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Opinião

Outros símbolos de Erechim abandonados

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Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental

“O pórtico Erechim cidade dos povos”

 

Voltando aos símbolos de Erechim, inicialmente escrevemos sobre o mais famoso de todos o CASTELINHO, que foi tombado pelo Estado do RS como patrimônio público. Sua silhueta virou símbolo estampado no brasão e bandeira de Erechim, em troféu da Câmara Municipal de Vereadores, que promove anualmente o reconhecimento a pessoas de destaque em nosso município. Mas, não há lei municipal tornando-o nosso patrimônio cultural e nem símbolo! Será que não seria importante o município dar o destaque devido?

Relembrando nossos patrimônios culturais: O colono (1953), o Mosaico (1953), Nossa Senhora de Fátima (1956), Obelisco do Parque Longines Malinowski (1956).

Nestes casos acima, qual seria o Mosaico” (1953)? Aqueles ladrilhos que calçam a Praça da Bandeira, e os canteiros centrais da cidade e calçadas em frente à Prefeitura e o Castelinho? Constata-se que pela coloração diferente (branca e escura) há desenhos de um colono lavrando a terra com uma junta de bois, folhas de erva-mate e ramos de pinheiro brasileiro. Certamente retratam a colonização e as atividades econômicas que impulsionaram o município de Erechim, na época o trigo, erva mate e a madeira das araucárias.

O obelisco do Parque Longines Malinowski (1956), deve ser aquele na esquina do parque de frente para a Av. Comandante Kramer. A ele não se dá o devido destaque passando despercebido de todos. Também, há referências do Pórtico Erechim Cidade dos Povos em frente ao Estádio do Ypiranga Futebol Clube, e o Monumento aos 100 anos de Erechim junto a Praça Julio de Castilhos. Mas, não encontrei lei municipal tornando-os patrimônios culturais ou símbolos de Erechim. Se não há de fato, não seria o momento de oficialização?

Quanto ao Pórtico Erechim Cidade dos Povos, consta que foi inaugurado no dia 22 de dezembro de 2008, no final do Governo Zanella, e custou na época R$ 149.000,00. O mesmo foi escolhido em concurso público, vencido pela Arquiteta Zoimar Subtil dos Anjos, que se inspirou na relevância do Castelinho, nas etnias que aqui aportaram, no setor metal mecânico e no desenvolvimento do município. Coincidiu com o aniversário dos 100 anos da “colônia de Erechim”. O projeto ainda contemplaria mais dois pórticos secundários localizados nas ruas Santos Dumont e Sidney Guerra, que deveriam ser construídos em 2009.

Na época, o então o Secretário de Cultura Esporte e Turismo, Nelso Leite, salientou que “o monumento abre um espaço de transparência e receptividade, desafiando a todos na busca do entendimento do seu significado retratado em cada um dos seus elementos e formas, pois o conjunto que compõe a obra deve ser compreendido em sua singularidade e historicidade, como uma ação de desdobramento e do imaginário nos três tempos que compõem a vida e a história: o ontem, o hoje e o amanhã”. Continuando em seu pronunciamento, enaltece “o trabalho, simbolizado pelo movimento suave que o conjunto da obra personifica; a firmeza das decisões presente nas colunas de aço; a resistência ao negativismo, a agressão descabida e desnecessária, está representada na dureza do concreto e na força das pedras, a retidão, fica representada nos blocos de metal. A transparência nos atos administrativos, está nas águas cristalinas desta fonte, nos vidros que refletem e expandem e desnudadamente permitem a visão ao interior. Por fim, a cooperação e a fidelidade na execução das ações, representadas na convivência harmônica e na beleza das plantas, cada uma com suas características, mas convivendo nas suas diferenças, compondo um todo harmônico”.

Que belo discurso do Secretário de Cultura, Esporte e Turismo Nelso Leite. Entretanto, os demais governos sucessivos “desfizeram suas palavras”, relegando este pórtico magnífico e belo.

Aqui em Erechim, o visitante ou o turista se depara com aquela obra – cartão postal em completo abandono. É importante refletir, por que do esquecimento? Será aquela velha e surrada máxima da política brasileira, “tudo o que o prefeito anterior constrói, o novo que assume (de partido contrário) esquece as obras e projetos, para não dar o destaque merecido ao perdedor”? 

Reafirmando, o descaso e o abandono deste e de outros dos nossos símbolos, retrata a própria perda da nossa história, cultura e tradição. Qual o posicionamento das entidades culturais da sociedade erechinense por este tamanho descaso? Da mesma forma, qual a preocupação por parte dos vereadores, que tem a função de fiscalizar as ações do executivo, do emprego do dinheiro público?

Já diz aquele jargão popular “povo que não tem história, jamais será lembrado”!

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