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Opinião

Resiliência climática de verdade

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Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental

“A prevenção, engajamento multissetorial e bons projetos é o caminho”

A Agência de Desastres da ONU (UNISDR) define a resiliência climática como “a capacidade de Sistemas (sociais, econômicos e naturais), Comunidades e Indivíduos em lidar com os impactos das mudanças climáticas, se adaptar a elas e se recuperar delas de forma sustentável”. Mas é crucial ter em mente que a resiliência é um “processo contínuo”, que abrange uma adaptação e aprendizado sem fim. Ela tem um contexto específico, em que as ações necessárias variam conforme o contexto local, considerando as características biofísicas, socioeconômicas e culturais de cada região. O recomendável para Muçum pode não ser o recomendável para Roca Sales, logo ali do lado.

Também é um processo INCLUSIVO, que obrigatoriamente precisa envolver a participação de todos os setores da sociedade, incluindo os grupos mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas.

E sobretudo é baseado em CONHECIMENTO, pois a tomada de decisões eficazes deve se basear em conhecimento científico sólido e no monitoramento contínuo dos meios físicos (uso do solo, cobertura vegetal, meteorologia, hidrologia, sócio economia e muitos outros). Eis outro grande problema, temos profissionais técnicos capacitados e habilitados em quantidade para prestarem serviços aos governos?

Como escrito anteriormente, “a forma mais eficiente e menos oneroso de evitar os danos causados por eventos climáticos severos é se antecipar aos desastres”. O planejamento multissetorial e multiprofissional será decisivo para atingir os objetivos propostos. Estas ações praticamente vão na contramão do que se fez até hoje, pois trata-se de prevenção, e não somente agir após o evento. Basicamente, é fazer o que se faz nas empresas, quanto a prevenção dos riscos de acidentes no trabalho.

A pergunta que mais se tem ouvido nas últimas semanas é: "como auxiliar na construção da resiliência climática no meu município?" A lista de ações é longa, mas se já começar com estas listadas abaixo, se vencera a inércia e será possível obter resultados em curto prazo:

1.Mecanismos (mapeamentos, equipamentos e sistemas) para avaliação de áreas de risco e dos riscos climáticos correlatos, que auxiliam na identificação, monitoramento e priorização dos riscos que representam a maior ameaça para uma determinada comunidade ou região.

2.Foco na gestão de risco de desastres, com capacitação; fortalecimento da Defesa Civil; com um compromisso político; compreensão e avaliação do risco, desenvolvimento de políticas, planos e programas; implementação e monitoramento; e fortalecimento da capacidade de resiliência.

3.Exemplos de boas práticas de adaptação, para mostrar diretamente para as comunidades como construir de fato resiliência climática, de forma eficaz.

4.Acesso a financiamento para projetos de resiliência climática, conectando comunidades e governos (federal, estadual e municipal) com recursos financeiros para implementar ações de adaptação.

5.Educação Climática, envolvendo conscientização e conhecimento básico; ação e engajamento; cidadania local, para um futuro melhor.

Há semanas, o que se apregoa todo dia é que dinheiro para o Rio Grande do Sul não vai faltar. Imaginemos se quem dissemina isso tem a noção do volume de recursos financeiros que vai ser necessário para a reconstrução e melhoria do Rio Grande do Sul?

Não basta somente reconstruir. Precisamos prevenir. E para prevenir se necessita de excelentes projetos!

 

Com colaboração do Engº Florestal Marcos L. Kazmierczak, Doutor em Eventos Extremos, KAZ Tech

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