“você é uma pessoa resiliente?"
Mudando de assunto nesta semana, vou relatar um fato que me deixou impressionado “pela determinação, coragem, resiliência. Mas, não vou escrever sobre o ser humano, e sim, sobre um casal de quero-quero – a ave símbolo do Rio Grande do Sul, o sentinela dos campos.
O quero-quero (Brasil), de nome científico Vanellus chilensis (Molina, 1782), também conhecido por tetéu, téu-téu, teréu-teréu e terém-terém. Em castelhano é conhecido por tero-tero. Ocorre em toda a América do Sul e em alguns pontos da América Central. O seu nome popular em português é uma derivação onomatopaica de seu grito. É uma ave em geral monogâmica, territorial e muito vigilante, que dá o alarme ao primeiro sinal de intruso em seus domínios, seja dia ou seja noite. Quando adulto, ostenta esporões no ângulo das asas, usados como arma de ataque e defesa. Prefere viver em zonas de baixa altitude, em campos, praias arenosas, brejos, mangues e várzeas úmidas, onde predomine a vegetação rasteira, tolerando habitats degradados e a presença humana. Aparece em áreas urbanas, quando escolhe partes abertas como aeroportos, jardins, gramados e até mesmo campos de futebol. A taxa de natalidade é de cerca de 70%, mas somente cerca de 20% atinge a idade adulta. Por seu uma ave muito popular, especialmente no RS acabou por fazer parte do nosso folclore e de várias regiões. Em sua volta se formaram várias lendas, aparece em cantigas tradicionais, e se tornou personagem literário e dramatúrgico. Rui Barbosa em um discurso proferido em 1914, o chamou de “chanceler dos potreiros”.
Aqui na empresa que trabalho, tem áreas gramadas entre os prédios, e seguidamente no período de acasalamento desta ave, acabam fazendo ninho no gramado. O ninho não tem nada de ninho, apenas a fêmea faz a postura numa pequena cava no meio da grama, sem qualquer graveto, como nos demais pássaros.
E assim aconteceu a uns 60 dias atrás, a fêmea postou três (03) ovos no período que deu aquele calorão, e estava chocando-os. Leva 24 a 25 dias para nascerem os filhotes. Constatei que o casal se revezava no ninho. Descobri estas informações agora, pois fui pesquisar, assim como o termo resiliência.
O tempo mudou, começou a chover, chuva de uma semana, depois veio o frio, que chegou a – 3 ºC, e as aves não arredaram pé daquele seu ninho. Com todas as adversidades climáticas não o abandonou. Nasceram três filhotes, e em seguida começou novamente aquela chuvarada, e todos acabaram mortos. Talvez, pelas intempéries.
De repente, a fêmea estava lá novamente, e colocou mais dois ovos. O casal não “esmoreceu” e não desistiram de procriar. Novamente, sol, chuva, calor, frio, e o “casal se revezando”. Ontem, com aquela chuvarada, pensei, devem nascer por estes dias, mas como irão resistir? Para surpresa, agora de manhã, apareceu o primeiro filhote, e novamente apareceu a turma do corte da grama. Tive que ir lá mostrar o ninho e o filhote, senão iriam passar com o aparador de grama em cima do minúsculo filhote e do ovo, que ainda não eclodiu.
Fiquei pensando, mas que “bicho mais resiliente”, faça calor, frio, ventania, chuvarada, trovoada, raio, volta e meia os cortadores de grama em volta, mas o casal não esmoreceu, não abandonou seu ninho.
Fui pesquisar a tal resiliência, e achei muitas informações num artigo postado no site chamado Conexa Saúde, que desenvolve conteúdos sobre saúde física e mental (www.conexasaude.com.br). Novamente pensei: “quanta pessoas desistem do seu trabalho, dos seus estudos, dos seus sonhos, dos seus filhos, ....... Não são como os quero-queros. Lhes falta resiliência e equilíbrio frente as adversidades!
A palavra vem do latim resilire, que significa “voltar atrás”. “Está associado à capacidade que termos de lidar com os nossos próprios problemas, ou seja, de superar momentos difíceis. De acordo com alguns estudiosos, o caos acaba favorecendo o nosso crescimento e nos torna seres humanos melhores. Sendo assim, podemos dizer que pessoas resilientes acabam levando uma vida com mais propósito, visto que possuem uma visão mais otimista”.
Mas, e você? Já parou para pensar: sou um resiliente, um otimista? Se não é, como lidar com os contratempos, com os problemas que a vida nos impõe? Você é do tipo que se entrega ou que não desiste dos seus objetivos, propósitos e metas? Você é ou poderá ser um quero-quero!