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Saúde

Por trás dos gostos: o que define a seletividade alimentar?

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Bebê experimentando novos sabores durante a introdução alimentar
Eliza Momoli Lando fala sobre a importância da introdução alimentar adequada no combate à seletivida
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação

A constante preocupação com uma dieta saudável traz questões que vão além de apreciar o alimento

Os casos de seletividade alimentar vêm crescendo e os consultórios pediátricos e de nutricionistas relatam cada vez mais essa preocupação dos pais.

Por isso é muito importante que seja feita uma introdução alimentar no tempo certo e de uma forma adequada. Caso contrário, pode ser o ponto de partida para as dificuldades alimentares, dentre elas, a seletividade.

Esse problema normalmente se apresenta em bebês a partir dos dois anos, persistindo até crianças de sete anos de idade.

Introdução alimentar

Tem o tempo certo para começar, normalmente aos seis meses, respeitando também os chamados sinais de prontidão de cada bebê. Essas indicações seriam:

- Sentar sozinho mantendo a coluna ereta;

- Fazer o movimento de pinça com a mão, levando o alimento até a boca;

- Realizar a ação de mastigação e não mais de sucção.

Antes desse período não é indicada a introdução alimentar, tão pouco após os setes meses, pois pode dificultar a aceitação dos alimentos. Em casos de bebês prematuros, baseia-se na idade corrigida, além dos sinais.

Por muito tempo algumas comidas eram ofertadas batidas em liquidificador como uma forma das crianças aceitarem melhor alguns alimentos. Porém, com diversos estudos, ficou perceptível que essas práticas não contribuíam com a evolução alimentar dos pequenos.

Quanto mais variedade de alimentos saudáveis forem inclusos nas refeições, melhor será. Além disso, variar as formas de preparo podem ajudar muito a criança a não ser tão seletiva com o passar do tempo.

Talvez na primeira vez que você ofereça determinada fruta ou legume, o bebê irá recusar. Isso não quer dizer que ele não gostou e nunca irá comer. É preciso insistir e tentar o mesmo produto cerca de 10 a 15 vezes. E sempre mudando a forma de preparo para ver o que se encaixa melhor no paladar.

Nesta fase, deve-se ofertar todos os grupos alimentares, os carboidratos, as proteínas, as gorduras boas, assim como legumes e frutas, sem restrições (em caso de bebês sem nenhum tipo de alergia). O ideal é que em cada dia tenha pelo menos um alimento de cada grupo.

No caso das crianças alérgicas, é importante respeitar as orientações do profissional que vai guiar esse processo.

De acordo com Eliza Momoli Lando, nutricionista clínica e escolar, sempre frisando “que se a gente utilizar de forma correta aquela janela de oportunidades, a criança pode iniciar com todos os tipos de alimentos, inclusive dos grupos mais alérgicos porque aí a gente tem menor chances dessa criança apresentar alergias. Quanto mais tarde a criança saudável experimentar um alimento ou um potencial mais alergênico ela também aumenta os riscos de desenvolver alergias a esse alimento”.

Causas da seletividade alimentar

As causas são inúmeras, então não podemos apontar apenas um problema, como é o caso de crianças alérgicas, por exemplo. O processo de introdução alimentar também é multifatorial e bem complexo.

Lando pontua que, “as dificuldades alimentares na infância, elas podem ter múltiplas causas. Então, sejam orgânicas, comportamentais, nutricionais, psicológicas, sociais, enfim, precisa de um acompanhamento multiprofissional para tentar identificar, para diagnosticar e tratar adequadamente”.

Muitos pais fazem o mesmo relato de que o filho comia super bem e agora não quer comer. Essa afirmação tem muitos porquês, como por exemplo, em que faixa etária a criança se encontra, quais os hábitos alimentares da família e do meio onde ela está inserida e o que ela vivência no seu dia a dia. Todas essas questões impactam na rotina alimentar desse pequeno indivíduo.

Para Lando, essa questão tem sido cada vez mais frequente na infância. “Como eu falei anteriormente, podem ser N fatores que vão sim contribuir pra essa seletividade estar aumentando tanto entre as crianças, mas um deles que eu arrisco aqui a dizer é a grande oferta de alimentos industrializados precocemente na alimentação das crianças”. E essa palatabilidade desses alimentos acaba fazendo com que elas recusem alimentos mais saudáveis no dia a dia.

Como evitar

Bebês que possuem alergias alimentares descobertas antes da introdução alimentar, como a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), já sabem o que deve ser retirado do cardápio, mas há ainda grupos alimentares, considerados alérgenos e as crianças podem ou não apresentar problemas durante o processo.

Nesses casos, é crucial que haja um acompanhamento, principalmente devido a gravidade da alergia.

Crianças sem agravantes alérgicos também deveriam ser acompanhadas. Não só para ter uma boa introdução alimentar, mas para evitar processos seletivos em algum momento e, sendo inevitáveis, poder auxiliar nessa questão. Além de analisar os sinais e os exames clínicos da criança para saber se está tudo bem.

Seletividade alimentar e o autismo

A seletivamente alimentar quando perdurar por um período maior de 90 dias, relacionado com mudanças de comportamento e prejuízos na ingestão de nutrientes vindos da recusa alimentar deve ser sempre investigado, pois pode indicar alguma doença. Quando a criança já tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) ela pode apresentar alteração sensorial, que acaba sendo comum em crianças com TEA.

Porém, é preciso deixar claro que “isso não quer dizer que o TEA, ele seja mais prevalente em crianças com dificuldades alimentares”, frisa Lando.

Muitas vezes é mais difícil se chegar a um diagnóstico do porquê daquela dificuldade alimentar, e ela acaba apresentando algumas complicações.

“Essas complicações também vão depender do tempo que essa seletividade está presente na criança e pode apresentar, sim, algum déficit ponderal, déficit de baixa estatura, atraso cognitivo, um maior risco de infecções, carências nutricionais”, aponta Lando.

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