Seja na implantação da atividade leiteira ou no aprimoramento da produção, os produtores de leite se deparam com estratégias diferentes no manejo das vacas. Entre pastejo e confinamento, a última opção surge como sinônimo de produtividade e lucratividade. Mas será que é a alternativa mais viável?
Segundo o médico veterinário, Willian Rodrigues Cagnini, não existe um sistema de produção ideal para as vacas leiteiras. “Existe um sistema que melhor funciona em cada perfil de rebanho, propriedade e produtor e família que trabalha nele. Extensivo pode funcionar melhor ou talvez em outro local o confinamento será mais lucrativo. Depende de vários fatores. Acredito que vai de propriedade para propriedade, avaliando o contexto geral, desde a questão de mão de obra”.
Fechadas com dieta balanceada
Entre as principais diferenças de ter animais a pasto ou confinadas estão o controle da alimentação e os custos de investimentos e manutenção. “O confinamento é um sistema que permite ter aumento na produção com uma dieta mais assertiva e controlada, sendo 100% no cocho. Também você consegue aumentar o número de animais em uma propriedade pequena, que se for em um sistema a pasto, não consegue expandir, pois a pastagem depende muito do clima”, explicou Cagnini.
Soltas com pasto a vontade
O clima é um dos fatores que interfere diretamente na constância da produção leiteira quando a criação dos animais é a pasto. O custo mensal também será relativamente menor se comparado com ter as vacas totalmente confinadas, já que a implantação da pastagem é mais barata. “Você consegue ter um custo menor, se for uma boa pastagem com manejo adequado, adubação, piqueteamento, além de alcançar uma boa produção. Algumas desvantagens seriam de não conseguir controlar a dieta, que quando estão na pastagem, será lá o alimento delas. E o clima, em dias chuvosos a produção baixa e não tem alternativas para evitar isso”, falou o médico veterinário.
Estratégia de produtividade
Para se ter resultados eficazes em diferentes sistemas de produção, o produtor de leite precisa adotar conduções apropriadas dentro do rebanho como calendário sanitário, ajustes de dieta, ambiente confortável, manejo reprodutivo, entre outras medidas. Conforme Cagnini, a utilização de pastagem como estratégia principal de produtividade perde espaço em relação a outros modos de produção.
“O sistema de pastejo funciona bem, dependendo do perfil da propriedade. Tem uma boa lucratividade, porque o custo para mantê-lo é relativamente baixo comparado ao de confinamento. Para alguns perfis de propriedades e produtores funciona bem. Muitos deles trabalham há muito tempo com as vacas a pasto e não pensam em confinar. É um sistema que sempre vai existir, mas a tendencia é reduzir com o tempo”, afirmou.
Perfil adequado
Optar por um ou outro modelo a ser seguido dentro da propriedade varia de acordo com objetivo final do produtor. A implantação do sistema depende do perfil da propriedade, área, relevo, número de animais, raça, tamanho e média de produção que deseja alcançar. “Tudo precisa ser avaliado antes. Se confinar, é necessário fazer um planejamento prévio para realmente ter um bom andamento do sistema”, comentou.
A indicação do médico veterinário é que o produtor estude qual forma se encaixa dentro da fazenda “quanto mais eficiente, mais lucrativa”.