“Acesso rodoviário é fundamental para o desenvolvimento regional”
Como dito na última matéria, nossa região ainda se encontra no tempo “da pedra lascada”, embora estejamos na era da internet, da inteligência artificial, dos aviões hipersónicos etc.
Lembro do tempo (década de 90) em que a COTREL implantou os novos projetos de fruticultura, alcachofra e bovinocultura de leite. Muitas comunidades e municípios da região do Alto Uruguai não tinham condições de ingressar nestas atividades por terem vias de acesso muito ruins, estradas do interior dos municípios e estradas vicinais em péssimas condições de trafegabilidade, muito distantes das vias asfaltadas, centenas de municípios sem ligação asfáltica. Senão me engano, eram 26 dos 32 municípios da região da AMAU.
Também lembro, de uma matéria publicada no Jornal Diário da Manhã que dizia: “Erechim, município de uma estrada só”, onde fazia uma análise de porquê Erechim estava ficando para traz em desenvolvimento econômico, tecnológico e social com relação as regiões de Chapecó, Concórdia e Campos Novos em SC. Justamente, porque houve um grande erro de planejamento estratégico, pois não havia interligação asfáltica das micros regiões da maioria dos munícipios do entorno com a referência regional – Erechim. Por exemplo, a microrregião de Maximiliano de Almeida acabou tendo seu comercio agrícola, serviços, e até de conhecimento – universidade, com a região de Campos Novos em Santa Catarina. E pasmem, até hoje não vi o planejamento para interligar esta região com Erechim via Marcelino Ramos. Há um trecho acesso de 28 km de Pinhalzinho-Marcelino Ramos até Maximiliano, de péssimo qualidade, com fosse no tempo das mulas, da idade da pedra lascada. Outro exemplo, era a interligação de Paim Filho, Cacique Doble, São José do Ouro via Carlos Gomes, Centenário com Erechim. Seguindo, outro seria a interligação entre duas regiões importantes economicamente, o Alto Uruguai com as Missões via Campinas do Sul com Ronda Alta, Sarandi, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões, que encurtaria o acesso em 100 km. Da mesma forma, o fluxo comercial migrou para fora de Erechim, e assim se consolidou.
Outro equívoco relatado na matéria, foi deixar o asfalto iniciar em Erval Grande até Erechim, e não o contrário. A interligação levou 40 anos para acontecer, o que levou todo o comercio de São Valentim, Itatiba do Sul, Benjamin Constant do Sul e Erval Grande para Chapecó-SC. Inclusive se referia que o canteiro de obras estava pronto, que seria aquele construído no final da Avenida Sete de Setembro, para a construção de Itá, o que favorecia a construção esta obra.
Analisando os fatos, agora se percebe por que Erechim era um município de uma estrada só, a BR 153 que somente passava e passa por Erechim.
Passados três décadas desde 90, ainda não se finalizou os acessos asfálticos dos municípios integrantes da AMAU. No último dia 05 de abril o Governador Eduardo Leite e seu Secretario de Logística e Transportes Juvir Costella estiveram na região e em reunião com os Prefeitos da AMAU e autoridades regionais fez um relato do andamento das obras de acessos asfálticos na região. O que vale a pena relatar:
– Ponte Preta - RSC 480: obra concluída de 4 km no valor de R$ 6,5 milhões.
– Duplicação de ponte em Severiano de Almeida - ERS 426: obra concluída com investimento de R$ 1 milhão;
– Centenário - ERS 477: extensão de 8,09 Km com investimentos de R$ 18 milhões em andamento, com previsão de entrega ainda neste ano;
– Cruzaltense - ERS 483: extensão de 3,66 km com investimentos de R$ 9 milhões, com pavimentação concluída, faltando finalizar a sinalização;
– Ponte entre Campinas do Sul e Ronda Alta - ERS 211: extensão de 210 metros com investimentos de R$ 7,7 milhões em andamento, e com os recursos já garantidos para sua conclusão ainda neste ano;
– Mariano Moro - ERS 426: extensão de 3,7 km com investimentos de R$ 5 milhões, praticamente finalizada, faltando pequenos detalhes;
– Barra do Rio Azul: com convênio com Erechim e Aratiba e o Governo Estadual numa extensão de 17 km e investimento de R$ 28,8 milhões. Em andamento, com previsão de entrega ainda esse ano;
– Itatiba do Sul - ERS 137: extensão de 6 km com investimentos de R$ 14,9 milhões, em andamento, com previsão de término até o fim de 2024;
– Benjamin Constant do Sul - ERS 487: extensão de 5 km, com recursos da área do Daer de Erechim, no valor de R$ 21 milhões. A obra está prevista para iniciar neste ano, e o que sobrar dos recursos serão alocados em outros acessos asfálticos, como de Faxinalzinho na mesma ERS, numa extensão de 12 km, prevista para iniciar este ano;
– Entre Rios do Sul - ERS 483: projeto e orçamento em fase de conclusão para licitar a obra neste ano de 2024;
– Quatro Irmãos - VRS 828: em fase de readequação de projeto com previsão de conclusão em 2024 para licitação da obra;
– Duplicação da Ponte do Rio Tigre - ERS 477: projeto e orçamento em fase de conclusão para execução da obra. O projeto foi doado pela Prefeitura de Erechim.
Quem sabe teremos mais uns cinco anos para sairmos da “era da pedra lascada”! Bom saber, quem pensa e faz o planejamento de desenvolvimento regional para não ver os erros cometidos no passado, como estes de acesso asfáltico.