A alimentação de homens e mulheres pode influenciar, aumentando as chances de gerar um filho.
Muitos casais que vêm tentando engravidar estão tendo problemas com a infertilidade, que vêm crescendo nos últimos anos. E essa questão, ao contrário do que se pensava antigamente, não atinge só a mulher. O homem também apresenta dificuldades e estudos já comprovam isso.
Cuidar da saúde é o ponto de partida. Além de aumentar as chances de fertilidade, o bebê terá um ambiente mais propício para se desenvolver durante a gestação e, consequentemente, será mais saudável.
Alimentação como aliada dos tentantes
A nutrição é crucial para a fertilidade. Uma dieta equilibrada e rica em nutrientes pode melhorar a saúde reprodutiva de ambos, aumentando as chances de uma concepção bem-sucedida.
Casais sedentários, que sofrem de obesidade, sem cuidados com a alimentação, que fazem uso regular e excessivo de tabaco e álcool, têm menos chance de engravidar.
Alguns alimentos podem ajudar a mulheres e homens a melhorar a sua saúde reprodutiva, como bem coloca a nutricionista e especialista em Saúde da Mulher, Fertilidade e Gestação, Patrícia Avozani.
Mulheres
“É recomendado que elas mantenham uma alimentação balanceada, rica em folato, ferro, ácidos graxos ômega-3 e antioxidantes, é essencial para regular os ciclos menstruais, promover a ovulação saudável e preparar o corpo para a gestação”, salienta Avozani.
A saúde intestinal também desempenha um papel de suma importância, pois a absorção adequada de nutrientes impacta diretamente na saúde reprodutiva.
Homens
Já para eles, o ideal é uma dieta rica em antioxidantes, como vitamina C, vitamina E, selênio e zinco, pois dessa forma “pode melhorar a qualidade do esperma, aumentando a motilidade e melhorando a morfologia dos espermatozoides”, acrescenta.
Preparação para a gestação
Para um casal que pretende ter filhos, o ideal é que seja feita uma preparação anterior. Com realização de exames, tomando os cuidados possíveis e encaixando hábitos saudáveis na rotina como exercícios e alimentação. Avozani coloca que para se ter um bom resultado é “recomendado um mínimo de três meses para começar a ver melhorias, mas o ideal é seguir essa preparação por seis meses para alcançar melhores resultados”.
Outro ponto de extrema relevância é que a preparação para a gestação influencia diretamente a produção e a qualidade do leite materno. “O estado nutricional da mãe antes e durante a gravidez é crucial para o desenvolvimento das glândulas mamárias e a produção de leite de qualidade”, frisa Avozani.
Todos os nutrientes armazenados no corpo da mãe durante a gravidez, como gorduras saudáveis e vitaminas, são utilizados na produção de leite. Portanto, uma alimentação equilibrada desde a fase de preparação para a gestação contribui para um leite materno mais nutritivo, beneficiando o bebê desde o início da amamentação.
Saúde metabólica e a fertilidade
Essa relação é muito importante para a saúde gestacional como um todo. Avozani lembra que a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), que é uma das principais causas de infertilidade feminina, está fortemente associada à resistência à insulina e ao desequilíbrio hormonal.
Além disso temos outros fatores que são muito influenciados pelo estado nutricional e metabólico, tanto de homens, quanto mulheres, como o envelhecimento, a endometriose, e a qualidade do esperma.
Avozani lembra que “é essencial que ambos os parceiros adotem hábitos de vida saudáveis e uma alimentação adequada, não apenas para aumentar as chances de concepção, mas também para garantir uma gestação saudável e o bem-estar do bebê. A abordagem nutricional personalizada e baseada em evidências científicas pode ser a chave para o sucesso na jornada da fertilidade”.
Prevenção de doenças
Além de auxiliar na fertilidade, a nutrição contribui para o desenvolvimento saudável do feto. Seguir uma dieta equilibrada e rica em nutrientes pode ajudar a prevenir doenças preexistentes no bebê, como diabetes gestacional e problemas cardíacos, além de reduzir o risco de complicações durante a gestação. “A nutrição adequada influencia diretamente na saúde fetal, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento e minimizando riscos futuros”, pontua.
É um erro pensar que a diabetes gestacional afeta somente a mãe. Se não forem tomados os devidos cuidados, o bebê pode receber mais glicose do que precisa, o que pode levar ao ganho excessivo de peso fetal, aumentando o risco de macrossomia (bebê com peso elevado ao nascer). Sem contar que após o nascimento, aumentam-se os riscos de desenvolver hipoglicemia, problemas respiratórios e, no longo prazo, maior predisposição a obesidade e diabetes tipo 2.