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Saúde

Projeto social oferece apoio para vítimas de abuso sexual em Erechim

Iniciativa promove atendimento, palestras e oficinas de defesa pessoal

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Proponente do projeto, Gabriela Fonseca (E) e psicóloga, Michelle Zanatta (D)
Por Vivian Mattos
Foto Silvio Vanz

Com o foco de oferecer uma rede de apoio multidisciplinar, envolvendo psicoterapia, assistência jurídica, ginecológica, aulas de defesa pessoal e exercícios físicos para vítimas de abuso e violência sexual, o Projeto Social Ressignificar está há dois meses em atividade em Erechim.


Origem
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023 a residência continua sendo o local mais perigoso, onde 72,2% dos casos de estupro ocorrem. De encontro a isso, a proponente do projeto, Gabriela Fonseca compartilha que foi uma vítima de violência sexual por alguém do seio familiar e ao buscar tratamento identificou a dificuldade ao seu acesso. 


A partir disso, ela passou por um tratamento adequado e percebeu a importância de ressignificar esse trauma. Com o apoio de profissionais o projeto começou a ser implementado no município e agora, busca alcançar novas pessoas. 


Atendimento
A psicóloga do projeto, Michelle Zanatta comenta que o atendimento é focado na ressignificação e atende crianças, adolescentes, adultos e idosos, independente do momento da vida em que a situação tenha ocorrido. “Não necessariamente precisa ser uma vivência recente, pode ser algo que ocorreu na infância, passaram anos, a pessoa não conseguiu falar sobre isso e buscar ajuda”. 


No primeiro momento, a vítima ou familiar nos casos que envolvam crianças, podem entrar em contato pelo Whatsapp (54) 9667-1493 ou @ressignificar.projetosocial. A partir do contato, ela será acolhida pela equipe de atendimento e caso queira iniciar o tratamento será encaminhada para uma das psicólogas, posteriormente aos outros profissionais que queira receber assistência.


O sigilo da vítima é mantido pela equipe e a abordagem da situação de abuso sexual é tratada somente na psicoterapia. Nos primeiros três meses todo atendimento é prestado sem custos, após esse período a vítima e cada um dos profissionais irão acordar um valor social. A proponente Gabriela, ressalta que a assistência jurídica é gratuita até o final do processo. 


Abuso infantil
O projeto é proposto a acolher crianças e adolescentes vítimas de abuso e violência sexual. Em caso de vulneráveis o contato pode ser feito pelos pais, educadores ou pessoas próximas. 


Além disso, a iniciativa está aberta a convites para levar a equipe multidisciplinar aos ambientes escolares, visando a abordagem do tema com os estudantes e promover oficinas de defesa pessoal. 


Perfil do abusador
Cerca de 71,5% das vezes, o estupro é cometido por um familiar, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023. A psicóloga destaca que geralmente os abusos são cometidos por pessoas próximas ou os próprios familiares, sejam homens ou mulheres. “Por ser uma pessoa próxima da vítima, costuma ser difícil falar sobre isso, pois trata de alguém que existe uma relação de amor, contato ou vínculo”, diz Michelle.


Gabriela destaca que o abuso não é somente a conjunção carnal, ele pode ser um ato libidinoso, como apalpar, lamber, tocar, desnudar e masturbar-se. “O abuso sexual não é somente o estupro, pode ser um chupão no pescoço, praticar um ato em frente a pessoa, uma masturbação, passar a mão na parte íntima ou qualquer ato que sirva para satisfazer aquele abusador”, diz. 


Sintomas físicos e psicológicos
Em crianças, a psicóloga explica que devem ser notados sinais de agressividade, falas precoces sobre sexualidade, isolamento, fuga de contato com determinado gênero, macucados, vermelhidões no corpo e entre outros comportamentos que fujam ao comum. 


Na juventude ou vida adulta é perceptível o uso de drogas, suicídios, comportamento sexualizado, isolamento, transtornos alimentares, autossabotagem em relacionamentos saudáveis ou envolvimento com pessoas violentas e/ou abusivas psicologicamente. 

 

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