O 4º Congresso da Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul teve início na manhã de quarta-feira (05), no Pólo de Cultura ACCIE, em Erechim. Promovido pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS), o encontro reúne autoridades, lideranças, pesquisadores, professores e agricultores de diferentes regiões do estado.
Discussão de políticas públicas
Segundo o coordenador-geral da Fetraf-RS, Douglas Cenci, o congresso é a oportunidade de discutir políticas públicas voltadas para a produção sustentável de alimentos e luta pelos direitos dos agricultores familiares.
“Esperamos discutir sobre as principais dificuldades e necessidades da categoria, bem como construir alternativas para a agricultura familiar que hoje sofre com um conjunto de questões que vem se acumulando por conta de uma série de secas que atingiram o Rio Grande do Sul, recentemente o cenário das enchentes, problemas de preços, custo alto e concentração da produção e o envelhecimento dos agricultores. São grandes desafios que o congresso tem como missão discutir e encontrar alternativas para que a atividade possa continuar no campo, produzindo alimentos, cuidando do meio ambiente e gerando emprego e renda”, disse Cenci.
Modo presencial
O congresso volta a ser realizado presencialmente, pois a última edição havia sido organizada virtualmente em 2021, devido a pandemia. “Que a gente consiga fazer um bom debate e aprofundar a conjuntura que vive a agricultura familiar, mas principalmente apontar os desafios para os próximos três anos”, comentou o coordenador-geral do Sutraf-AU, Alcemir Bagnara.
Perspectivas da agricultura familiar
As atividades começaram com uma intervenção artística e uma interação de boas-vindas junto ao público. A programação apresenta painéis que abordam os cenários e as tendências da agricultura familiar.
De acordo com a professora e pós-doutora em Desenvolvimento Rural, Catia Grisa, são 29 anos desde a criação da primeira política pública no âmbito da agricultura familiar. “As condições atuais são bastante diferentes do que eram nos anos 90. Temos desafios gigantescos. Vivenciamos nas últimas semanas no Rio Grande do Sul os efeitos das mudanças climáticas que impactam a agricultura familiar e precisamos criar ações de adaptação. Também temos um problema expressivo que é a má alimentação no Brasil. Debater qual é o papel da categoria e como podemos pensar políticas públicas que contribuem para resolver o problema da fome no país”, explicou Catia.
Luta por direitos
A coordenadora do Sintraf de Ipê/RS, Marinez Castagna, está prestigiando o congresso e é exemplo na defesa de ideais e luta por direitos que atendam a agricultura familiar. Ela compartilhou sobre como é estar à frente de uma entidade em prol de auxílio da classe rural. “É uma responsabilidade grande, mas ao mesmo tempo uma imensa alegria por sentir a força e a coragem que os agricultores precisam ter para permanecer cultivando alimentos que vai para a mesa de todos os brasileiros”.
Oficinas temáticas, celebração dos 10 anos da Fetraf-RS e eleição e posse da direção-geral da entidade são algumas agendas que integram a programação do evento. O 4º Congresso da Agricultura Familiar segue até hoje (06), em Erechim.