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Opinião

Dilúvio no RS (“Estamos com a água passando dos joelhos e já perto da barba! ”)

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Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental

Não se fala outra coisa, a não ser a tragédia das chuvaradas e enchente no RS. De fato, se abateu o “dilúvio” em nosso estado. Pelos relatos na bíblia, existe uma inequívoca semelhança!

Dados da ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico registraram mais de 800 milímetros de água acumulada neste mês de maio em muitos municípios do Estado. Isto representa uma lâmina de 80 centímetros ou 0,80 metros de água em toda a extensão do RS. É oito (08) vezes maior o volume esperado para o mês de maio, e equivalente a chuva de cinco (05) meses. Sem dúvida, um verdadeiro diluvio!

É tanta água que ultrapassou a capacidade de retenção do solo, seja dos campos e florestas. Menos banhados e florestas, menos “esponjas” para reter a água das chuvas, e regular a infiltração, o escoamento e vazão aos riachos e rios.

Estamos vivendo dois extremos climáticos no Brasil, aqui este diluvio, na região sudeste e centro oeste, altas temperaturas, seca e queimadas.

Estas tragédias nos mostram, quanto todos estão despreparados para lidar com estas situações extremas, seja os governos federal, estaduais e municipais, ONGS, instituições de defesa civil, as forças armadas, e a própria população em geral. Se formos apontar os problemas, há centenas de causas a serem elencadas.

Como diz nosso Governador, “é hora de salvar vidas, depois pensar na reconstrução”. Contudo, reconstruir para reconstruir não vai resolver o problema. A situação é recorrente nos municípios atingidos pela segunda ou terceira enxurrada desde setembro de 2022, como Muçum, Roca Sales, Encantado, Lajeado, entre outros. Cidades em suas áreas urbanas afetadas drasticamente, com empresas, moradias, pontes, estradas e acessos, outras obras físicas destruídas. Áreas rurais com suas lavouras, criações de animais, florestas arrasadas.

O dilema cresceu exponencialmente, pois como as pessoas que perderam tudo, absolutamente tudo o que construíram durante uma vida ou desde seus antepassados, já haviam reconstruído sua moradia, seu comercio, sua indústria, agora perderam tudo novamente?

Algumas ótimas lições tiramos desta tragédia:

1º) O gaúcho realmente é um povo guerreiro, acolhedor e solidário com seus semelhantes;

2º) Os demais brasileiros de outros estados também demonstraram uma notável solidariedade, com raras exceções;

3º) As redes sociais desempenham um papel crucial no repasse de informações em tempo real. Além, de favorecer as relações humanas, a comunicação para salvar vidas e bens;

4º) Muitos empresários, entidades privadas, artistas, e cidadãos comuns, por iniciativa própria ocuparam o espaço dos governos, e destemidamente agiram sem pestanejar, até colocando suas vidas e patrimônios em risco; entre outras.

Mas, a cada dia que passa vê-se uma “divisão perigosa” de forças crescendo na sociedade, e fomentada por muitos que querem a ruptura institucional da República Federativa do Brasil, que abominam a nossa nação, que abominam a democracia, que querem a sua destruição, jogando uns contra os outros. Percebe-se claramente que está em curso um “plano diabólico” para nos tornarmos dependentes de um regime político. E o mais grave, apoiado em parte pela grande mídia, que deveria ser isenta. Mas, escancaradamente “corrupta e subserviente” serve apenas para levar a desinformação e perturbando o entendimento por parte da população.

Assim, como precedeu a Revolução Farroupilha, o povo gaúcho sofre na carne, o desmerecimento do Governo Federal pela retaliação política, porque o gaúcho “não segue a cartilha e não se subjuga ao cabresto”.

Todavia, da mesma forma tiramos péssimas lições:

1º) Os órgãos públicos de fiscalização e controle são insensíveis as tragédias a população. A ANT, o fisco, estava multando os caminhões que transportavam materiais, alimentos para os flagelados, por excesso de peso e falta de notas fiscais. Pode? Talvez, os funcionários não tenham culpa, mas seus Diretores e Secretários Estaduais tenham. Se falta leis especificas, agora urge os Deputados e Senadores cria-las;

2º) Desorganização das instituições da defesa civil, pois muitos caminhões carregados de “ajuda humanitária” foram recebidos, alias não recebidos, e sim barrados, alegando-se  “que não mais precisavam de ajuda”, e milhares de pessoas passando frio, fome, e outras privações. Pode?

3º) O que falar das nossas FFAA? Despreparo total, muitos “soldados, cabos e sargentos” perdidos, inclusive nas estradas. Alguém viu algum tenente, coronel, ou general no comando da tropa? Em caso de alguma guerra, estaremos todos desprotegidos e perdidos!

4º) A saída para as injustiças, desmandos, erros, é dar culpa as “fake news”, e tachar todos que levam as informações com imagens e áudios das falcatruas e atos falhos de “mentirosos e antidemocráticos”, sujeitos a prisão intempestiva, e irem para o tal inquérito do fim do mundo, onde você é acusado, e até preso, mas não tem acesso ao processo, e nem direito a ampla defesa!

Fica a “pulga atrás da orelha”: este é o Brasil dos brasileiros?  

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