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Opinião

Norte da Europa – São Petersburgo (Rússia) – Cruzeiro Pelos Países Bálticos – Escandinávia

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Por Marlei Klein

Finlândia- Helsinque II

 

A ideia da Europa de preservar a natureza é o que podemos também fazer. “Não somos a Europa e provavelmente nunca seremos, mas ela pode servir de inspiração para a solução de problemas que têm saída. Uma ideia simples e barata para tornar nossas cidades menos quentes e desestimular as pichações seria plantar trepadeiras em paredes e muros urbanos para formar cortinas verdes. Algumas cidades já estão lá na frente. É só copiar”.

 

 

Helsinque

Ela é a cidade do frio. À primeira vista, Helsinque pode não parecer muito aconchegante com suas longas avenidas e um clima mais frio. A temperatura média anual é de apenas 5,4 graus C. O inverno deste ano de 2024, no mês de fevereiro, a temperatura conforme ficamos sabendo, chegou a 30 graus negativos. Tudo parou. A vida em Helsinque parecia morta. Ninguém saiu para as ruas. Até o aeroporto não funcionou. Nós, aqui no sul, com temperaturas de 5 ou 6 graus, quase congelamos! Dá para imaginar a vida com 30 negativos? Lá as águas ficaram estradas de gelo, por quatro meses. Um quebra-gelo era usado constantemente.

 

O seu verão

No verão, porém a cidade toma novos ares. Em julho, a temperatura pode chegar a 30 graus C. Cafés e restaurantes invadem as calçadas e as praias. Estas nunca estão muito longe. Nelas se pode chegar até por pistas de ciclismo. As mais apreciadas escondem-se em ilhas, onde se pode ir de barcos-ônibus. Mas as águas do mar não são gradáveis como as nossas. Para aquele povo fica muito bom quando chegam a 20 ou 22 graus C. Em Helsinque o mar é onipresente. Cidade dos cinco portos. Estes controlam praticamente todo o tráfego exterior da Finlândia. A pesca tem papel fundamental.

 

Uma capital jovem

Está situada em uma península no golfo da Finlândia. Mas nem sempre foi neste local. Começou no estuário do Rio Vantaa, pertencendo à Suécia. Então, foi reconstruída à beira do mar. Ela deve sua expansão às grandes guerras do Norte que, na primeira metade do século XVIII, opuseram russos   e suecos. Os russos a ocuparam duas vezes, de 1700 a 1721 e de 1742 a 1743. Enfraquecida em todas as frentes, a vizinha Suécia edificou uma fortaleza numa ilha para proteger a fronteira oriental do reino. Essa decisão mudou a história de Helsinque, cuja prosperidade deve-se à da atividade marítima.

 

Pertenceu ao Império Russo

Em 1808, a Finlândia passou a fazer parte do Império Russo. A Suécia a perdeu. Nesse ano, um incêndio devastou Helsinque- as casas de madeira eram muito próximas. A sua reconstrução a elevou como capital. Ela já contava, então, com um senado e uma universidade. Nos fins do século XIX, Helsinque se impôs como primeira cidade industrial finlandesa

 

Soberania finlandesa

Em 4 de janeiro de 1918, o governo russo reconheceu a soberania da Finlândia. A República só foi instalada definitivamente em 1919. No ano 2000, a cidade festejou 450 anos e foi indicada como uma das nove capitais europeias da cultura.                      

 

A elegância neoclássica de Helsinque

Ela deve isto ao incêndio que destruiu seu centro, no início do século XIX. Sua reconstrução foi confiada ao engenheiro finlandês Johan Albrecht Ehrenström e a Carl Ludwig Engel, este era arquiteto de origem alemã. Eles foram os criadores do primeiro edifício oficial em “estilo império” – o belo Senado, concluído em 1832. Engel construiu a belíssima Catedral Luterana inteiramente branca e sustentando uma cúpula verde ladeada de quatro pequenas colunas. Estas, seguram cúpulas menores semelhantes à maior. As suas quatro fachadas são sustentadas por imponentes colunas. Ela foi inaugurada em 1852. Outra obra de Engel, bem próxima, é a Igreja Ortodoxa da Santa Trindade situada nos altos de uma escadaria. De cor ocre com muitas cúpulas e telhado em verde. A cúpula central e as menores, que a ladeiam, são encimadas por pontas em ouro. No seu interior, seus altares são verdadeiras obras de arte. A herança russa também deixou uma bela catedral ortodoxa construída numa ilha próxima a Helsinque, em Uspenski – de teto verde acinzentado e sinos dourados.

 

Na Praça do Mercado

Na Praça do Mercado –Kauppatori –encontra-se o antigo palácio imperial, todo em branco, que foi doado por um rico comerciante ao governo. Tornou-se a residência presidencial. Todas as manhãs, a praça é invadida por barracas que vendem peixe defumado e frutas silvestres. Os moradores de Helsinque apreciam muito os produtos naturais oriundos de pequenas plantações. As cores dos produtos das bancas são intensas e um convite para apreciar e levar. No mesmo local, barraquinhas vermelhas são montadas sob o mercado coberto. Estão repletas de lindos artigos e com muitas sugestões para lembranças. Neste local, além da visita, foi uma parada para um bom café. 

 

A Arte Moderna também acompanha Helsinque

Esta capital é uma verdadeira vitrine da arte contemporânea. O templo dessa arte é o Kiasma. Foi projetado em 1998 por Steven Holl. Essa “catedral” de um branco imaculado, com vãos imensos, exibe mais de 4 mil obras em exposições alternativas. Entre elas as de Brian Eno, mais conhecido como músico e produtor do grupo de rock irlandês U2. Telas interativas, apresentação das coleções em modernos equipamentos, inclusive em 3D e IA. Tudo foi previsto para estimular a experiência em Arte Contemporânea.

 

Conclusão

No início do século XX, a urbanização acelerada de Helsinque atraiu muitos arquitetos talentosos. A “Art Nouveau” imprime sua marca à estação de trem projetada por Eliel Saarinem, em 1904. Por ela passamos e vimos muitos painéis de pintores locais. Imensos e belos vitrais captam a luz exterior. A estação também é ponto de encontro para os locais e visitantes. São muitos os seus restaurantes e cafés. Eles são atração e sempre muito chamativos. A facilidade, com escadas rolantes, permite o acesso aos dois níveis da estação.

 

 

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