“Patrimônio histórico fechado e abandonado há mais de 10 anos”
Um povo se caracteriza pela sua cultura, tradição, artes. A cultura engloba aspectos que definem a identidade de uma pessoa, dos grupos e das sociedades como valores, crenças, comportamentos, percepções, línguas, imagens, formas de expressão, comunicação, símbolos e objetos materiais. E compreende uma série de elementos, como costumes, crenças religiosas, vestimentas, rituais, tradições, danças, comidas, músicas, lendas, festas populares.
A cultura em seu sentido amplo, com base nas ciências sociais, se refere a capacidade que os seres humanos têm de dar significados as suas ações e ao mundo que os rodeia por um grupo social, e até mesmo o jeito de ser de uma população.
Os símbolos oficiais do Estado do Rio Grande do Sul são: o hino, a bandeira, o brasão de armas, o cavalo crioulo, a ave quero-quero, a planta macela, a bebida chimarrão, o prato típico churrasco, a flor brinco de princesa, a estátua do Laçador, a árvore erva-mate.
O povo de Erechim é uma miscigenação de raças, diversidade de culturas, credos que os imigrantes trouxeram consigo, associado a cultura tradicional dos povos indígenas que por aqui viviam.
Por lei nossos símbolos são: a bandeira do município, o brasão, o hino nativista erechinense, e o hino oficial de Erechim. Nossos patrimônios culturais são: o colono (1953), o mosaico (1953), Nossa Senhora de Fatima (1956), obelisco do Parque Longines Malinowski (1956). Também, há referências do Pórtico Erechim Cidade dos Povos em frente ao Estádio do Ypiranga Futebol Clube, e o Monumento aos 100 anos de Erechim junto a Praça Júlio de Castilhos.
E o Castelinho? Verificando documentos sobre Erechim, ele foi tombado pelo Estado do RS como patrimônio público, e em 1988 passou para o domínio do município.
Segundo historiadores, o município de Erechim foi criado no dia 30 de abril de 1918, e em prédio no dia 18 de julho de 1918 foi instalada a Prefeitura de Erechim, por uma decisão do Governo Estadual.
Mas, sem sobra de dúvidas, mesmo não sendo em lei, o nosso “símbolo imponente” de maior destaque, é o CASTELINHO. Prédio histórico, construído em madeira de pinheiro e cedro entre 1912 e 1915, inaugurado em 20 de abril de 1916, que retrata o período da colonização de Erechim e região do Alto Uruguai, pois nele se abrigou a Comissão de Terras do Estado do Rio Grande do Sul, que funcionou até os idos de 1960. É o prédio mais antigo da cidade.
Lá no site da Prefeitura, desatualizado por sinal, diz que “atualmente o prédio encontra-se em processo de restauração e fechado para visitas”. Se bem lembro, infelizmente está fechado e abandonado, pasmem, há mais de 10 anos.
Passaram-se décadas e o Castelinho foi se mantendo, abrigando novas atividades, como Secretaria da Cultura e Turismo, Casa do Coelhinho, Casa do Papai Noel, entre outras. Foi palco de eventos culturais, como danças, música, exposição de artes, exposição temáticas, e até museu temporário.
Sua silhueta virou símbolo estampado no brasão e bandeira de Erechim, em troféu da Câmara Municipal de Vereadores, que promove anualmente o reconhecimento a pessoas de destaque em nosso município.
A última reforma aconteceu em 2014, já se passaram 10 anos. A população tem o direito de saber, e o poder público o direito de informar por que não voltou a ser reaberto e sim abandonado as traças? Quanto se gastou nesta reforma?
O descaso e o abandono deste e de outros dos nossos símbolos, retrata a própria perda da nossa história, cultura e tradição. Qual o posicionamento das entidades culturais da sociedade erechinense por este tamanho descaso? Da mesma forma, qual a preocupação por parte dos vereadores, que tem a função de fiscalizar as ações do executivo, do emprego do dinheiro público?
Qual o posicionamento das instituições fiscalizadoras? Dos historiadores? De quem quer manter a cidade viva, pujante e preservadora de nossos símbolos e patrimônios?
Notícias recentes dizem que há um novo projeto de revitalização do Castelinho, que poderá chegar a R$ 10.000.000,00. Será que vai acontecer? Quando? Será que custará tanto assim? Será que acontecerá a obra e ficará novamente no abandono?
Já diz aquele jargão popular “povo que não tem história, jamais será lembrado”!