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Opinião

O céu e o inferno, ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo (Parte IV)

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Por União Municipal Espírita (Erechim)

Céu como estado de consciência

Somos espíritos criados simples (no sentido da inexperiência) e ignorantes (no sentido do saber) mas dotados de capacidade para tudo adquirir e progredir.

Através no nosso livre-arbítrio, e das sucessivas existências, adquire-se “...conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e, por conseguinte, novos gozos desconhecidos dos Espíritos inferiores; eles veem, ouvem, sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem nem vem, nem sentir, nem compreender”. (KARDEC Allan. Trad. Evandro Noleto Bezerra. O Céu e o Inferno. Primeira Parte, Cap. III, item 6)

Não é, portanto, em uma única existência (reencarnação) que alcançaremos a perfeição.

 

Inferno como tortura física

As religiões, de uma maneira geral, adotaram a ideia de penas futuras pela imagem do inferno criada nas culturas pagãs.

O castigo para aqueles que praticassem o mal era descrito como eterno, onde o fogo material é a base dos tormentos, por ser, diz Kardec, “...o símbolo dos mais cruéis sofrimentos”.

A cultura pagã ao se referir às zonas infernais é apresentada menos injusta, comparativamente à cultura cristã.

Se na primeira havia suplícios individuais; na cultura cristã, “...têm para todos, sem distinção, caldeiras ferventes, cujos tampos os anjos levantam para ver as contorções dos condenados; e Deus, sem a menor piedade, a lhes ouvir os gemidos por toda a eternidade! Jamais os pagãos figuraram os habitantes dos Campos Elíseos deleitando a vista nos suplícios do Tártaro”. (KARDEC, Allan, O Céu e o Inferno, Primeira Parte, Cap. IV, item 3)

Quando o Cristo “desceu aos infernos”, dirigiu-se aos lugares baixos para resgate daqueles que lá se encontravam e que aguardavam sua vinda para, de lá os retirar.

O Espiritismo, afirma Kardec, “...não vem, pois, negar as penas futuras; vem, ao contrário, confirmá-las. O que ele destrói é o inferno localizado com as suas fornalhas e penas irremissíveis.” (KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno, Primeira Parte, Cap. V, item 8)

O Espiritismo nos esclarece que:

O inferno, pois, está por toda parte onde haja almas sofredoras, do mesmo modo que o céu está por toda parte onde haja almas felizes.” (KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno, Primeira Parte, Cap. VII, item 5º)

E por fim, deixamos ao leitor a curiosidade de desvendar essa valiosa obra da Filosofia Espiritualista, assentada sobre o tríplice aspecto: a religião, a filosofia e a ciência.

(Próximo tema: O Livro dos Espíritos – Parte I)

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