São Petersburgo está longe de ser uma cidade-museu que vive apenas das heranças de um passado glorioso, sua vida cultural e artística. É movimentada e cativante. Mas é uma cidade palaciana, que ostenta toda pompa do período czarista. Os caminhos históricos levarão ao retrato de uma época de extravagância dos governantes imperiais russos.
Reminiscências
O inverno em São Petersburgo é rigoroso. Muita neve e canais da água cobertos de gelo. Tudo parece mostrar que a ex-capital do império russo nunca acordará de sua letargia enregelante. Quando chega o verão no Hemisfério Norte – junho a agosto – São Petersburgo, próximo à ponta sul da Groenlândia, não possui noite fechada. O sol nunca desaparece por completo, sempre há luminosidade – a cidade reluz à meia-noite – são as chamadas Noites Brancas.
Sua história
Foi fundada pelo czar Pedro, o Grande, em 1703. Foi capital do Império Russo por mais de 200 anos, até a Revolução Russa de 1917. Tanta história a torna uma cidade muito interessante de conhecer. Ela possuiu o nome de Leningrado, dado por Lenin, de 1924 a 1991, quando houve a criação da Federação Russa, na sequência da dissolução da União Soviética. Lenin foi um dos mais terríveis mandatários russos.
Riqueza arquitetônica
A sua riqueza arquitetônica pode ser creditada aos mais de 600 palácios, remanescentes do período monárquico. Apesar da destruição na Segunda Grande Guerra, as obras de restauração devolveram a beleza e a riqueza do que sempre foi. Como a cidade mais bonita e civilizada da Rússia, ela é herança dos imperadores que levaram arquitetos da Itália, da França e da Escócia para criar, num dos recantos do Mar Báltico, uma relíquia para seduzir, por séculos a fio, do barroco ao moderno, seus milhões de visitantes anuais.
Sobrevivente da Segunda Grande Guerra
Por 900 dias, de setembro de 1941 a janeiro de 1944, São Petersburgo, então chamada de Leningrado, foi cercada pelos exércitos nazistas. Recebeu incontáveis bombas pelo ar e pela terra. Os habitantes sofreram pelo frio, pela fome e por muitas doenças. Leningrado resistiu a um dos maiores sofrimentos registrados nessa guerra. Quase 50% da sua população morreu. Mas ela não foi derrotada pela fúria nazista. Com muitos sacrifícios conseguiu sobreviver. Algumas obras conseguiram ser preservadas ou restauradas para orgulho da atual e bela cidade.
Quando os alemães se aproximaram de Leningrado, grande parte do seu acervo histórico foi embalado e despachado, por trem, para a segura Yekaterinburg, cidade situada nos Montes Urais. Quase tudo foi preservado, pois caso contrário, hoje, o mundo lamentaria o desaparecimento de grande parte de seus bens maiores.
Avenida Nesvki
O Nesvki Prospect é a rua mais conhecida de São Petersburgo e onde tudo ocorre. Muitos jovens encostados nas paredes, shows improvisados, ursos amestrados. É a região do comércio, dos teatros, dos restaurantes, da vida noturna e com igrejas. Um local que deve ser visto e apreciado.
Teatro Mariinsky
Também é conhecido como Teatro Kirov. Foi construído em 1859. Rica decoração interior. O dourado predomina e com magníficos lustres de cristal. Nele tivemos uma noite de gala. Assistimos o ballet “A Bela Adormecida”. O público lotou as dependências. No intervalo, jovens vestidos, como da realeza, ofereceram taças de espumante.
O apartamento-museu
Na esquina das ruas Kuznechny Lane e Dostoievskogo está um dos pontos turísticos mais interessantes de São Petersburgo. Neste endereço se localiza o apartamento-museu de Fiodor Dostoievski. Foi morada do autor com a família de 1878 a 1881 e onde escreveu o famoso romance “Irmãos Karamazov”. O Museu Literário-Memorial foi inaugurado no ano em que o autor completaria um século e meio – 12 de novembro de 1971. O local de maior impacto da visita é o apartamento. No hall de entrada, já se avista um chapéu do escritor. Na sequência vem o escritório, no qual está a pena de metal com a qual escreveu suas obras. Outro livro importante é uma obra humanista “Memórias do Subsolo”. Deixou também muitos manuscritos. Numa mesa hexagonal está o relógio que marca o dia e a hora de sua morte: 28 de janeiro de 1881, às 8h36min.No local, ainda há o quarto da esposa, Anna Grigorievna. Outras dependências ainda podem ser visitadas: a biblioteca, cozinha, salas de estar e jantar. Tudo se encontra como na época em Dostoievski o habitou.
Conclusão
Acima, foi comentado que as obras de arte de São Petersburgo, durante a invasão dos nazistas, foram levadas por trem para os Montes Urais. Conheci aquelas paragens, especialmente a bela e histórica Yekaterinburg durante a viagem que realizamos por trem de Moscou-Rússia a Pequim-China. São lugares onde se sente a verdadeira “alma russa”. Vai nos mostrando cenários descritos em clássicos da literatura russa. Foram lugares eternamente lembrados e com uma mostra real do povo russo. O filme, um clássico do cinema, “Dr. Jivago” relata muito bem os difíceis tempos da Revolução Russa. A história e as paisagens, bem como a dificuldade climática do rigoroso inverno da Rússia são relatadas pelo ator principal, que na película, é médico e poeta.