O equilíbrio entre nutrição, genética, ambiente adequado e manejo define a produtividade de uma vaca de leite. A alimentação é um dos fatores essenciais para que o animal ingira os nutrientes necessários para a produção, além de estar diretamente relacionado com a sanidade corporal.
Quando a dieta não está em conformidade com a necessidade do animal pode ocorrer limitação de rendimento e distúrbios metabólicos. Segundo o zootecnista e doutor em Produção Animal, Paulo Roberto Salvador, dietas mal formuladas acarretam em doenças como acidose e cetose.
“Para atender as demandas nutricionais das vacas é necessária a avaliação da composição dos alimentos que irão compor a dieta. Após essa avaliação e juntamente com fatores relacionados aos animais como peso corporal, produção de leite e DEL (Dias Em Lactação) já é possível ajustar uma dieta a fim de atender os requerimentos nutricionais das vacas promovendo saúde, produtividade e longevidade dos animais”, explicou Salvador.
Dietas desequilibradas
Redução no consumo de alimentos, queda brusca na produção e alteração na composição do leite são observados em vacas de leite com dietas desequilibradas. “Geralmente esses sinais antecipam um problema que aparecerá mais tarde e pode sinalizar ao nutricionista a necessidade de ajustar novamente a dieta a fim de evitar o agravamento da situação. Quando isso não acontece os principais sinais clínicos que apontam para uma dieta desequilibrada são score de fezes inadequado, baixa taxa de ruminação e febre em alguns casos”, afirmou o zootecnista.
Salvador orienta que esses sintomas podem estar relacionados a vários fatores e devem ser investigados por um profissional habilitado.
Resposta produtiva
A alta produtividade das vacas de leite passa pelo aumento da quantidade de concentrado em relação ao volumoso dentro da alimentação dos animais. Para o doutor em produção animal, esse acréscimo na dieta deve ser gradativo e estar em concordância com a capacidade de resposta de produção da vaca. “Devem ser observados limites de inclusão dos nutrientes para que se possa ter uma adequada produção, não esquecendo da saúde animal. Dietas mais desafiadoras geralmente possuem altos níveis de amido e quando estiverem acima dos níveis recomentados podem causar acidose ruminal.
Produção de leite e sanidade animal são obtidas com o auxílio de alimentos de qualidade e a dieta deve respeitar os níveis de inclusão dos nutrientes como proteína, energia, fibra, minerais e aditivos. “Os programas de formulação de dietas trazem esses parâmetros de forma bem detalhada e permitem ajustes necessários. Após a adaptação inicial, é necessário monitorar as respostas dos animais e definir as estratégias”, observou o profissional.
Estabilização do metabolismo
Em propriedades onde seja necessário estabilizar o metabolismo do rebanho, a assertividade da tomada de decisão ocorre quando é feito o controle individual da produção e da complementação alimentar. “A decisão de se trabalhar com dietas mais conservadoras ainda é muito comum entre os produtores. Nesses casos as dietas são compostas por maiores proporções de volumosos em relação a concentrado. A decisão do produtor precisa ser respeitada, porém a exigência nutricional das vacas precisa ser atendida para que outros problemas possam ser evitados. A meritocracia talvez seja a melhor forma de se trabalhar nesses casos onde os animais que mais produzem recebem um complemento alimentar (concentrado) para atender suas exigências”.
Acidose
A acidose ruminal é causada pela diminuição do pH do rúmen, geralmente devido a ingestão de grandes quantidades de alimento rico em carboidratos altamente fermentáveis, o que provoca produção excessiva de ácido láctico no rúmen.
Isso causa a mudança da população microbiana gastrointestinal e complicações digestivas. Também há redução no consumo de alimentos, baixo teor de gordura no leite e podem aparecer casos de laminite (problema no casco).
Cetose
A cetose é uma doença que acomete os ruminantes em consequência do desequilíbrio energético. Geralmente, essa enfermidade ocorre entre segunda e oitava semana do pós-parto, período que o animal enfrenta um balanço energético negativo.
Isso está associado a um processo de elevada demanda de energia do animal, em decorrência do aumento da produção de leite. Entretanto, o consumo de alimento não acompanha tal exigência.
Os prejuízos estão relacionados a diminuição da produção de leite e ao aparecimento de outras doenças secundárias como deslocamento de abomaso, metrites e retenção de placenta.