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Opinião

Dia 24 de junho – Dia do Pinheiro Brasileiro (“As araucárias do Parque Longines Malinowski estão morrendo”)

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Por Engenheiro Florestal Roberto M. Ferron - Membro do Rotary Club de Erechim

 

Alguém já observou que um terço dos pinheiros brasileiros centenários do Parque Longines Malinowski estão mortos ou morrendo?

Talvez, poucas pessoas tenham percebido esta mortandade dos pinheiros, porque a altura das arvores esconde esta triste realidade. Mas, quem olha a floresta dos prédios em volta, ou sobe na direção da Loja Michelin vai perceber este fato. Já tem alguns mortos sem a galhada, outros com a galhada seca, e outros morrendo. Para saber se estão morrendo, basta ver a galhada inclinada para cima (como braços voltados para o céu), cor verde pálido das grimpas, e passados dois anos estarão mortos. Restam poucos vegetando e sadios. Uma lastima, porque daqui a pouco não teremos mais exemplares centenários do nosso “dinossauro verde” para contemplar e admirar!

No parque há muito poucos exemplares jovens, pois os pinhões produzidos pelas árvores fêmeas eram catados, e/ou comido pelos roedores.

Sabe-se que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente fez plantio de mudas de araucária, inclusive em atividades alusivas ao meio ambiente, com a participação de entidades e escolas de Erechim. Ação meritória, mas vai demorar a aparecer os novos pinheiros sobre a mata das espécies folhosas.

É bom lembrar que este período é propicio para plantar os pinhões. Segue algumas orientações técnicas: a) sempre colocar o pinhão deitado sobre o solo, e acrescentar um dedo de terra sobre ele, e/ou enterrá-lo de ponta (a ponta fina) numa inclinação de 45º, nunca reto para baixo, e deixando aparecer a aleta (traseiro) da semente. Sempre ocorre insucesso no plantio, se o pinhão é enterrado de cabeça para baixo ou se coloca muita terra sobre ele. Lembrando que ao germinar, nasce primeiro a raiz (branca e comprida que sai da sua ponta, depois rente a ponta com o corpo da semente, emerge o caulículo já com pequenas folhas pontiagudas de um verde intenso.

Se for plantar o pinhão em lugar definitivo, sempre fazer uma cova de 20 x 20 x 20 cm, para afofar a terra, e depois colocar duas até três sementes como acima mencionado. Isto porque se uma ou duas morrerem por corte das formigas, ou serem comidas por ratos, ou por seca, uma poderá vingar. Importante saber que a araucária é uma espécie pioneira secundaria, ou seja, ela vem bem em locais de meia sombra, especialmente na borda da floresta, ou local sombreado por outras arvores, local de terra fértil e arejada (fofa), em solos secos e não úmidos ou que venham a ser inundados. Também é decisivo que a muda nova ou jovem pegue sol em seus ramos laterais, assim sua ponteira cresce reto em busca do sol, e procura se sobrepor as demais arvores da floresta.

A planta quando jovem tem seu formato em cunha, e já entre o 12 e 15º anos começa a produzir pinhão. Lá pelos 20 anos, muda o formato para taça. Existe o pinheiro fêmea e o pinheiro macho, e para que haja a polinização da flor fêmea é necessário o pólen da flor macho. Portanto, ambos têm que estar por perto. Quem normalmente leva o pólen é o vento. Uma pinha leva até 22 meses para se formar, ou seja, praticamente 2 anos.

As florestas de araucária habitam apenas o continente sul-americano, e especialmente no Brasil e uma pequena área na Argentina. As exuberantes FLORESTAS DE ARAUCARIAS desapareceram, e a espécie é tida como “ameaçada de extinção”. Ainda bem, que a EMBRAPA FLORESTAS através do Pesquisador Engº Florestal Ivar Wendling tem se dedicado a preservar as diversas variedades existentes, em melhorar a forma de multiplicação via enxertia.

Depois de alguns anos, o pesquisador descobriu que fazendo a enxertia de um broto de desenvolvimento apical (da ponteira, ou quando o pinheiro é cortado e tem o rebrote) sobre uma muda de 2 a 5 anos, por encostia deste logo abaixo do ápice da muda (tem que tirar as acículas – folhas e fazer uma pequena raspagem em ambos), a ponteira do enxerto gruda, e passa a se desenvolver. Após a garantia do pagamento, corta-se a ponteira do pinheiro “cavalo”. E a planta segue crescendo. Seis a oito anos após, começa a produzir pinhões. Por que este milagre? Justamente porque o ápice enxertado tem a idade do pinheiro velho, que pode ser 20, 50 ou mais de 100 anos.

Manter e preservar nosso “dinossauro verde” é nossa missão.

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