Finlândia- Helsinque (I)
Em recente viagem aos Países Bálticos e à Escandinávia constatei uma grande preocupação com o clima e uma importância maior à Natureza. Transcrevo, aqui, as mesmas observações feitas pelo jornalista Marcelo Rech: “À primeira vista, quem percorre ruas e estradas, na Europa, pode supor que os prefeitos são negligentes na capina dos canteiros e outras áreas públicas. Mas o matagal que cresce ali neste início de verão não é fruto do descaso, e sim parte de uma tendência conhecida como naturalização da paisagem, que busca recriar, em ambientes urbanos, condições mais próximas das vegetações nativas...”
Uma busca da natureza
“...nos últimos séculos as intervenções humanas foram cedendo ao desmatamento, à erosão, ao assoreamento de rios e à redução de permeabilidade dos solos nas cidades. Não é preciso ser cientista para constatar que, sem penetrar no chão ou sem ter por onde correr de forma adequada, a água da chuva vai reclamar outros territórios. O mato não avança de forma desordenada em algumas das mais bem cuidadas cidades europeias. Sob supervisão de biólogos e paisagistas, sementes de flores e arbustos frutíferos substituem gramados aparadinhos, canteiros imaculados e o concreto para atrair e alimentar pássaros e espécies nativas, além de dar alento a abelhas e à crucial polinização...”
Finlândia na história
A Finlândia um dia pertenceu à Suécia. Sua capital – Helsinque- ficava muito próxima da fronteira russa. O país, embora gozasse de grande autonomia, ainda tinha o sueco como língua oficial. Não queriam mais e reclamavam a oficialização do finlandês. Em 1899, essa busca de identidade e independência atingiu seu clímax quando Jean Sibelius, um músico, compôs “Finlândia” transformada em verdadeiro hino nacional. Nos territórios bálticos, também, grandes intelectuais dariam fôlego às ideias de independência, que já eram divulgadas desde o século XVIII.
Terra dos Lagos
A Finlândia abriga a maior região lacustre da Europa, na qual densas florestas se espelham nas suas águas. O avanço e o retraimento das geleiras, que moldaram a paisagem da Escandinávia- na qual a Finlândia pertence -, deixaram em toda parte várias extensões lacustres. O “grande sistema de lagos finlandês” é sua formação mais impressionante. A nordeste de Helsinque – a capital- o lago Saimaa se desdobra em muitas angras, cabos e promontórios em uma superfície de 4.400 quilômetros quadrados. Nos meses de junho a setembro – o verão- são apresentadas óperas numa fortaleza medieval à beira do lago. Essa região foi muito frequentada pela burguesia de São Petersburgo-Rússia- na época dos czares.
Lagos e riachos congelam
Pelas baixas temperaturas no inverno, lagos e riachos congelam e tornam-se estradas. Carros e ônibus efetuam trajetos muito mais rápidos. No verão, os finlandeses que habitam a beira das águas, possuem seu próprio barco. Os lagos são interligados e não é possível estabelecer fronteiras. Rios e riachos passam de um lago a outro, formando uma rede de 360 km que pode ser percorrida em caiaque. Entre o início do verão e o fim do outono, trutas e salmões invadem, aos milhares, os rios e correntezas. Nessas águas geladas a pesca, em algumas localidades é livre, em outras, a pesca só é permitida com licença.
Claridade e escuridão
Principalmente, nos meses de junho e julho - altos meses de verão -quanto mais se vai em direção ao hemisfério norte, mais os dias se tornam longos. O sol não se põe jamais, são as chamadas “noites brancas”. Viajando em cruzeiro, em junho último, pude fazer muito bem esta constatação. Da varanda da minha cabine, acompanhei a claridade com o navio seguindo direção norte. Próximo à meia-noite o dia era bastante claro. No horizonte, onde seria o pôr-do-sol, algumas nuvens passavam da cor ouro ao verde. Fiquei feliz, mas não era a aurora boreal. Porém, foi um espetáculo de rara beleza! O sol parece que dá uma volta e, em seguida, recomeça seu trajeto em outra direção para um novo dia. No inverno, ocorre o contrário: dois meses de escuridão permanente, exceto quando é tempo de lua cheia.
O início do verão
É muito esperado pelos povos que habitam as proximidades do hemisfério norte. É uma explosão de cores! Assim que surgem os primeiros raios de sol, os nórdicos vão para as praças expondo o rosto ao calor do sol. Gostam muito de aproveitar uma bela tarde. São raros aqueles que procuram uma sombra. Mas o calor do verão, naquela latitude, é bem mais módico do que aquele que por aqui enfrentamos. “Se o verão for úmido e a chuva cair durante dois dias seguidos, as agências de viagem são tomadas de assalto e as passagens de avião para lugares ensolarados vendem demais! ”
Cura pela luz
O contraste entre o inverno e o verão é muito acentuado. Alguns preferem a noite contínua, porque permite dormir muito. A claridade dos longos dias permite falta de sono e alguns podem até mergulhar em depressão. Isto acontece também com turistas, que esquecem de dormir nas longas noites claras. Para resolver isso, há a “terapia da luz”: para expulsar as ideias sombrias, basta usar, meia hora por dia, um capacete com uma lâmpada bem clara. Em Helsinque – capital da Finlândia – um café foi bem equipado com lâmpadas especiais projetadas para revigorar o moral dos clientes, enquanto eles bebem algo.