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Opinião

Alemães no Rio Grande do Sul- 200 Anos (Parte 1)

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Por Marlei Klein

Farei uma pausa sobre os relatos da viagem “Norte da Europa: São Petersburgo (Rússia) – Cruzeiro pelos países Bálticos – Escandinávia” para relatar e comemorar a saga da Imigração Alemã no nosso Rio Grande- este ano comemorando 200 anos da chegada. Mais tarde, continuarei com o assunto anterior, pois estou voltando de uma nova viagem àqueles mesmos lugares. Foram novas e importantes experiências que serão mescladas com as experiências anteriores. Observei que o norte da Europa, com preocupação, está procurando se adaptar às diversidades de clima e às suas consequências...

 

Bicentenário da Imigração

O bicentenário da imigração Alemã no Rio Grande do Sul será oficialmente festejado no dia 25 de Julho de 2024. Este será um ano de comemorações. A diversidade cultural e as suas tradições estão enraizadas no povo gaúcho. Um povo forte e trabalhador que teve grande influência no desenvolvimento econômico e social do nosso Estado.

Cabe aqui ressaltar a introdução do cooperativismo no Brasil, aqui iniciado. O Padre Theodor Amstad, em 1902, trouxe essa experiência europeia. O jesuíta começou a lançar as primeiras cooperativas de crédito e agrícola no interior do Estado. A Caixa Rural –hoje Sicredi Pioneira- em Nova Petrópolis foi a primeira e ainda lá existente. Esta cidade, hoje, é considerada o berço do cooperativismo gaúcho e, depois, nacional. Não fosse a influência germânica, o cooperativismo não seria hoje do tamanho que é nem teria o peso que tem no Produto Interno Bruto do Rio Grande do Sul. Um setor que reúne milhões de associados, principalmente nos ramos agropecuário, saúde, crédito e infraestrutura.

Nosso Estado

Pode ser resumido no seguinte em língua alemã: ” Porto Alegre, hauptstadt des Saltes Rio Grande do Sul, magnetisches zentrum des fortschritts der – Gaúchos- und ausdruck europäischens geistes auf brasilianischer erde”. Traduzindo: “Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, centro de atração do desenvolvimento gaúcho e síntese do espírito europeu em terras brasileiras”

Razões da vinda dos alemães

As condições socioeconômicas, na Alemanha, levaram muita gente a procurar uma nova pátria. Além do Brasil foram para outros países como os Estados Unidos, Canadá e Argentina. Mas as causas da migração não foram somente essas. Os problemas econômicos e sociais são os mais evidentes e sensíveis. Pois, apesar das descobertas das técnicas, da intensa industrialização e da consequente revolução social, na Europa, os anos 1800 se caracterizaram por guerras, destruições, fome e doenças. Em 25 de Julho de 1824 chegava o primeiro grupo ao Estado.

Explosão demográfica

A vacinação obrigatória das crianças, decretada por Napoleão, naqueles idos, iniciou nas regiões ocupadas pelos alemães e franceses, na Europa. O resultado foi uma extraordinária redução da mortandade infantil e consequente aumento da população. Justamente nas regiões compreendidas entre os Rios Reno, Mosela, Saar e Lahn – a chamada Região do Hunsrück – a mais pobre. Grande parte da imigração alemã chegou dessa região.

Região do Hunsrück

É uma região próxima da França. Por isso, o dialeto falado por esses imigrantes possui muitos vocábulos franceses. Aquela região sofreu grande influência política, principalmente com a libertação da dominação feudal- a dominação dos nobres. Mas por várias razões, o processo de transformação para a propriedade individual foi muito lento e difícil. Na Alemanha só aconteceu em 1848. Foi o ano em que se começou a substituir a expressão “súdito” e “vassalo” por “cidadão” para designar uma nova condição social.

Propriedade individual

Esta não trouxe, de início, o progresso material, mas se caracterizou durante muitos anos por um depauperamento geral. Foram muitas colheitas fracassadas, o gado era dizimado por doenças e os trigais atacados de ferrugem. As propriedades eram parceladas cada vez mais entre os herdeiros, com todas as consequências danosas do minifúndio. Durante o império da nobreza, o latifúndio não beneficiara as populações. Mas o minifúndio agravou a situação social dos novos cidadãos.

Migração dos povos

As principais causas da migração de alemães para o Brasil, sempre foram os desajustes sociais e econômicos. Entretanto, muito pesaram as perseguições políticas e religiosas. Mas muito importante foi sempre o que dominou aqueles povos: o espírito de aventura e de conquista. Outros países, no embalo das migrações, como Portugal, aproveitaram para livrarem-se de presidiários nos seus ensaios de ocupação e colonização da Terra de Santa Cruz. O Brasil sempre se revelou um país aberto e hospitaleiro.

Conclusão

Os imigrantes alemães teriam vindo ao Brasil com o simples espírito de aventura e de conquista? Teriam vindo só os desajustados sociais e os marginalizados nas finanças e na economia? Não teria havido motivações psicológicas e espirituais mais elevadas do que a angustiosa busca de novas possibilidades de vida? O fato é de que as correntes imigratórias alemãs para o Brasil perduraram também quando a crise na Alemanha já tinha sido superada. Assim, aconteceram muitas diversidades culturais. Já não se tratava do agricultor desesperado, mas do artesão, do mestre-escola, do intelectual. Médicos como o Dr. Hildebrand, o Dr. Blumenau e o jornalista Von Koseritz são exemplos da intelectualização dos imigrantes. Foi tomada uma resolução pensada e definitiva.

Hoje, assistimos um outro reflexo da imigração alemã: as muitas oportunidades para brasileiros na Alemanha. Lá atualmente vivem, trabalham e estudam cerca de 160 mil cidadãos do Brasil. Certamente, o intercâmbio de pessoas é um dos maiores legados da imigração.

 

 

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