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Opinião

Passeios guiados

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Por Henrique Trizoto -Coordenador do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font

Ao longo deste mês estamos abordando as atividades desenvolvidas no Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font referentes a história de Erechim que fazem parte da programação de aniversário da cidade. Dentre elas, as propostas, temos os passeios guiadas pelo centro histórico da cidade. Com um intuito de despertar nos envolvidos o cuidado com o patrimônio histórico e a consciência histórica, temas já debatidos individualmente nesta coluna.

 “O passeio a pé é a forma mais natural de flanar, porque depende inteiramente de nós e nos deixa totalmente entregues a nós próprios. Passeando a pé, encontramo-nos inteiramente livres para observar as coisas como bem nos aprouver, com total tranquilidade de alma; podemos conciliar o movimento do corpo com as exigências do espírito e, quando quisermos que a observação aumente em um instante para uma visão de conjunto, basta um ligeiro deslocamento do corpo para abarcar todo o horizonte. ” (SCHELLE, 2001, p. 69).

Ao, percorrer espaços que fazem parte do nosso cotidiano, como a Prefeitura Municipal, a Praça da Bandeira, Prédio da Comissão de Terras (Castelinho), Monumento ao Colono, prédios em Art Déco e Art Nouveau, o monumento ao Vendedor de Jornais, Praça Júlio de Castilhos, Monumento ao Centenário, Tanque de Guerra e Busto do Tiradentes, encontrados ao longo da Avenida Maurício Cardoso, com um olhar crítico, nos permite observá-los enquanto exemplos que reforçam o discurso constitutivo da identidade local. Cada qual com um significado, representando grupos sociais, fatos, períodos históricos e a história propriamente dita de Erechim.

Kahtouni, et. al, (2006, p. 209-210) apontam que “a cidade está impregnada de histórias, de símbolos, de vida a serem descobertos, para que as nossas possibilidades de interferir através de planos e projetos possam incorporar essa vitalidade e criar propostas que favoreçam as relações, a diversidade e as tipologias locais, colaborando para incentivar a valorização do espaço público”.

Assim, cada caminhada possibilita uma infinidade de interpretações sobre um mesmo objeto, devido as subjetividades de cada um dos envolvidos, ou seja, experenciam cada trecho a partir de suas vivências. Buscando, ainda, entender que a cidade é uma criação social de seres humanos para seres humanos, que apresenta diversas temporalidades, cujos objetos (monumentos, planejamento urbano, largura das ruas, organização das praças, arquitetura, prédios históricos e parque) estão dispostos de acordo com as necessidades dos grupos sociais que “ditam” o modelo a ser seguido em determinado período.

 

Referências

KAHTOUNI, S; et al (Org.). Discutindo a paisagem. São Carlos, SP: Rima, 2006. 239 p.

SCHELLE, Karl Gottlob. A arte de passear. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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