A Cooperalfa Erechim promoveu um seminário agrícola com assuntos voltados para o manejo, fertilidade e adubação de solo e perspectivas do mercado de grãos. O evento ocorreu na manhã de terça-feira (04), no CTG Sentinela da Querência, em Erechim, e reuniu gerentes, engenheiros agrônomos, professores, técnicos, produtores e estudantes.
Análise de solos do Alto Uruguai
A primeira palestra com o tema “Diagnóstico da fertilidade de solo da região”, foi apresentada pelo professor e responsável técnico do Laboratório de Solos da URI-Campus Erechim, Jardes Bragagnolo. Em 2023, foram realizadas mais de cinco mil análises em lavouras do Alto Uruguai.
Entre os aspectos observados, os terrenos cultiváveis carecem de calcário e fósforo, em determinados pontos há falta e excesso de potássio e é necessário que o produtor trabalhe a relação de nutrientes a partir dos resultados obtidos nas amostras coletadas.
“Verificamos que existe uma variabilidade de fertilidade e é inerente a cada talhão dentro da propriedade. De forma geral, temos problemas na região na parte de ph de solo e a presença de alumínio tóxico. Os produtores precisam estar atentos para essa questão e procurar fazer a correção utilizando a aplicação de calcário para melhorar as questões de ph e eliminar a presença do alumínio que afeta as raízes das plantas e consequentemente o crescimento. Cerca de 70% dos nossos solos estão com baixa disponibilidade de fósforo. Então, precisa ser olhada a parte de adubação para tentar corrigir esse cenário e disponibilizar mais fósforo para as plantas e solo. Dentro desse apanhado, das análises de amostras, também verificamos o desbalanço na relação entre alguns nutrientes como cálcio, magnésio e potássio”, esclareceu Bragagnolo.
Tecnologia na assertividade de manejo
O conhecimento estava atrelado ao manejo das áreas cultiváveis para aumentar a rentabilidade da produção. O professor e coordenador do Laboratório de Agricultura de Precisão do Sul da Universidade Federal de Santa Maria (LAPSul/UFSM), Antônio Luis Santi, ministrou o debate sobre “Manejo e conservação de solo”.
A tecnologia tem chegado às propriedades rurais e o uso eficiente tem aumentado o grau de assertividade em relação a preparação correta das lavouras.
“A integração da informação deve acontecer do pequeno ao grande produtor. Essa é uma iniciativa de algumas empresas e das universidades de democratizar o uso da agricultura de precisão e digital. É importante que o produtor sempre procure a assistência técnica, pois é um caminho de chegar ao acesso à informação, seja via empresas privadas ou cooperativas. Esse é um dos primeiros grandes passos que o agricultor tem que ter para que realmente comece a fazer diagnóstico da sua propriedade e, a partir disso, comece a perseguir o caminho da alta produtividade”, explicou Santi.
“Precisa aproveitar essas janelas de preços”
A última discussão do seminário ficou a cargo do consultor de gerenciamento de riscos, Leonardo Martini, que abordou os “Fundamentos e expectativas do mercado da soja, milho e trigo”. “Finalizamos uma colheita de soja que teve quebras, pois a tragédia no Rio Grande do Sul reduziu a expectativa da safra gaúcha. Acreditamos que isso irá manter o cenário de preços da soja, milho e trigo mais elevados e a possibilidade de valores aumentando ao longo desse ano. Mas no segundo semestre vem a safra americana de grãos com perspectivas muito boas. Então, o produtor precisa aproveitar essas janelas de preços e a movimentação que estamos vendo agora para vender um pouco mais de soja e milho”, disse Martini.
Palavra da Direção
Durante o evento, teve o momento “Palavra da Direção”, conduzido pelo segundo vice-presidente da Cooperalfa, Edilamar Wons. “Procuramos trazer conhecimento ao nosso associado e temos a certeza que se o conhecimento for aplicado no campo, no dia a dia, juntamente com nossa equipe técnica vai trazer resultado econômico para a família. Os donos da Cooperalfa são nossos associados e precisamos estar investindo em melhoria da porteira para dentro. Além do melhoramento da fertilidade do solo, é criar um planejamento estratégico dentro da propriedade, pensando a longo prazo, para que o associado consiga no decorrer dos anos ter um solo fértil e cada vez mais produtivo e consequentemente trazer mais rentabilidade”.
Caminho do saber
Segundo Eudes Biavatti, gerente da Cooperalfa Erechim, o ciclo de palestras teve como objetivo mostrar aos produtores rurais e associados as alternativas viáveis para obter maior rentabilidade na produção agrícola. “Sempre tentamos inovar e desafiar o mercado e os produtores para que tenhamos mais conhecimento e, na vanguarda, os melhores palestrantes e informações para passar ao associado para que na hora da decisão tenha mais instruções e uma assertividade melhor”, finalizou.