Mesmo sem dar-nos conta, muitas vezes ao nos determos para analisar certos fatos, percebemos que há um liame a nos unir ao todo.
Ofereço um pequeno exemplo, o qual me empurrou de um dado a outro, a mais outro, abriu a caixinha de minha memória, fazendo-me percorrer um sem fim de acontecimentos.
Foi ao ler um inteligente texto do amigo José Adelar Ody, abordando sua dúvida em usar ao não seu bigode, que me vi unida a inúmeros bigodes que em tempos anteriores me fizeram analisá-los e até pesquisá-los.
O mais importante bigode foi o respeitável e sempre presente, de Pai Anacleto, que lhe dava um ar sóbrio, confiável e que completava sua elegância quando vestia aos domingos, ou em aniversários, terno, gravata e chapéu.
Meu “nono” Garcez também portava seu senhorial bigode. Ambos viveram em tempos onde um fio de bigode valia mais que notas promissórias, ou qualquer documento. Tempos limpos, de honra e de: “lhe dou minha palavra”!
O termo bigode me fez voltar às várias vezes em que andei pelo Brasil nas férias de julho, época em que o mapa era percorrido, mês a mês, a cada ano, indo-se até Belém. Nas várias paradas em Pernambuco, sempre visitava seus museus e igrejas. Foi em Recife que ainda jovem conheci uma inusitada caneca. Além de sua alça ela possuía o formato de bigode. Ali soube que os enormes bigodes usados em determinada época, eram socorridos pelo formato da caneca, impedindo assim que ficassem sujos de café ou bebidas. Aprendizado!
Mais adiante aprendi que tais canecas impediam (não muito) que o rapé caísse direto na boca ou bebida. Outro aprendizado: pesquisar o tal rapé.
De bigode em bigode sou levada pelas lembranças ao Zócalo, grande praça monumental onde existia o palácio do Imperador Montezuma, que foi destruído pelo conquistador espanhol Hernán Cortez.
Hoje, ali está a casa de Cortez construída com as pedras do palácio do imperador Asteca. Foi iniciada em 1562, e serve como sede governamental. Foi neste histórico local que conheci obras do gigante artista Diego de Rivera e seu monumental “Mural”, que são vários, no primeiro andar e varandas do prédio. Mais aprendizado, pesquisar Rivera e sua obra. Entretanto, um bigode desconhecido me cutucou ali no México. Uma das quatro esposas de Diego, contou-me o guia, tinha buço, mas foi o grande amor do muralista. Mais pesquisas e mais aprendizado.
Frida Kalo, apesar do seu hirsuto bigode, foi uma fantástica mulher e mereceu ser muito amada.
Há bigodes famosos, igualmente na História do Brasil e, na época em que o descobri, eu nunca havia sido apresentada a ele.
Na primeira visita ao Palácio de Queluz, encantei-me com o quarto da espanhola Carlota Joaquina que foi levada ainda garotinha para Portugal. Nasceu ela no Palácio de Aranjuez em 1775. Filha de Carlos IV e Maria Luiza de Parma.
Prometida a D. João VI, residiu em Queluz até a consolidação de seu matrimônio. Seu quarto todo decorado pelos cristais rosas de Murano, suas bonecas, sua cadeirinha, tudo levava a pensar em beleza e alegrias. Mas, não foi. Diz a história.
Perguntei à simpática guia se era verdade ser Carlota portadora de vasto bigode. Resposta “Se tinha bigode, os biógrafos rasparam um pouco. Mas, que era feia, era feia”.
Mais curiosidade, mais pesquisas, mais aprendizado.
O bigode do meu amigo José Adelar, me levou em longo lembrar do que aprendi com esse enfeite masculino. Masculino???