A Semana Santa, período em que os cristãos ao redor do mundo refletem e dedicam devoção a Jesus Cristo, o Filho de Deus, está entre os momentos mais significativos do calendário religioso. Amanhã, considerada a Sexta-Feira Santa, a data relembra a crucificação e morte do Messias.
Espetáculo
Neste contexto, amanhã, 29, o Grupo de Teatro Popular Geração Arte e a Comunidade São Vicente de Paula apresentarão às 9h, na Rua Pernambuco, Bairro São Vicente de Paula, em Erechim, uma encenação aberta ao público da Paixão e Morte de Cristo. Através da recriação dos eventos bíblicos que culminaram na crucificação de Jesus, o Filho de Deus, o grupo busca transmitir a mensagem central da fé cristã.
Este ano, um diferencial da apresentação será a tradução simultânea do espetáculo pelas intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), Aline Teles e Veranice Galli. “A acessibilidade e inclusão é uma das coisas que precisamos difundir cada vez mais em sociedade. Quando falamos em Jesus, estamos pronunciando alguém que pensava de forma indistinta, então, vai ser muito gratificante possibilitar a comunidade surda de estar inserida nesse contexto”, ressalta Aline Teles.
Tradição
Em 1980, o Bairro São Vicente de Paula, em Erechim, recebeu a presença das Irmãs Franciscanas de Maria Auxiliadora. Iniciando um trabalho junto às famílias locais, elas implementaram um plano de evangelização e catequese, destacando a importância da celebração dominical e da promoção humana, com foco especial na valorização da mulher.
A partir disso, as Irmãs Franciscanas de Maria Auxiliadora e o padre Anacleto Ortigara, engajados com a comunidade, deram início a atividades ligadas à Procissão da Semana Santa e incentivaram os moradores a explorarem recursos teatrais para representar a Paixão e Morte de Jesus Cristo.
Com recursos modestos, como trajes feitos de saco de estopa e espada de papelão, a representação da história bíblica começou e perdura há mais de 40 anos ao envolver moradores, amigos e familiares de várias gerações.
O grupo
Para conhecer mais sobre o grupo, o jornal Bom Dia, acompanhou o ensaio na última quarta-feira, 27, vésperas da apresentação e conversou com alguns integrantes do grupo que envolve mais de 50 pessoas no espetáculo.
Desde o início
O participante, Inerio Rosset, 72 anos, iniciou seu envolvimento junto das Franciscanas de Maria Auxiliadora e do padre Anacleto Ortigara, estando presente e envolvido no espetáculo interpretando o apóstolo, Pedro, há 40 anos.
“É ótimo estarmos envolvidos, pois é uma encenação religiosa e que eu faço desde criança. A minha mãe me ensinava a ir na igreja, eu segui, continuo pelo amor a religião e fui passando para os meus filhos”, diz Inerio.
Dos pais para os filhos
Incentivado pelos pais, Joemir Rosset e Inerio Rosset, há mais 30 anos que Rogério Rodrigo Rosset, 41 anos, participa da apresentação. Atualmente, ele interpreta Jesus, mas desde seus 7 anos já passou por diversos personagens.
“O incentivo vem da família, agora nós vamos trazendo os nossos filhos.
Praticamente já fiz todos os personagens da peça, já fui apóstolo, ladrão, Pilatos, Caifás, Soldado e agora, fazem 14 anos que interpeto Jesus”, compartilha Rogério.
Lembrança da infância
Já Daniele Skowronski, 37 anos, que participa ativamente na Igreja Católica, estará estreando no espetáculo e contribuindo com sua voz nas músicas da apresentação. “Eu via as apresentações desde pequena, sempre achei linda a encenação que eles fazem e a partir do convite da comunidade estarei participando nesse ano”, explica Daniele.
Oportunidade
A integrante, Neide Santa Catarina, 62 anos, começou a participar do grupo no ano anterior, mas sempre teve vontade de integrar a apresentação. “Faz 30 anos que atuo na comunidade, comecei ano passado na apresentação, está sendo uma experiência emocionante”, diz Neide.
Envolvimento contínuo
Com envolvimento na Catequese da Capela e Equipes de Liturgia, há 10 anos, Aclai Callegari, 66 anos, está envolvida na apresentação. “Iniciei como narradora e hoje, faz três anos que faço o papel de Maria, mãe de Jesus, me sinto bem participando das atividades”, compartilha Aclai.
Comprometimento
Para Vitória Teixeira, 73 anos, o envolvimento com um grupo de teatro e a comunidade é algo satisfatório. “Já fazem uns 12 anos que eu participo, é sempre ótimo me envolver, tenho uma adoração especial por esse teatro e pelo que fazemos aqui”, ressalta Vitória.
Desde a adolescência
Com atuação desde a adolescência, Marcelo Zonatto, 37 anos, continuou atuando por gostar do envolvimento com a equipe. “Iniciei aos 12 anos, sempre participei, pois o grupo é muito bom e desde então, sempre estive envolvido nas atividades”, conta Marcelo.
Novas gerações
A dupla de jovens, Nicole M. Rosset, 12 anos e Natalia Valentina Souza Racoski, 13 anos, contam com o histórico familiar de envolvimento no espetáculo e estarão atuando na apresentação. “Recebi o convite de uma amiga, já acompanhava a Procissão com a minha mãe e gostei da oportunidade em estar participando”, explica Natalia.