21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Opinião

Alemães no Rio Grande do Sul – 200 Anos (Parte 3)

teste
Marlei Klein.jpeg
Por Marlei Klein

Às vezes, pensa-se na Alemanha como um país de tradição única, que iria do Mar Báltico à Floresta Negra- sul da Alemanha. Na realidade, a Alemanha moderna, até bem pouco, era dividida em duas pelo Muro de Berlim. Hoje, é constituída de regiões que, antigamente, gozavam de graus variados de autonomia. Caiu o Muro da Divisão. Recentemente, passando por Berlim, lá vimos restos da parede com figuras, pinturas e lembranças do que aconteceu na História. O lado leste, antiga parte comunista – atualmente é a região com os maiores empreendimentos nacionais e internacionais. Mais importantes dos que estão na Alemanha oeste, ou seja na sua bela capital – Berlim.

                       

 

A importância da literatura na história dos imigrantes alemães

A saga da chegada dos imigrantes alemães e sua história foram contadas em romances ao logo do tempo.  Parte disso tudo como a formação de comunidades e culturas no Rio Grande do Sul está relacionada com a literatura. Romances, embora sendo obras de ficção, reconstroem momentos como os da chegada dos imigrantes alemães ao Estado. Os primeiros desembarcaram por aqui em 25 de Julho de 1824.

 

Uma nova experiência

Publicações da época e após, mostram a herança de uma cultura que deixou marcas no campo, na indústria e nas artes. O cooperativismo foi o grande investimento e propulsor na economia daqueles tempos e nos de hoje. A narrativa ficcional tem ilustrado a forma como aconteceu o processo de imigração alemã e a sua instalação na nova terra, no Brasil. Uma publicação do Setor Alemão da UFRGS relata que há um primeiro momento em que nada está preparado, de modo que os imigrantes alemães chegam e necessitam abrir caminho em meio à mata, construir casas, trabalhar arduamente com a terra e viver isolados.

 

Dificuldades encontradas

O diálogo, relata a professora Zuleica Kraemer, era necessário entre os germânicos aqui estabelecidos. Mas este era bastante complicado, não somente com os que já estavam por aqui, mas também entre os próprios imigrantes devido às muitas diferenças de dialetos que traziam. A mudança cultural era bastante acentuada da Europa para o Brasil, passando pela alimentação, vestuário e arquitetura. Não dá para esquecer que muitos deixaram sua terra devido às guerras e perseguições religiosas, e, principalmente, por não ter meios para a subsistência. No entanto, aqui muitos foram convocados e envolvidos em guerras e conflitos, sendo que em muitos casos, não compreendiam a língua em que as ordens lhes eram dadas.

 

Josué Guimarães

Foi o escritor, que durante seu exílio em Portugal relatou a história dos alemães aqui chegados. Na obra “ A Ferro e Fogo”, embora ficção, mostra os momentos da chegada dos imigrantes alemães ao Estado. “Na brumosa manhã ... o seleiro Schneider e outros trataram de voltar aos casebres da extinta Real Feitoria do Linho Cânhamo”- onde faziam anteriormente cordas para navios com esta planta-“... ali aguardavam há mais de três meses que o governo cumprisse com o que lhes fora prometido na Alemanha: uma colônia de terras de papel passado, alguma ferramenta, sementes e animais domésticos. Enquanto não vinha o pedaço de chão, trataram de tirar da terra provisória algo que pudesse ser somado ao charque e às abóboras aguadas com que se alimentavam. Na Estância Velha, um reduto onde o gado xucro estava sendo agrupado e as últimas sementes trazidas, já podres, viravam adubo. ”

 

“Tempo De Solidão”

“A Ferro e Fogo”- um romance realista escrito por Josué Guimarães durante seu exílio, em Portugal, em razão do golpe militar que ocorreu no Brasil, em 1964. “Tempo de Solidão” é o volume um e traz as experiências vividas pelos imigrantes germânicos no Rio Grande. Situa a história dos mesmos entre 1814 e 1835. O segundo volume “Tempo de Guerra” faz as narrações de 1835 e 1870. Os relatos desses romances são considerados como realmente aconteceram os fatos.

 

IV Congresso Internacional Das Linguagens

Este Congresso aconteceu na URI, em Erechim, onde a professora Ivânia Campigotto Aquino da Universidade de Passo Fundo – UPF- apresentou o artigo intitulado “A Ferro e Fogo, o romance da imigração e colonização”. Ela disse: “Não temos outra narração híbrida – literatura e história – da participação da etnia alemã na formação do Rio Grande do Sul. ” Ivânia é professora do Programa de Pós-Graduação, em Letras, da UPF.

 

Conclusão

A professora Zuleica Kraemer graduada em Letras Português/Alemão pela Universidade Federal do RS –UFRGS- considera que: “Não é possível refletir e compreender o Brasil de hoje sem levar em consideração todos os processos coloniais e imigratórios que o compõem. Um desses processos iniciados com força em 1824, em que o país se tornava independente de Portugal, foi o de imigrantes alemães que se deslocaram principalmente para o sul do país. A origem desses imigrantes estava do outro lado do oceano. Na maior parte das vindas, em uma viagem de condições precárias, e não tinham qualquer ideia do que os esperava na terra prometida ou no Eldorado. A imigração de alemães era basicamente de famílias, mas havia também solteiros e uniões que se formavam nos navios. Vinham carregando consigo uma religião, uma língua, uma cultura e também saudades. Vinham para outras paisagens, outro clima, outra forma de sobreviver...”

 Na Literatura, a compreensão do processo imigratório alemão é bastante fidedigno, ao que de fato se deu desde 1824...Muitas pessoas, ao longo da história, têm se deslocado não por vontade própria, mas por necessidades decorrentes das mais diversas situações...

 

Publicidade

Blog dos Colunistas

;