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Opinião

As mudanças climáticas e a ameaça à prosperidade do agronegócio gaúcho

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Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental

“O RS enfrentará grandes mudanças climáticas”

                        

Estudos mostram que o clima do RS está mudando se comparado há 30 anos atrás, a temperatura média anual aumentou em 0,8ºC; o inverno, o outono e primavera estão mais quentes; chove em torno de 10 a 12% a mais; e com a alteração vem as consequências. Se forem gradativas, pouco sentiremos, mas se forem extremas com o ocorrido em maio e junho últimos, sentiremos sua gravidade, e os estragos são perceptíveis.

A nossa agricultura é extremamente dependente do clima, quando vai bem, a colheita é farta! Se tiver estiagem, frio intenso ou chuvarada, afeta a produção e toda a cadeia, seja nos grãos, frutas, hortaliças, na avicultura, suinocultura, entre outras. Por consequência, o baque econômico é grande.

Segundo o Engº Florestal Marcos Kazmierczak, especialista no assunto, o Rio Grande do Sul enfrenta um desafio climático sem precedentes. E a simulação de cenários climáticos futuros (até 2040) feita pela KAZ TECH, com modelos validados pelo IPCC, revela o aumento do volume de chuvas, das temperaturas máximas e das ondas de calor, pondo em risco a pujança do agronegócio, a segurança alimentar e o desenvolvimento socioeconômico. Já sabemos ONDE e QUANTO.

Nos últimos 30 anos, chuvas mais intensas e recorrentes se tornaram um pesadelo para os produtores gaúchos. Foram 2.844 eventos hidrológicos (temporais, enxurradas, inundações e movimentos de massa), numa média de 95 por ano e crescimento de 294%. Em maio, as inundações devastaram plantações, causaram erosão do solo e comprometeram a qualidade das safras, além impactar a produção já colhida e armazenada em silos alagados. A soja, principal cultura do estado, sofreu com alagamentos e doenças fúngicas, com perda de produtividade e renda. O milho, base da alimentação animal, também foi afetado, impactando a produção de carne e leite.

O aumento das temperaturas afeta o ciclo de qualquer cultura. A floração precoce e a maturação irregular comprometem a qualidade dos grãos/frutos, diminuindo a produtividade e gerando perdas. Temperaturas extremas causam estresse hídrico nas plantas, levando à desidratação e à morte.

As ondas de calor castigam o gado, diminuindo o apetite e a produção de leite. A falta de água, intensificada pelas secas, eleva os custos de produção e impacta a qualidade da carne. Na agricultura, longos período de temperaturas muito altas comprometem a produtividade.

Diante deste cenário, o agronegócio gaúcho precisa se adaptar e inovar para garantir sua sustentabilidade e competitividade. A adoção de práticas agrícolas mais resilientes é fundamental para minimizar os impactos climáticos e proteger a produtividade. O investimento em P&D de novas cultivares, resistentes às mudanças climáticas, é crucial. Tecnologias de irrigação eficientes e o uso de energias renováveis são essenciais para a sustentabilidade do setor.

O governo tem um papel essencial, na criação de políticas públicas que incentivem a adoção de práticas agrícolas sustentáveis, a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e a adaptação da infraestrutura rural às mudanças climáticas. O diálogo entre o governo, o setor privado e a academia são essenciais para a construção de um futuro mais resiliente para o agronegócio gaúcho.

Concluindo, faço um chamado à ação para um futuro sustentável. As mudanças climáticas representam um enorme desafio para o agronegócio gaúcho.  Com adaptação, inovação e políticas públicas adequadas, o setor pode superar esses desafios e garantir sua sustentabilidade a longo prazo. A união de esforços do governo, do setor privado, da academia e da sociedade civil é fundamental para construir um futuro próspero para o RS e para o Brasil”.

É extremamente importante, se adaptar aos novos tempos, ao novo clima!

Com colaboração do Engenheiro Florestal Marcos L. Kazmierczak, Doutor em Eventos Extremos, KAZ Tech

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