, muitas vezes, a fome dos homens: com a lebre das areias – muito rápida – e um tipo de lagarto grande com espinhos que pode ser assado, em caso de necessidade.

O deserto não é somente uma camada de terrenos mortos

Lawrence da Arábia afirma “que as areias cobrem hidrocarbonetos, água fóssil e sais minerais altamente comercializados. Mas o deserto está entre os mais fecundos berços dos principais fundamentos de nossas civilizações. Ele é também o tabernáculo de alguns objetos religiosos primordiais da Humanidade. Estes podem ser os manuscritos bíblicos do Mar Morto, meteoritos históricos, deuses de pedra e descobertas de povos como caldeus e babilônios”. Atualmente, o deserto é parte importante no turismo local. Nele há ricas tendas e cabanas para turistas passarem a noite, climatizadas, e com jantar. Algumas dessas possuem até piscina individual.

Os países do “Ouro Negro”

Para muitos, o Oriente Médio se transformou em sinônimo de petróleo. A imagem de poços jorrando incessantemente o óleo natural invade a imaginação popular. Nesse caso, a realidade, com frequência, torna-se ficção, mas há ainda muito por acontecer.

Primeiras jazidas de petróleo

Este recurso natural, conhecido desde a Antiguidade por suas qualidades de combustível, foram descobertas no Iraque e no Irã em 1908. As perfurações foram realizadas por empresas britânicas, as primeiras a se instalar no Oriente Médio. Apenas em 1933, os americanos obtiveram autorização para, na Arábia Saudita, fazerem exploração. Ali só jorrou em março de 1938. A aventura começa. Em menos de trinta anos, os países, envolvidos na prospecção de petróleo, conhecem um desenvolvimento fulgurante.

A OPEP

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo - OPEP - é a mais poderosa organização criada pelos países exportadores. Exerce influência considerável sobre a evolução dos preços do barril de petróleo. Fundada em setembro de 1960, em Bagdá, por cinco países produtores: Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Irã e Venezuela. Um verdadeiro cartel com ação marcante na alta das cotações. Adotam uma política de alta de preços e controle das atividades petrolíferas baseada na nacionalização e na participação do capital das sociedades ocidentais. Mas o mundo ocidental espera ver seus fornecedores aumentarem a produção para o preço do barril baixar. A OPEP, sediada em Viena, reúne atualmente, além dos cinco países fundadores, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar, a Líbia, a Indonésia, a Nigéria e a Argélia. No Golfo Pérsico, os lençóis petrolíferos frequentemente estão na superfície. Assim, torres e perfurações não são necessárias.

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