Aproveitando os conhecimentos do meu colega Engº. Florestal Marcos Leandro Kazmierczak, que é Doutor em Eventos Extremos (KAZ Tech, Porto Alegre), muito me impressionou as conversas que tivemos e uma palestra que fez aos colegas associados da SEFARGS – Sociedade dos Engenheiros Florestais Autônomos do RS.
Como o tema continua repercutindo na sociedade, nos meios políticos e governamentais, é importante sabermos a gravidade destes eventos, que mais frequentemente atingiram o Brasil e o RS.
Doravante, publicarei uma série de matérias escritas por ele, com alguns comentários meus.
“Garimpando notícias daqui e dali a percepção de que houve uma redução significativa nos investimentos em prevenção de desastres no Brasil, nos últimos anos, é nítida. Completamente desproporcional a relação entre os recursos destinados à prevenção e aqueles gastos com ações de resposta e reconstrução após os eventos.
No período 2013-2016, tivemos o maior pico de investimentos, com R$ 10,41 bilhões. Não os considero suficientes, longe disso. Houve uma redução gradual até 2015 e queda acentuada desde então. Entre 2017 e 2021, os investimentos se estabilizaram em um valor médio de R$ 1,51 bilhões. O menor valor foi em 2021, com R$ 1,13 bilhão. Em 2024, sinais de uma retomada, com aumento para R$ 2,6 bilhões, por conta da inclusão de R$ 1,7 bilhão no Novo PAC. É um investimento muito baixo, e que sai caro aos nossos bolsos.
O que causou isso? Entre os fatores que influenciaram esta redução destaco [1] a priorização de outras áreas e a redução da verba destinada à Defesa Civil em orçamentos federais; [2] as mudanças nas políticas públicas, que se refletiram em menor foco na prevenção e maior ênfase em ações de resposta e reconstrução (como sempre); e [3] a crise fiscal, pois as dificuldades financeiras dos governos limitaram o investimento em diversas áreas, incluindo a prevenção de desastres.
As consequências desta redução, todos nós sabemos. Aumento da vulnerabilidade, com maior suscetibilidade do país a desastres naturais, com impactos mais severos em vidas e na economia. Custos mais altos, já que qualquer um sabe que gastos com ações de resposta e reconstrução após desastres tendem a ser muito maiores do que os investimentos em prevenção. E logicamente, o eterno e onipresente ciclo vicioso da falta de investimento em prevenção, o que gera mais desastres, leva a mais gastos com ações emergenciais, perpetuando o problema.
A necessidade de mudança é gritante! É fundamental reverter a tendência de queda nos investimentos em prevenção de desastres. É fundamental adotar o mantra “Prevenção como investimento” e que a classe política se conscientize de que investir em medidas preventivas é mais vantajoso do que gastar com ações emergenciais após desastres. Os benefícios a longo prazo são muito maiores, pois a prevenção gera economia de recursos e contribui para o desenvolvimento sustentável do país.
Para concluir, basta lembrar que os recursos do fundo partidário de 2024 são de R$ 4,9 bilhões. 88% maiores que os investimentos em prevenção”.
Segue meus comentários. Pelo visto, pouco atenção se deu a este tipo de situação a nível de estado ou de pais. Doravante, pelo desastre ocorrido no RS, acendeu a luz vermelha, e as autoridades estarão mais preocupadas com a questão. Torçamos para que não aconteça como normalmente ocorre, ou seja, daqui a pouco cai no esquecimento, voltasse ao normal, e somente se dará a atenção devida quando ocorrer novo evento.