“As ações devem ser abrangentes e multissetoriais”
A forma mais eficiente e menos oneroso de evitar os danos causados por eventos climáticos severos é se antecipar aos desastres. As ações praticamente vão na contramão do que se fez até hoje. “As chuvas no Rio Grande do Sul em 2024 evidenciaram a urgência de medidas de mitigação para aumentar a resiliência das áreas urbanas e rurais. As ações devem ser abrangentes e multissetoriais, envolvendo governo, sociedade civil e setor privado. Entre as ações prioritárias para esta mitigação, a KAZ TECH destaca:
- Mapeamento de áreas de risco a inundações e deslizamentos; análise da distribuição da população, infraestrutura e serviços essenciais para identificar áreas com maior vulnerabilidade social; divulgar informações à população, com mapas de risco públicos e acessíveis, campanhas de conscientização sobre os perigos e medidas de segurança.
- Melhoria da infraestrutura urbana: implementar sistemas de drenagem urbana eficientes, ampliando a capacidade de escoamento das águas pluviais, construção de galerias e bacias de retenção; promover a permeabilização do solo; e proteger encostas e áreas de risco de deslizamentos, com obras de contenção, reflorestamento e monitoramento de áreas suscetíveis.
- Adaptação do planejamento urbano: elaborar, revisar e atualizar os planos diretores municipais, com diretrizes para a ocupação do solo, construção civil e infraestrutura resiliente; incentivar áreas já ocupadas e restringir a ocupação em áreas de risco, com medidas para evitar a ocupação irregular em áreas suscetíveis a eventos.
- Gestão de recursos hídricos: promover a conservação da água, com a conscientização do uso racional e investimento em captação e reuso; proteger mananciais e áreas úmidas; e melhorar a gestão do abastecimento e saneamento.
- Aumento da resiliência da comunidade: desenvolver planos de contingência e sistemas de alerta precoce, com planos para resposta a desastres; promover a educação climática e a cultura de prevenção, com a conscientização sobre os riscos climáticos e foco em comunidades mais vulneráveis; e incentivar a participação destas comunidades, com planejamento e medidas de mitigação e adaptação, via governança participativa.
- Investimento em pesquisa e desenvolvimento: apoiar pesquisas sobre a mudança do clima local e seus impactos, aprimorar o conhecimento sobre os riscos climáticos e desenvolver soluções inovadoras para a adaptação; desenvolver tecnologias para infraestrutura resiliente (construção civil, drenagem urbana, gestão de recursos hídricos, ...); e promover a troca de conhecimentos e boas práticas, compartilhando experiências e soluções com outros municípios vizinhos.
A implementação dessas medidas exige um esforço conjunto de articulação, coordenado pelos gestores municipais, pela sociedade civil, pelo setor privado e pela academia. É fundamental investir em ações de longo prazo que construam cidades mais resilientes e preparadas para enfrentar os desafios da mudança do clima”.
Faz-se urgente revisar e atualizar os planos diretores municipais, e suas normas e diretrizes para a ocupação do solo, construção civil e infraestrutura.
O tempo voa, o tempo passa, se ficarmos de braços cruzados, seremos pegos novamente de surpresa!
PS: Colaboração do Engº Florestal Marcos L. Kazmierczak, Doutor em Eventos Extremos, KAZ Tech