Os escritores sempre colocaram a vida dos beduínos, nos desertos da Arábia, como muito difíceis, austeras e nobres. Realmente eram. Foram criados modos de sobrevivência num dos climas mais rigorosos do planeta. “ Tudo o que há de melhor nos árabes”, escreveu Thesiger, “veio-lhes do deserto”. Isso conseguiram, quando encontraram petróleo. Cidades ficaram ricas e modernizadas.
Reminiscências
Os Emirados Árabes Unidos são sete pequenos emirados que o compõem. O maior é Dubai e a capital é Abu Dhabi. Enriqueceram com a exploração do petróleo, mas em Dubai as jazidas foram rareando e outros rumos da economia foram tomados. Além do “ouro negro” ainda existir em escala menor em Dubai, prospectaram para o turismo, o comércio e o transporte.
Emirados Árabes Unidos- Dubai
Era uma pequena vila de pescadores e de beduínos do deserto. Sua modernidade surgiu numa região árida nas areias, quase infinitas. Dubai se impõe internacionalmente como entroncamento comercial regional, quanto como polo turístico privilegiado. Ele se diferencia, pois no Oriente Médio, o petróleo permanece sendo grande fonte de recursos.
Dubai- Zona Franca
Ela se beneficia, pois possui uma das mais baixas taxas de impostos do mundo como a meca do comércio árabe. Maomé já estimulava o comércio. Desde a Antiguidade, a região sempre foi importante centro mercantil, onde chegavam e eram trocados produtos como especiarias, ouro, âmbar, café, pérolas e tantas outras riquezas. Atualmente, Dubai retoma o vínculo com o passado. O mercado isento de taxas e impostos atrai milhares de visitantes vindos do mundo inteiro a cada ano. Eles compram, sobretudo, produtos eletrônicos importados do Japão.
Logística de Dubai
Incessantemente renovado, seu grande porto figura como dos maiores centros logísticos internacionais para contêineres. Com um aeroporto, em constante desenvolvimento, onde a Dubbay Village Cargo garante trânsito diário de milhares de toneladas de mercadorias. Apenas 20% de todos os bens que chegam dos quatro cantos do planeta se destinam ao Emirado. O restante é reexportado para o mundo inteiro. Ancorados no braço de mar, que corta a cidade em duas partes, e com o porões carregados de aparelhos eletrônicos ou produtos alimentícios, há também apoio ao contrabando. Pequenos barcos árabes esperam a noite para partir discretamente.
Cidade da Internet
Em função do importante poder de compra da região, muitas zonas francas acolhem os centros de produção dos maiores nomes da economia mundial. O lema é investir para desenvolver a infra-estrutura e atrair o maior número de empresas estrangeiras. Um dos projetos mais excêntricos foi a Cidade da Internet: um gigantesco programa de construção de habitações dotadas de todas as conexões imagináveis.
Projeto da Westside Marina
Considerada a primeira zona de livre-comércio pela Internet do mundo. Com o custo de 4,4 bilhões de dólares, ela é um porto de lazer, de imóveis residenciais, de centros comerciais do tipo americano, de hotéis e campos de golfe.
Dubai e a Modernidade
Dubai resguarda um clima de tolerância: assim, as mulheres têm o direito de dirigir. As mais ricas podem ter avião com piloto particular, o uso do “hidjab”- véu que encobre o rosto – não é imposto a elas. O consumo do álcool é permitido nos hotéis, mesmo entre os muçulmanos. As praias são mistas – aqui entra o fator turismo –. No litoral, maravilhosos complexos surgem em meio do deserto bem ao gosto das operadoras ocidentais mais exigentes. Com piscinas luxuosas e banheiros com torneiras folheadas a ouro, alguns estabelecimentos atraem, a cada ano, um número cada vez maior de turistas, principalmente ingleses e franceses. O petróleo permite oferecerem telefones públicos folheados a ouro. O porto de Sharjah, entre Dubai e Ajman, é um dos mais ativos do Golfo, graças ao comércio, aos estaleiros e à pesca.
A Corrida Dubai World Cup
A paixão por cavalos levou à organização da célebre Dubai World Cup – uma corrida anual que paga os maiores prêmios do planeta, num total de 4 milhões de dólares. Ela reúne os melhores cavalos do mundo e é acompanhada por um bilhão de telespectadores. Mesmo depois da corrida, os turfistas são ricamente compensados. Como as apostas são proibidas por motivos religiosos, os jogadores perspicazes ganham automóveis Rolls-Royce e lingotes de ouro, sem nenhum registro.
Conclusão
O “puro-sangue árabe” –cavalo- foi salvo da extinção graças aos haras ingleses. Resistente, forte e muito cativante, o cavalo árabe é criado como raça pura por um pequeno número de aficionados. Ainda pouco utilizado no cenário esportivo – embora demonstre aptidão para o adestramento e para o salto de obstáculos –, ele é bastante empregado na equitação de lazer e em provas de resistência.
Nas escavações realizadas, não existem indícios da presença do cavalo na Arábia, na pré-história. Hoje, admite-se que os seus ancestrais surgiram na América do Norte. Depois, emigraram para a China e, mais tarde, para o Oriente Médio.