As queimadas no Brasil têm números alarmantes, concentra 72% de todas as queimadas registradas na América do Sul. Dados do sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registraram mais de 7.500 focos de incêndio nos últimos dias. Na sequência, aparecem Bolívia com 1.137 focos (11,2%), Peru com 842 (8,3%), Argentina com 433 (4,3%) e Paraguai com 271 (2,7%). Considerando o acumulado do ano, até a data do dia 12/09, o Brasil registrou 180.137 focos em 2024, 50,6% dos incêndios da América do Sul. O número é 108% maior em relação ao mesmo período de 2023, quando foram anotados 86.256 focos entre janeiro e 13 de setembro.
Entre os estados brasileiros, Mato Grosso lidera o ranking, com 1.379 registros, seguido por Amazonas com 1.205, Pará com 1.001, e Acre com 513 focos. O município com o maior número de queimadas no período é Cáceres (MT), que teve 237 focos nas últimas 48 horas. Novo Aripuanã (AM) e São Félix do Xingu (PA) vêm logo atrás com 204 e 187 focos de incêndio, respectivamente.
A Amazônia foi a região mais afetada, concentrando 49% das áreas atingidas pelo fogo nas últimas 48 horas. Na sequência, aparecem o Cerrado (30,5%), a Mata Atlântica (13,2%), o Pantanal (5,4%) e a Caatinga (1,9%).
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, associados a essa prática, os incêndios florestais no Brasil e em outros países da América do Sul são intensificados pela mudança do clima, que causa estiagens prolongadas em biomas como o Pantanal e Amazônia. Em 2024, 58% do território nacional estão sendo afetados pela seca. Em cerca de um terço do país, o cenário é de seca severa.
Vale ressaltar que o uso do fogo para práticas agrícolas no Pantanal e na maior parte da Amazônia está proibido e é crime, com pena de dois a quatro anos de prisão.
De janeiro a agosto de 2024 os incêndios no Brasil já atingiram 11,39 milhões de hectares do território do país, segundo dados do Monitor do Fogo Mapbiomas. Desse total, 5,65 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo apenas no mês de agosto, o que equivale a 49% do total deste ano. Nesses oito primeiros meses do ano, o fogo se alastrou principalmente em áreas de vegetação nativa, que representam 70% do que foi queimado. As áreas campestres foram as que os incêndios mais afetaram, representando 24,7% do total. Formações savânicas, florestais e campos alagados também foram fortemente atingidos, representando 17,9%, 16,4% e 9,5% respectivamente. Pastagens representaram 21,1% de toda a área atingida.
Para o período, os estados do Mato Grosso, Roraima e Pará foram os que mais atingidos, respondendo por mais da metade, 52%, da área alcançada pelo fogo. São três estados da Amazônia, bioma mais atingido até agosto de 2024. O fogo consumiu 5,4 milhões de hectares do bioma nesses oito meses.
O Pantanal, até agosto de 2024 queimou 1,22 milhão de hectares, um crescimento de 249% nas áreas alcançadas por incêndios, em comparação à média dos cinco anos anteriores. A Mata Atlântica teve 615 mil hectares atingidos pelo fogo, enquanto na Caatinga os incêndios afetaram 51 mil hectares. Já os Pampas tiveram apenas 2,7 mil hectares no período de oito meses. Literalmente estamos vivendo no “inferno astral”!
Por causa dos incêndios, cidades em diversas partes do país foram atingidas por nuvens de fumaça, o que prejudica a qualidade do ar. Além das consequências para o meio ambiente, também tem trazido preocupação para o sistema de saúde, principalmente envolvendo idosos e crianças com problemas respiratórios.
Até as queimadas não escapam do embate político nefasto que está se perpetuando neste país, e que tem trazidos sérios prejuízos ao meio rural, a população, ao meio ambiente, a economia como um todo. Estamos novamente próximas as eleições municipais, e para se desconstituir uma ou outra determinada linha política, se comete atrocidades, táticas de guerrilha, como atear fogo em canavial, no serrado, no pantanal, e na floresta amazônica.
É um absurdo dos absurdos!
Fonte: Agência Brasil - Edição Kleber Sampaio e Valéria Aguiar
Colaboração: Engº Florestal Marcos L. Kazmierczak, Doutor em Eventos Extremos, KAZ Tech