A Finlândia deixou de ser comunista não faz muito, pois pertenceu à Rússia. Hoje, é das mais prósperas economias do mundo. Grande exportadora de madeira, que é extraída de plantas para esse fim. Um em cada cinco finlandeses é dono de árvores. Estas são protegidas e chegam a ser regadas, pelo povo, nos bosques. O mais importante lazer da população é passar fins de semana e férias em cabanas entre árvores. Pequenas casas, simples, onde não falta uma sauna. Isto em qualquer época do ano, embora as águas congelem no inverno. Na periferia de Helsinque, chama a atenção os quiosques de madeira à beira do braço de um rio. Lugar com tomadas de água e luz, onde estão pequenas mesas e grades de madeira. Servem para, no verão, lavar os tapetes. Os habitantes de apartamentos os usam e lá mesmo os deixam para secarem.
A sauna- uma instituição nacional
A Finlândia é terra das águas e não por menos o seu símbolo é o CISNE. A sauna, dizem os finlandeses, previne resfriados e doenças cardíacas. No centro de Helsinque há um importante complexo de sauna à beira do Mar Báltico. Vários tipos de sauna, piscina, restaurantes, lojas, sacadas floridas e com folhagens, além da bela vista para a cidade. Sauna é palavra finlandesa. O certo é, depois do vapor e calor, tomar um banho de água fria ou simplesmente se jogar nas águas do mar – crioterapia. Ela é uma tradição importantíssima nas grandes empresas e órgãos do Estado. Todos possuem a sua própria sauna, que serve para ser lugar de reuniões, tratar de negócios e receber visitantes importantes. O presidente e o primeiro ministro possuem saunas oficiais onde, comumente, recebem autoridades com todas as honras possíveis.
Na minha viagem, em junho último (1924) deu a coincidência de estar passando pelo local dessa sauna central, quando um homem, como roupa de banho, saltou das pedras que a cercam. Entrou nas águas geladas do Mar Báltico. O tempo estava fechado, chuviscava e estava frio. Ele agiu corretamente, o calor e depois o frio.
Jean Julius Christian Sibelius
Compositor finlandês, de música erudita, nascido em dezembro de 1865. Em 1899 compôs a sinfonia “Finlândia” um comovente hino que, com a sua formação em identidade nacional, contribuiu para que o governo russo, ao qual a Finlândia pertencia, a reconhecesse como soberana. Mas somente em 1919 a República foi oficialmente instalada. Foi casado com Aina Sibelius, que faleceu no mesmo ano do marido- 1957. Tiveram cinco filhas.
O compositor Sibelius
Compôs sete Sinfonias – cada uma possui uma ideia musical diferente. A mais famosa é o Concerto para Violino e Orquestra em Ré Menor. Sua inspiração vinha da natureza e ela transparecia na sua música, principalmente os primeiros flocos de neve. Morava em Järvenpãa, um local a 38 km ao norte de Helsinque, junto ao Lago Tuusula. Suas composições seguem as mudanças das estações do ano. Ficava muito ligado às variações da natureza. Mas era no Inverno o seu tempo preferido. Apreciava os gansos sobrevoando o seu lago congelado, o grasnar dos grous e os ecos das aves pairando sobre os brancos campos cobertos pela neve.
Sua casa é Museu
A casa do genial compositor, hoje é Museu. Foi chamada de Ainola em homenagem à sua esposa Aina. O lugar, hoje, é chamado de Ainola. Uma tradicional casa de madeira de dois andares, situada entre pinheiros. O telhado, com várias mansardas, foi projetado para receber a luz natural de várias formas. Ao entrar na casa, ouve-se, como num sussurro, uma sinfonia sua. Ela conserva tudo como na época em que foi habitada. Uma bela pintura com o retrato de Aina, numa parede. O Natal era muito comemorado em Ainola. As filhas com suas famílias enchiam o ambiente. E, fora, a natureza branca pela neve. O gosto de Sibelius pelo inverno estava no aconchego da residência, com suas lareiras. As muitas vidraças da casa permitiam apreciar a natureza. O jardim era obra da esposa e não faltavam as frutíferas. Ainda hoje, lá estão muitas frutíferas. Sibelius e Aina estão enterrados no jardim, entre flores e macieiras.
Monumento ao compositor
Está localizado no Parque Sibelius no Distrito de Toodö, próximo ao mar em Helsinque. Sobre rochas, são dois monumentos, um ao lado do outro. O menor é o busto do compositor entre o que parece serem asas. O maior é uma escultura abstrata. São 600 tubos, de diversos tamanhos, em metal prateado, dispostos como se fossem um órgão. O vento, quando bate nos tubos, ressoa como canto de pássaros, na primavera e um som forte, como trovão, no inverno ou em tempestades. O conjunto lembra uma onda do mar com altos e baixos. Ele é o cartão postal de Helsinque. Uma réplica, pela importância que possui, encontra-se no Palácio da UNESCO, em Paris.
Helsinque, a melhor cidade
Conforme uma pesquisa, recentemente realizada, ela é a melhor cidade do mundo para morar. A resposta não coloca dúvida, se olhada pela sua qualidade de vida. Fatores como criminalidade, qualidade do ar, lugares onde morar, lojas abertas aos domingos, entraram na conta. Helsinque é um centro de inovação urbana em relação à ecologia e aos transportes públicos. O título de “cidade mais habitável” também se deve pelo fato de não ter grande número de habitantes. O clima muito frio é uma das causas. Assim, pela sua natureza, parece ser uma comunidade unida, onde as pessoas parecem conectadas, sem as grandes multidões. Um outro importante fato é o de incentivar seus próprios negócios. Isso foi pessoalmente observado nas suas feiras. Os produtos locais, de excelente qualidade, são os mais procurados e exigidos. É um fator indispensável da sua economia. Na Praça Central, nas suas tendas, os alimentos orgânicos e típicos são os preferidos. Mas, também, são encontrados produtos de outros países nórdicos, como queijos especiais, frutas vermelhas e legumes frescos. Logicamente, esses produtos possuem um preço mais elevado do que aqueles de supermercados, isto pela qualidade.
Conclusão
O pensamento da população é que Helsinque seja uma cidade saudável, funcional e agradável não só para seus habitantes, mas também para os que chegam.