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Cultura

Memorial homenageia tragédia na barragem da Corsan

Obra está sendo construída próximo à Praça Prefeito Jayme Lago e deve ser concluída até final de abril

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Tubos que simbolizam lápis de escrever em processo de alinhamento
Projeção gráfica do projeto
Por Vivian Mattos
Foto Vivian Mattos

Há quase 20 anos, nas comunidades conhecidas como km 7 e km 10, 16 estudantes e uma monitora morreram em um acidente com ônibus escolar que caiu na barragem da Corsan no município de Erechim, em 2004. 


Memorial
Para recordar as vidas perdidas, um Memorial está sendo construído para marcar o acontecimento para as futuras gerações. Com definição do local para execução próximo à Praça Jayme Lago e à agência do Sicredi, a obra iniciou na última semana com o processo de concretagem do primeiro lápis, que representa a monitora vitimada no acidente. 
Após aguardar o período de cura do concreto, nesta última quarta-feira, 27, o artista plástico responsável pela execução do projeto, Harrysson Testa, continuou com o alinhamento do restante dos tubos em formato de lápis que compõem o projeto e simbolizam os estudantes que perderam a vida.  
A partir disso, será feita a concretagem, colocação dos tubos e por último, a instalação do anjo que integra a obra. Segundo Harrysson, o objetivo é que o Memorial seja entregue no início de abril. 


O projeto
Conforme o artista, o Memorial terá um apelo afetivo e de sensibilização. Serão 17 lápis, sendo o mais alto a representação da monitora com cinco metros de altura, e os demais vêm diminuindo de tamanho, pois representam as crianças. 
“São oito de cada lado, pois eles estavam indo para a escola. Será em forma de cátedra, com cubos de lego em metal, uma pilha de livros e um livro aberto que contará com os nomes dos 17 e uma mensagem representando o mesmo. Para finalizar, a figura de um anjo de dois metros e meio todo em aço inox”, explica. 
O artista relembra que na época do acidente foi construído um monumento junto à estrada da barragem, mas pela distância ficou no esquecimento. “Ele não é um monumento, ele será um memorial, justamente para mantermos na memória. Não adianta colocar algo no local do acidente, onde não é visto e lembrado. As pessoas precisam olhar, lembrar e ter ciência de que aquilo não pode acontecer novamente”, ressalta. 


Surgimento
Testa lembra que a motivação para a realização do Memorial surgiu da indagação do vereador Claudemir de Araújo que, procurado por alguns pais das crianças de morreram no acidente lamentaram que seus filhos haviam caído no esquecimento, ou seja, as pessoas não sabem, na realidade, quem estava na tragédia, se tentou salvar alguém ou não, ou se não morreu tentando tirar um colega naquele momento. “São questões que ficam no questionamento dos pais e que nunca iremos saber. Daí a necessidade de contemplar a maioria”.
Na oportunidade, Araújo teria questionado o que poderia ser feito para que isto se tornasse realidade. “De prontidão, coloquei que nada mais justo que a construção de um Memorial, não um monumento”. Desta forma, Testa foi intimado a realizar um projeto que foi pensado e colocado no papel e entregue ao vereador. 
“A aprovação foi de imediato, mas ocorreu perto das eleições, portanto foi adiada para que as pessoas não tivessem a impressão de que fosse uma obra de eleição. No entanto, estava um pouco difícil para conseguir a verba, mas após o vereador ter entrado em contato com o atual presidente da Casa Legislativa, Sérgio Alves Bento, que repassou para os demais vereadores se chegou no consenso, mediante Emendas Impositivas da Câmara de Vereadores para a sua realização, ou seja, o projeto é da Casa, com iniciativa do vereador Araújo. O repasse de recursos será para a Secretaria Municipal de Cultura e Esportes que fará a gerência deste até a sua instalação”, garante.


Definição no local 
A definição do local, ressalta o artista, foi uma discussão da qual ele não fez parte, mas sim entre os 17 vereadores da Casa que optaram pelo Largo próximo a Praça Jayme Lago e a agência do Sicredi. “O mesmo não deveria ficar em um local de difícil acesso, como o local do acidente, mas sim em um ponto em que fosse visualizado pela população para justamente lembrar das crianças vítimas daquele acidente”, disse.


O acidente
Na amanhã chuvosa de 22 de setembro de 2004, o condutor do ônibus escolar que fazia a rota 31, levando 30 alunos e uma monitora, perdeu o controle do veículo ao passar pela estreita estrada de chão que corta a barragem da Corsan no Povoado Argenta. O veículo tombou e afundou no lago, vitimando 16 estudantes e uma monitora. Outros 15 passageiros e o motorista sobreviveram. 

 

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