As próximas narrações versarão sobre os países acima mencionados. Várias foram as descobertas de conhecimento e de aventura. Muitas vezes voltei a eles através de cruzeiros, por avião e por terra. As experiências vividas foram muitas e em épocas diferentes, mas todas serão relatadas com imensa satisfação. Uma das viagens iniciou, por cruzeiro, em São Petersburgo – a Pérola da Rússia. Uma cidade plena de história e, pisar em suas calçadas, é voltar no tempo e navegar pelos seus canais- é sentir-se no seu rico passado. Mas, na atualidade, sua vida cultural e artística faz jus ao seu passado de história.
Os países do Norte da Europa, que se estendem da fronteira da Dinamarca com a Alemanha até grande parte do Círculo Polar Ártico, apresentam fascinante diversidade de paisagens: desde lagos de lama fumegante até os gigantescos fiordes- braços de mar entre montanhas- e as tranquilas florestas da Finlândia. A essa diversidade junta-se a riqueza das culturas social e política dos habitantes da região. Os países escandinavos – Dinamarca, Noruega e Suécia – e a Finlândia estão engajados em políticas de bem-estar público e de direitos humanos, ao passo que os países bálticos – Estônia, Letônia e Lituânia – redescobrem, gradativamente, suas identidades, em consequência do seu antigo pertencimento à antiga União Soviética.
Rússia – São Petersburgo
Em uma das viagens realizadas, o cruzeiro iniciou em São Petersburgo – a antiga Leningrado. Está localizado à beira do Rio Neva, onde estão muitos canais construídos imitando a cidade de Amsterdam- Holanda. Chegamos à Rússia através de Moscou, capital russa, onde permanecemos algum tempo para revê-la. Após, rumamos a São Petersburgo onde iniciaria o cruzeiro a bordo do excelente navio da Companhia Princess Crusius. Foi assim iniciada, por mar, a viagem pelos países do Mar Báltico e Escandinávia.
São Petersburgo
Está longe de ser uma cidade museu que vive apenas das heranças de um passado glorioso. Sua vida cultural e artística é ativa e cativante. Passando por ela podemos ver o Monumento a Pedro, o Grande, a Catedral de Santo Isaac, a longa Avenida Nevsky, o Palácio do Conde Strogonoff – o mesmo que num jantar, inventou a iguaria conhecida no mundo todo- o estrogonofe. Continuando, está o belíssimo Palácio de Inverno dos Czares- onde se encontra o Museu Hermitage – para mim, um dos mais belos e completos do mundo – a Praça das Artes, o Campo de Marte e a belíssima histórica Catedral do Sangue Derramado.
A cidade que reluz à meia-noite
Pela época em que lá estivemos, presenciamos este belo e excêntrico fenômeno. O rigoroso e lúgubre inverno em São Petersburgo faz parecer que a ex-capital do Império Russo nunca acordará de sua letargia enregelante. Talvez por isso, quando o verão do Hemisfério Norte chega a São Petersburgo, de junho a agosto, a metrópole do Mar Báltico pulse com uma vida vibrante banhada por uma luz rara.
O fenômeno acontece na latitude de São Petersburgo, perto dos 60 graus Norte, equivalente à ponta sul da Groenlândia. Não há noite fechada de meados de junho até fins de julho. O sol mergulha no horizonte por cinco horas, mas não o suficiente para escurecer inteiramente. A atmosfera segue iluminada por fachos prateados. São as célebres Noites Brancas.
Madrugadas iluminadas
Nos hotéis, pesadas cortinas escurecem os quartos. Mas sempre preferimos observar como o fenômeno se comporta, sem usá-las. Em São Petersburgo é uma ocasião de lazer. Os mais de quatro quilômetros da principal avenida, a Nevsky Prospekt, fervilham até o meio da madrugada. Calçadas lotadas e vaivém de carros. A noite é tão clara que alguns postes nem acendem as luzes. Casais de namorados aproveitam até tarde às margens dos canais do Rio Neva, que forma muitas ilhas. Nele, muitas pontes levantam ao passar dos barcos.
Cidade das Noites Brancas
Nessa época, dorme-se menos e mal. Muitos turistas inebriados pela claridade se perdem na hora de descansar. O organismo resiste a aceitar que aquele sol forte, lá fora, seja a indicação de que há oito horas de sono pela frente. Não são poucos os relatos de estrangeiros acometidos por alucinações ao não se adaptarem, ao fato de que devem deitar de dia, dormir de dia e acordar de dia.
Conclusão
Não fechar os olhos em São Petersburgo não é necessariamente um drama. A cidade, de longe, é a mais interessante, bonita e civilizada da Rússia. Isso é herança dos czares e czarinas que levaram arquitetos da Itália, da França e da Escócia para criar num dos cantos do Mar Báltico, entre o Golfo da Finlândia e o Lago Ladoga, uma joia para seduzir viajantes por séculos a fio, do barroco ao moderno. Na cidade, ainda podem ser vistos traços da estranha arquitetura do tempo de Stalin. Mas a cidade, de esplêndidas obras de arte, foi planejada para ser a mais importante metrópole russa, embora figure como sua ex-capital. São Petersburgo possui no seu centro um dos mais bem preservados conjuntos arquitetônicos dos séculos 18 e 19. A área é Patrimônio da Humanidade nomeado pela Unesco. São palácios e igrejas muito bem conservados e diferenciam-se pela beleza, bom gosto e, naturalmente, pela história que representam.