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Saúde

Entenda os cuidados preventivos contra doenças provocadas pelas enchentes

Infectologista, Vanderlei Madalozzo e médica veterinária, Mara Helena Saalfeld da Emater orientam cuidados com a saúde de humanos e animais

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Enchentes evidenciam o risco de aumento de doenças como a leptospirose, tétano, gastroenterite e den
Infectologista, Vanderlei Madalozzo.
Médica veterinária, Mara Helena Saalfeld
Por Vivian Mattos
Foto Divulgação

As enchentes que afetam o Rio Grande Sul nos últimos dias, evidenciam o risco de aumento de doenças como a leptospirose, tétano, gastroenterite e dengue. Com base nisso, o Jornal Bom Dia, consultou o médico infectologista, Vanderlei Madalozzo e a médica veterinária, Mara Helena Saalfeld da Emater/RS para entender o assunto.

 

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda que é transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de ratos. Conforme o infectologista, Vanderlei Madalozzo, a ocorrência de enchentes, como as que estão acontecendo neste momento, favorece a contaminação por doenças infectocontagiosas. “Sem dúvidas a leptospirose é a campeã, a urina do rato que está em contato com a água propicia a contaminação, principalmente em pessoas com ferimentos abertos na pele”, explica. 

No último domingo, a Sociedade Brasileira de Infectologia e a Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul emitiram uma nota sobre as indicações de quimioprofilaxia para a leptospirose. As recomendações consideradas para a atual situação são para que ela seja acionada em situações de alto risco, bem como:  

• Equipes de socorristas de resgate e voluntários com exposição prolongada a água de enchente, nos quais os equipamentos de proteção individual não são capazes de prevenir a exposição;

• Pessoas expostas à água de enchente por período prolongado com avaliação médica criteriosa do risco dessa exposição;

De encontro com essas orientações, Madalozzo, comenta que o uso da quimioprofilaxia está sendo discutido no meio médico e sua orientação é que medicação seja usada para pessoas resgatadas que tiveram contato com a água, pessoas voluntárias e profissionais estão atuando na linha de frente sem fazer o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). 

“Quem for ajudar precisa buscar fazer o uso de bota, capa, roupas apropriadas e luvas apropriadas para a situação. Agora, a pessoa que está sem EPI, usando tênis ou chinelo na ajuda, pode ser que precise fazer o uso da profilaxia”, comenta.

Além disso, o médico destaca que o uso deve ser feito nesses casos, visando evitar o desabastecimento da medicação. “Temos farmácias, principalmente em Porto Alegre, que já não tem mais o medicamento, pois foi usado por pessoas que não tiveram contato com a água. Por isso, é importante selecionar quem realmente precisa fazer o uso da profilaxia”, destaca. 

 

Zoonoses

Para evitar o contágio dos animais, a médica veterinária, Mara Helena Saalfeld, atual presidente da Emater/RS e superintendente geral da Ascar, recomenda aos criadores que protejam a ração dos animais dentro da propriedade, mantendo em lugar fechado, que impeça o acesso dos ratos. “Em um quilo de ração, 250 gramas ele come, 750 gramas ele estraga urinando. Então a gente precisa ter cuidado quanto a isso”, ressalta. Outro aspecto lembrado é a vacinação contra a leptospirose. “Existe vacina para essa doença, então nós temos que nos prevenir. Contate seu veterinário, os extensionistas da Emater, para ver se na sua região é preciso vacinar a cada quatro ou seis meses”, salienta Mara.

 

Outras doenças

Além da leptospirose, o infectologista ressalta que outras doenças podem ocorrer durante as enchentes. Os acidentes como cortes e machucados podem possibilitar a entrada da bactéria causadora do tétano. “Ninguém sabe o que está embaixo da água, a pessoa pode estar pisando e ter um ferimento em um prego, por exemplo”, explica Vanderlei.

A hepatite A e gastroenterite, transmitidas por alimentos contaminados também podem ocorrer. Além disso, caso aumentem as temperaturas, as cidades inundadas podem ter a demora de 20 a 30 para que a água baixe totalmente, propiciando a água parada e o aumento de casos de dengue.

Já caso exista a diminuição das temperaturas, a baixa adesão nas campanhas de vacinação contra a Gripe e o volume de pessoas fora de casa, pode propiciar as infecções respiratórias.  

 

Animais peçonhentos

O cuidado com animais peçonhentos também é recomendado pelo médico, pois os locais com enchentes e ambientes com acúmulo de entulhos ou destroços amplia o risco de ataques de cobras, escorpiões e aranhas.

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