A abelha é um inseto social milenar que testemunhou a trajetória humana na Terra. No ano 558 a.C. já existia apicultura em Atenas. O sábio filósofo Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) relatou os costumes das abelhas em seu manuscrito, hoje na biblioteca de Ruão (Encicl. Univ.). Romanos também cultivaram abelhas.
Povos primitivos do Egito criavam abelhas em potes de barro. Todos os povos queriam o mesmo: obter delas o precioso mel. Já no Brasil a criação de abelhas existe desde os tempos coloniais.
Mais tarde, na década de 1950, traz um acidente experimental, houve uma invasão de abelhas africanas por aqui que causou pânico entre os criadores. Essas abelhas, muito ferozes, atacavam homens e animais e foram chamadas de "assassinas".
O cientista brasileiro Warwick Estevam Kerr havia estudado produção de mel na África em 1956, e de lá trouxe dezenas de abelhas rainhas, as quais foram colocadas num viveiro em São Paulo. Aconteceu que um funcionário distraído retirou as malhas protetoras de algumas colmeias, e as rainhas escaparam, cruzaram com as abelhas europeias e deram origem a enxames africanizados, que em alguns anos espalharam-se pelo Brasil e hoje estão em toda a América.
Foi um verdadeiro caos ou, dependendo do ponto de vista, uma revolução na apicultura porque houve mestiçagens a partir daquele momento com as abelhas mansas europeias então presentes no Brasil, as Apis mellifera, trazidas de Portugal pelo padre Antonio Carneiro em 1839, mas que não vinham se adaptando bem ao clima tropical.
A abelha mansa, então, praticamente desapareceu, prevalecendo a africanizada em nosso cenário apícola. O resultado é que, segundo o grau de pureza dos enxames, cada um se comporta de forma mais ou menos feroz. Há variações também em termos produtivos. As abelhas africanizadas produzem mais e são mais resistentes a enfermidades.