Continuando no assunto: por que alguns municípios prosperam?
Discorri sobre prefeitos que “empreendem e inovam” em suas gestões, levando seus municípios a prosperar. Como é o caso de Ponte Preta, Barra do Rio Azul e Centenário. Lembrei do prefeito de Nova Roma, que junto com as forças vivas do município construíram a ponte destruída pela enxurrada em tempo recorde e a um custo três vezes menor, deixando o “Governo Estadual numa saia justa de incompetência frente aquela desgraça”.
Este prosperar é como uma onda positiva, pois mexe com as forças vivas, com o empresariado, as entidades e instituições locais. Ilustrativamente, seria como uma “onda forte” que de vez em quando aparece nos municípios!
Numa região próxima temos quatro municípios que na década de 50 eram semelhantes em quase tudo, Erechim, Passo Fundo, Carazinho e Chapeco-SC. Todos tidos como polos regionais. Na época a base econômica, industrial, comercial eram semelhantes, além da parte social, como formação étnica e do número de habitantes. Naquele tempo, estes municípios pujantes tinham aeroporto, linha férrea, cinemas, alguns com teatros, museus. A vida social era intensa.
Em 1992 vim trabalhar na Cooperativa Tritícola Erechim Ltda, e coincidentemente presenciei lá no refeitório da Cotrel, uma fala dos candidatos a prefeito e vice de Erechim da época, o “Jacaré” e o Zanela (o advogado). Na ocasião, o Zanela fez um comparativo entre Erechim e Carazinho, dizendo o mesmo que descrevi acima, “que passados 20 anos tudo começou a mudar, Carazinho foi ficando para traz, e Erechim teria se desenvolvido mais, devido a própria cooperativa que tinha muitas filiais na região (eram 18), dois frigoríficos, e diversas empresas locais e de bom porte no recente distrito industrial, e uma Universidade Regional. Em contrapartida, Carazinho havia estagnado, o frigorifico local havia fechado, as duas empresas de porte que fabricavam implementos agrícolas quebraram, não havia distrito industrial e nem uma universidade”.
Da mesma forma o município de Passo Fundo. Lá fechou a Cervejaria Brahma, os frigoríficos, e outras indústrias. Mas, surgiu a Universidade de Passo Fundo, e o Hospital São Vicente de Paula se tornou referência estadual, transformando a cidade num polo de saúde. Economicamente o município estagnou.
Entretanto, Chapecó despontava também como polo regional, com a instalação do Frigorifico da Sadia, que fomentou a criação de muitas outras industrias para atender sua demanda, seja na parte industrial, e na parte agrícola pela expansão da suinocultura e avicultura.
Com o passar dos anos o município de Erechim se fortaleceu regionalmente, pois praticamente toda a produção agrícola e pecuária da grande região da AMAU, vinha a ser industrializada na cidade de Erechim. Aquelas empresas familiares que se instalaram no “novo distrito industrial”, como Comil, Intecnial, a Boavistense (fábrica de balas), entre outras (que já não existem mais) evoluíram, cresceram, gerando postos de trabalho, renda e impostos.
A partir de 2010, nova mudança no cenário destes municípios. Carazinho estagnou e não conseguiu mais evoluir industrialmente, mantem a agricultura e pecuária primaria, sem a transformação local desta produção. Sua população diminuiu, pois muitos migraram em busca de novos horizontes.
E Chapecó, nem se fala, explodiu, cresceu, se desenvolveu, graças à industrialização de sua produção primaria (grãos, suinocultura, avicultura), as cooperativas se fortaleceram, como a Alfa, e a Central Aurora, o novo aeroporto que hoje é referência para o sul do Brasil, boas universidades. O povo passou a empreender, acreditar na sua capacidade de transformação industrial e social.
Da mesma forma, Passo Fundo passa a se industrializar com a vinda da ITALAC, AMBEV, MANITOWOC, e a instalação da BSBIOS (fabricante de biodiesel), o que gerou grande impacto na economia local, com geração de centenas de empregos, aumento da renda per capita, e impostos. Este novo surto de desenvolvimento foi graças ao Secretário do Desenvolvimento Econômico Marcos Alexandre Cittolin, um visionário que tinha como meta, trazer novas indústrias para o município, pois sabia que para voltar a se desenvolver economicamente precisava convencer a vinda delas ao município. Dados do IBGE de 2020, mostram que Passo Fundo ocupa a 6ª colocação no ranking das melhores economias do RS, com PIB de R$ 12,55 bilhões, representando 2,16%. E renda per capita de R$ 60.905,63. Com esta evolução e de outros municípios, em 2023 a região de Passo Fundo passou a ser a segunda maior economia do Estados, com participação de 13,98% da economia estadual, superando a região da Serra Gaúcha. Um grande feito!
E o nosso município de Erechim e região, como anda economicamente e socialmente?