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Opinião

Institucionalização do Arquivo Histórico (III)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto - Coordenador do Arquivo Histórico

A Arquivologia, como campo de estudo dedicado à gestão, preservação, organização e divulgação de arquivos evoluiu de acordo com as transformações sociais e políticas, possuindo diversas correntes teóricas e metodológicas que refletem diferentes abordagens sobre como os arquivos são entendidos, geridos e utilizados. Separo duas para análise:

Positivista ou Tradicional: Esta corrente enfatiza a importância dos documentos de arquivo como fontes de informação objetivas e fidedignas para a pesquisa, especialmente histórica. A ênfase está na acumulação e preservação de documentos que têm valor probatório e informativo.

Arquivística Contemporânea ou Nova Arquivística: Propõe uma visão mais ampla da função social dos arquivos e da arquivística. Além da preocupação com a preservação e a organização dos documentos, há um interesse em como eles contribuem para a prestação de contas das instituições, a cidadania e a memória coletiva. Examina questões de poder, identidade e memória, e como os arquivos podem servir tanto para perpetuar narrativas dominantes quanto para dar voz a comunidades marginalizadas.

Cada uma dessas correntes contribui com perspectivas valiosas para a compreensão e prática da Arquivologia, refletindo as mudanças sociais, tecnológicas e epistemológicas ao longo do tempo. A escolha de uma abordagem em detrimento de outra pode depender do contexto específico de trabalho, dos objetivos institucionais, ou das questões de pesquisa em arquivologia e ciência da informação.

Dito isto, pensar a gestão de um Arquivo Histórico é complexo, mesmo que muitos achem que não é. O processo de determinação da temporalidade dos documentos, por exemplo, envolve a elaboração e aplicação de tabelas de temporalidade, que são instrumentos de gestão arquivística desenvolvidos para estabelecer prazos de guarda nas fases corrente e intermediária, bem como critérios para sua transferência, recolhimento, eliminação ou permanência. Este processo é fundamental para a gestão eficiente dos documentos e para a preservação da memória institucional e cultural.

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