Os Sete Emirados Árabes fazem fronteira com a Arábia Saudita, Omã e o estratégico Golfo Pérsico. Situa-se sobre quase 10% das reservas mundiais de petróleo conhecidas. Os guindastes de obras marcam o céu sem nuvens. Há Porsches e Cadillacs Escalade por toda a parte. No luzidio Marina Mall, emiradenses vestidos com “dishdashas” tomam “maccchiato” de caramelo no Starbucks. Compram TVs de tela plana de 60 polegadas. Hoje, a simples ideia de emiradenses nômades cuidando de camelos no deserto parece absurda.
Reminiscências
Em menos de poucas décadas, os Emirados Árabes dominaram parte do árido deserto, se envolveram na prospecção de petróleo e conhecem um desenvolvimento fulgurante. Passam de uma organização feudal, com forte conotação tribal, a uma organização que dispõe de rendimentos suficientes para garantir uma redistribuição financeira a todas as camadas da sociedade.
Indústria petrolífera e a economia
Ela convoca importante mão-de-obra estrangeira para a construção civil, também para a exploração e manejo do “ouro negro”. Os estrangeiros são mais numerosos que os nativos. Alguns dos Emirados não conseguiram diversificar sua economia, permanecendo dependentes das flutuações das cotações do petróleo. Mas algumas conseguiram emergir, como Dubai e Bahrain, com as fundições de alumínio. A rentabilidade é grande pelo baixo custo da energia que utilizam. Apesar de sua riqueza, os Emirados têm dificuldades em estabelecer uma indústria leve e até uma economia de serviços.
Presença de militares estrangeiros
É maciça a presença militar estrangeira na região. Como os hidrocarbonetos são indispensáveis à economia mundial, muitos milhares de soldados americanos permanecem no Golfo, em Bahrain e na Arábia Saudita. As ricas e opulentas famílias reinantes das monarquias petroleiras têm medo, quase obsessivo, da desestabilização criada pelos regimes mais “progressistas” ou pelo menos por aqueles que são, do ponto de vista americano, um pouco mais independentes. O “ouro negro” está na origem de alguns conflitos que surgiram na região. Como exemplo, surgem acusações de que alguns países dos Emirados estariam realizando bombeamentos horizontais nas jazidas fronteiriças, roubando o petróleo.
Cidades do futuro
Alguns países dos Emirados não se beneficiam somente da riqueza petrolífera. Desenvolvem, atualmente, diversas atividades econômicas. Dubai serve de modelo nessa evolução. Na década de 1960, o xeique Al-Maktum, emir de Dubai, fez a seguinte declaração: “Vamos nos tornar a Hong Kong do Oriente Médio e, sobretudo, não depender exclusivamente do petróleo”. Quatro décadas depois, o velho príncipe pode se vangloriar de ter ganho a sua predição. A atividade mercantil se tornou a razão de viver do Emirado: ele recebe 80% de seus recursos com turismo, comércio e transporte, contra 20% obtidos com os hidrocarbonetos, cujas reservas não param de baixar. Sua Zona Franca se beneficia com uma das mais baixas taxas de impostos do mundo. Dubai é, de fato, a meca do comércio árabe.
A paixão por cavalos
Hoje, admite-se que os ancestrais do cavalo surgiram na América do Norte. Eles emigraram no início do período terciário para a China, depois para a Índia e, mais tarde, para o Oriente Médio, onde se adaptaram ao clima frio da Península Arábica. Nessa região, tornaram-se o tema preferido dos poetas. Foram montaria privilegiada dos guerreiros, que partiam para a conquista do mundo, após o nascimento do Islã. Em 732, após uma batalha, os cavalos “puro-sangue árabe” foram introduzidos na Europa. A raça ficou ameaçada de extinção, quando no século XVIII, os ingleses criaram o primeiro hipódromo gramado e importaram três garanhões orientais. Um trio que transmitiu a herança para todos os puros-sangues do mundo.
O xeique dos cavalos
O xeique Mohammed Ibn Rashid al-Maktum, sucessor da corte de Dubai, junto com a sua família, os Maktum, possui os mais belos e mais e mais caros garanhões do planeta – 6.000 cavalos. Seus investimentos hípicos estão avaliados em cerca de três bilhões de dólares. Tudo começou na década de 1980, quando ele comprou, nos Estados Unidos, por dez milhões de dólares um puro-sangue de um ano e meio de idade e ainda sem treinamento. O xeique tinha a ambição de criar, nos Emirados Árabes, cavalariças que viessem rivalizar com as instalações norte-americanas.
Mohammed passou então a percorrer o mercado mundial. Comprou dez haras na Inglaterra, na Irlanda e em Deauville, na França. Adquiriu 593 cavalos de mais ou menos um ano de idade em países do outro lado do Atlântico. Investiu cerca de 300 milhões de dólares e contratou os melhores profissionais ingleses e franceses para treiná-los. Pouco depois, seus cavalos de corrida começaram a ganhar as principais competições mundiais.
Conclusão
Para montar um puro-sangue é preciso ser muito experiente. Este cavalo é de tamanho pequeno de – 1,48m a 1,56m. Tem pelagem amarelo-avermelhada, castanha ou cinza. Forte e muito cativante, o cavalo árabe é criado como raça pura. No inverno, o xeique transfere seus cavalos da Europa para os Emirados Árabes, onde construiu um complexo hípico de um refinamento digno das fábulas das “Mil e uma noites”. Os animais ficam alojados em um palácio com ar-condicionado e piscina. Dormem sobre uma folhagem de pinheiros importada da Finlândia.